segunda-feira, 18 de outubro de 2010

9. FORMAS DE AVALIAÇÃO

Caros alunos,
Permita-me lembrá-lo que a avaliação na disciplina PMCS será o resultado do desempenho do aluno nas seguintes atividades:

1. leitura dos textos indicados e participação nas aulas e nas discussões, através do Blog, enviando, pelo menos, uma postagem sobre cada um dos 13 temas a serem desenvolvidos. (50%)

2. Elaboração individual de um texto de, aproximadamente, 10.000 toques, com espaços, sobre um dos temas de livre escolha do aluno dentre aqueles desenvolvidos durante as aulas. (25%)

3. AVALIAÇÃO FINAL: Elaboração de um trabalho em equipe de alunos (no mínimo três e no máximo quatro) versando sobre a seguinte questão: “Será a Ciência Social uma abordagem superior às demais formas de tratar os problemas sociais?” As equipes apresentarão o resultado das investigações realizadas utilizando-se de recurso de mídia que os tornem passíveis de serem disponibilizados na internet para acesso público. (25%)

No que concerne ao item 2., fica estabelecido o prazo de 31 de outubro de 2010, até às 24:00hs., para postagem do material neste blog, nesta postagem. Use mais de uma postagem, caso o seu texto seja longo a ponto de necessitar de mais espaço.

No que concerne ao item 3., ficam estabelecidos os seguintes grupos de trabalho:

Grupo 1: Carolina Zucolotto, Caroline Santos e Kelly Garcia.

Grupo 2: Bruno Luís, Bruno Mendes, Gabriel Morais e Lucca.

Grupo 3: Jennifer Prioli, Silas Leite, Rachel Martinuzzo e Lucas Daniel.

Grupo 4: Christian Robin, Luana Homma, Rondinely Lima e Lucas Barnabe.

Grupo 5: Bianca de Oliveira, Mariana Rodrigues e Sandy Evelyn.

Grupo 6 : Flávia Faria, Marcus Vinicius Casasco, Bruno Oshiro e Mariana Mergl.

Grupo 7: Daniel Berloffa, Jonas Teixeira, Marcus Vinicius Souza e Leticia Marques.

Grupo 8: Alexandre Luppe, Rafael da Costa, Jonny, Valfredo Pires.

Fica estabelecido o prazo de 30 de novembro de 2010, até às 24:00hs., para disponibilização do material, ou link para acesso ao material produzido por cada grupo.

114 comentários:

  1. Professor, no grupo 8 onde está "Rafael da Costa" na verdade é "Rafael Cavalcanti".

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  2. Professor, no grupo 6 é Marina Mergl e não Mariana. Obrigada.

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  3. no grupo 8 está Jonny, mas é Johnny Bispo

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  4. O “Efeito Janus” presente na ciência.
    Após a leitura dos temas e das discussões realizadas em sala, principalmente dos relacionados aos temas: “A ciência como um sistema de crenças” com o texto base “Fé na Verdade”, de Daniel C. Dennet e “Ciência e Ideologia” com os textos de Karl Marx, chamou-me atenção para o fato de que a luta social ou o contexto social que o cientista está inserido pode ter influência nas suas teorias, a ciência depende da estrutura montada da sociedade a qual ela irá pertencer, nesse sentido é como se suas invenções, os desenvolvimentos que a ciência busca estivesse pré determinado, pois eles serão o reflexo do conhecimento existente e necessário que há na sociedade a qual está alocada.
    Assim para fazer uma alusão as teorias marxistas: o cientista burguês estará ligado a ciência burguesa, o cientista proletário a ciência proletária, ambos por mais que descubram fatos que interfiram na sociedade como um todo (entenda-se essa “sociedade” sem separações evidentes no efeito científico, ou seja quaisquer descobertas atingiriam “todas as classes”) ainda assim no momento em que houve o intuito da criação fora criado com moldes na suas ideologias. Portanto a ciência - como é criada por homens e consequentemente é suscetível a erros e interferências de quem as promovem - também possui suas ideologias.
    Em meu texto usarei a “ideologia” como sinônimo ao conjunto de pensamentos, de visões, doutrinas, ideias que pertencem a um grupo ou a um indivíduo que os direcionem para suas ações sociais, e políticas.
    Exemplo nas Ciências Sociais seria o modo como Karl Marx analisou o capitalismo; seu idealismo consistia em uma ampla transformação social, política e econômica, essa mudança iria possibilitar o surgimento de uma sociedade suscetível ao afloramento do potencial dos indivíduos. Para isso seria necessária a queda do capitalismo, o qual ocorreria quando a classe proletária tomasse o poder.
    Mesmo com essas possíveis interferências na ciência ( tanto nas ciências socias, quanto nas ciências naturais ), há autores que acreditam fielmente em seus métodos científicos sem a interferência pessoal de quem a produz, um exemplo é a definição exposta em seu texto “fé na Verdade” de Daniel C. Dennet, em que afirma que assim como a religião tem suas crenças, a ciência também tem sua crença no poder do método científico, sendo esse credo uma questão de fé, que no caso dos cientistas seria no seu bem máximo, ou seja, a fé na verdade. O autor também reconhece que como qualquer pessoa o cientista está vulnerável ao raciocínio caprichoso, a crédulos, a erros humanos. Porém segundo Dennet há a possibilidade de haver a separação entre as concepções pessoais e os resultados, assim para que nenhum desejo ou pressentimento influencie os dados científicos, foram inventados instrumentos, utensílios e a própria organização dos métodos, todos direcionados para resultados apartados das influências pessoais do cientista. Entretanto ao discutirmos em sala, e após ver os vídeos propostos, observei que essa crença absoluta no método e na imparcialidade dos resultados não poderia ser totalmente verídica, já que há elementos presentes na sociedade que nem mesmo a ciência pode comprovar a exemplo a própria ciência a qual é impossibilitada de provar-se a si mesma.

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  5. Continuação:
    Após expor tal ponto de vista irei atentar-me a explicar o motivo do uso do “Efeito Janus” na ciência, quais observações me levaram a ele e qual fora a minha conclusão.
    O termo “Efeito Janus” tem seu início na antiguidade, pois muitas cidades tinham fortificações com arcos e portas as cercando, esses serviam como entrada. Janus é um deus romano protetor das entradas, tem como representação uma figura que possui uma cabeça possuindo duas faces, estas são digiridas para posições opostas, como pode-se observar em moedas romanas antigas. Suas duas faces desiguais simbolizam a dualidade, assim o “Efeito Janus” simboliza uma situação em que apresenta soluções contrarias, ou de posicionamento contrário.
    No caso do meu texto representará a dualidade que pode haver na ciência, justamente por causa da posição em que o cientista se encontra quando realiza suas pesquisas e desenvolvimento, e para qual uso as mesmas serão direcionadas. Para avanços na medicina, melhoria da qualidade de vida etc. ou para compostos prejudiciais muitas vezes mortais com seus efeitos irreversíveis, teorias que levam as pessoas a tornarem-se inimigas de outras por questão de cor da pele – o que nada mais é do que uma questão de maior quantidade ( pele com pigmentação mais escura) ou menor quantidade ( pele com pigmentação mais clara) de melanina – nacionalidade ou crença, julgando que exista um tipo ideal de ser humano, uma “raça” superior. Assim se o desenvolvimento cientifico é usado para o “bem” ( benefícios para a sociedade) ou para o “mal” ( malefícios para a sociedade).
    Um exemplo que encontrei sobre a dualidade de certos compostos quando realizei minha pesquisa, foram certas substâncias químicas que podem ter aplicações opostas, ou seja, podem ser usadas para tratamentos médicos e para a fabricação de fármacos, ou para a fabricação de armamento químico, como o gás mostarda que foi usado como armamento químico por muito tempo, ocorreu durante a Segunda Guerra Mundial um exemplo de seu uso duplo, resultando na descoberta da quimioterapia.
    Um cientista alemão o Prof. Fritz Haber, Nobel em química em 1918, foi quem teve a ideia de usar gás cloro contra as tropas inimigas durante a Primeira Guerra Mundial, afim de obrigar seus oponentes a saírem das trincheiras para um combate a céu aberto. Este cientista fez questão de acompanhar o primeiro uso do gás cloro – um gás asfixiante que causa ressecamento e irritação das vias respiratórias, o organismo para sanar tal irritação libera líquidos nas vias respiratórias o que causa um edema, a pessoa morre “afogada”.
    Ainda relatando o uso do conhecimento cientifico para uso militar, há também os armamentos biológicos, que consistem em utilizar agentes patológicos para ataques a inimigos, seja em guerras ou também em ataques terroristas. Em geral produzidos em laboratórios a partir de vírus, microorganismos, bactérias etc., para aumentar seu potencial destrutivo, podem causam grandes danos na saúde do homem. Há relatos da existência de laboratórios produtores de armas biológicas espalhados pelo Irã, Síria, Iraque,Líbia, Índia, Paquistão, China, Estados Unidos, Coréia do Norte, Afeganistão e Rússia. As mais conhecidas são feitas a partir do Antraz, Botulismo, Varíola e Ebola, por causa do baixo custo, fácil transporte e grande poder de devastação. Dependendo do agente utilizado é possível afetar cidades inteiras em poucos dias.
    Depois do desdobramento da União Soviética e o fim da Guerra Fria, há a suspeita de que cientistas soviéticos teriam sido contratados por países que financiam terroristas, para produzirem armas químicas e biológicas.

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  7. Não estou afirmando que seja errado o desenvolvimento cientifico para a proteção dos países, até mesmo porque vivemos em uma época em que as relações entre os países estão cada vez mais fragilizadas por varias questões, sejam econômicas, éticas e religiosas ou políticas; o que estou tentando relatar é a forma como são usadas, tais agentes podem sair do controle e tornarem-se pandemias, afetando civis inocentes que não tem culpa das disputas entre seus países.
    Posso ainda relatar teorias como a Eugenia, que propunha ( como relatado anteriormente0 ) a obtenção de uma “raça superior’, em que doentes mentais, criminosos, mulheres com intuitos feministas, até pessoas negras eram considerados de “raça inferior “ e não poderiam ter descentes, eram proibidos os seus casamentos e até mesmo chegaram a ser dizimados, através da eliminação de pessoas de sangue ruim. Outro exemplo é o Darwinismo social, um movimento dentro das ciências sociais em que eram baseadas na tese da sobrevivência do mais adaptado, uma importância sobre a demografia humana. Nesse pensamento, assim como na eugenia, existiam certas características que distinguiam os seres superiores dos inferiores, alguns padrões seriam o maior poder aquisitivo e a habilidade nas ciências humanas e exatas entre outros.
    Deixo evidente que a minha intenção não é “demonizar” a ciência, nem retirar os créditos de seus estudos, pesquisas e descobertas, apenas estou tentando desmistificar a visão de que a ciência seja “intocável” e incontestável, exibindo sua dualidade. Até mesmo porque temos que reconhecer que várias invenções também tiveram implicações benéficas ou que mudaram a visão sobre o mundo dando outros parâmetros tendo tornado-se teorias/descobertas de grande prestígio. Pesquisando encontrei as maiores descobertas cientificas do milênio, são elas em ordem cronológicas:
    1* A teoria heliocêntrica que rompeu com um dogma de que o sol girava em torno da Terra, uma herança de Aristóteles, a teoria proposta por Nicolau Copérnico, propôs uma explicação para a mecânica celeste de maneira mais racional.
    2* A teoria da gravitação universal foi proposta pela primeira vez por Isaac Newton, onde apresentava uma teoria que explicasse o problema da atração entre as massas.
    3* A célula foi descoberta através do uso do microscópio, em que descobriu-se que os organismos eram constituídos por unidades pequenas denominadas células. A teoria celular também deu origem a medicina científica.
    4* A teoria da evolução que teve vários estudiosos como Lamarck, Buffon, mas o nome mais conhecido e que teve suas teorias amplamente aceitas fora Charles Darwin, através da teoria da seleção natural e do ancestral em comum.
    5* A teoria da relatividade descoberta pelo físico alemão Albert Einstein que abalou a teoria newtoniana e abriu campos inteiros novos da física.
    6* Física quântica proposta inicialmente por Max Planck.
    7*Big- Bang teoria elaborado pelo físico George Gamow, em que relata que o universo teria tido seu inicio através de uma grande explosão ocorrida a milhões de anos.
    Por fim o código genético fora uma descobertas dos cientistas Crick e Watson, em que relatavam a estrutura e a função do DNA, o que abriu caminho para varias pesquisas nessa área. Podem-se citar ainda vários outros desenvolvimentos da Medicina que promoveram cura de doenças, os tratamentos e controle de varias outras e o melhoramento da qualidade de vida.

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  8. Concluo, portanto, que há presente na ciência o “efeito Janus”, pois há descobertas que beneficiam e outras que causa malefícios a humanidade. Esse efeito se explica pela ideologia que há por detrás dos cientistas, que determinará o uso e qual o desenvolvimento que este buscará. Deixo claro que não critico o avanço da ciência, só creio que os conhecimentos científicos deveriam ser focados para áreas que ajudasse a humanidade e não para destruir partes da mesma, talvez tivesse que ser repensado o uso das invenções/teorias, focando nas soluções de problemas socias (desenvolvimento humano), econômicos e na área da saúde- provavelmente haveria efeitos positivos para todos.

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  9. Item 2.

    A especificidade da Ciência Social

    Para falar sobre este tema discorrerei sobre as idéias de Émile Durkheim, grande pensador francês que viveu entre 1858 e 1917, fundador da Escola Francesa de Sociologia e considerado um dos pais da Sociologia como ciência, baseando-me principalmente em sua obra “AS REGRAS DO MÉTODO SOCIOLÓGICO”.
    Durkheim considerava que para a Sociologia se estabelecer como ciência, primeiramente deveria se tornar independente de toda filosofia, sem estar ligada a nenhuma doutrina, como a positivista por exemplo. Em suas próprias palavras “deve contentar-se em ser Sociologia e nada mais”.
    Para o autor, o objeto de estudo da Sociologia são os fatos sociais, estes possuem uma realidade objetiva e, portanto, são passíveis de observação externa. Os fatos sociais devem ser tratados como “coisas”, e os fenômenos sociais são a interação entre os fatos sociais.
    Nas palavras do autor:
    "É fato social toda a maneira de fazer, fixada ou não, suscetível de exercer sobre o indivíduo uma coerção exterior; ou ainda, toda a maneira de fazer que é geral na extensão de uma sociedade dada e, ao mesmo tempo, possui uma existência própria, independente de suas manifestações individuais".
    e também
    "O fato social é tudo o que se produz na e pela sociedade, ou ainda, aquilo que interessa e afeta o grupo de alguma forma”.
    Portanto, para Durkheim, os fatos sociais são formas de agir, pensar e sentir que se impõem como algo exterior e que exercem certa coerção nos indivíduos. Um exemplo claro do que são fatos sociais são as leis, que nos impõem ações.
    Para a compreensão da realidade social, Durkheim concede à Sociologia o status de ciência com capacidade para estudar os fatos e fenômenos sociais.
    “A sociologia, portanto, não é o anexo de nenhuma outra ciência; ela própria é uma ciência distinta e autônoma, e o sentimento da especificidade da realidade social é inclusive tão necessário ao sociólogo, que somente uma cultura especificamente sociológica é capaz de prepará-lo para a compreensão dos fatos sociais.”
    O autor coloca a Sociologia no patamar de uma ciência com objetos específicos, tornando-se independente das ideologias e de outras ciências, através de métodos empíricos, ou seja, a observação dos fatos sociais.
    Para Durkheim, o método da Sociologia é exclusivamente sociológico, não deriva da forma da psicologia tratar a sociedade, nem da filosofia e nem das ciências naturais, e afirma que a sociedade possui uma natureza própria, que não deriva nem da natureza humana, nem das consciências individuais e nem das constituições orgânicas dos indivíduos.
    O trabalho do cientista social seria analisar os fatos de maneira neutra, ou seja, desprovido das noções que possuía dos fatos anteriormente, para colocar-se diante dos fatos como são em si:
    “O sociólogo deveria afastar as noções antecipadas que possuía dos fatos, a fim de colocar-se diante dos fatos mesmos; como deveria atingi-los por seus caracteres mais objetivos; como deveria requerer deles próprios o meio de classificá-los em saudáveis e em mórbidos; como, enfim, deveria seguir o mesmo princípio tanto nas explicações que tentava quanto na maneira pela qual provava essas explicações.”
    Durkheim via o homem como um produto da sociedade, que realiza sua natureza na vida coletiva, o que traz satisfação ao indivíduo. Para ele, existia um “ser coletivo” acima dos indivíduos, transmitindo as normas sociais de uma geração à outra através da educação. Partindo deste pensamento, uma das grandes questões do autor era saber quais as formas de organização que se impõem ao homem.

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  10. Um princípio importante que Durkheim considerava para o estudo da realidade social era o da causalidade, que, como se aplicava às outras ciências, também deveria ser aplicada à Sociologia:
    “Visto que a lei da causalidade foi verificada nos outros reinos da natureza e que progressivamente ela estendeu seu domínio do mundo físico-químico ao mundo biológico, e deste ao mundo psicológico, é lícito admitir que ela igualmente seja verdadeira para o mundo social; e é possível afirmar hoje que as pesquisas empreendidas sobre a base desse postulado tendem a confirmá-lo.”
    Portanto para se conhecer os fatos sociais deve-se necessariamente conhecer as causas que os geraram. Com o estudo empírico das causas é possível estabelecer correlações entre os fatos e fenômenos sociais, assim, o trabalho do cientista social consistiria a princípio à observação de como se sucedem os fatos sociais.
    “Só existe um meio de demonstrar que um fenômeno é causa de outro: comparar os casos em que eles estão simultaneamente presentes ou ausentes e examinar se as variações que apresentam nessas diferentes combinações de circunstâncias testemunham que um depende do outro.”
    Durkheim, assim como Comte parte da idéia fundamental de que a sociedade se trata de um organismo vivo, e acreditava no pressuposto de que as sociedades se mantêm coesas quando compartilham de alguma forma, sentimentos e crenças comuns. Mas critica Comte na sua crença evolucionista, para ele os povos de determinada época não são necessariamente superiores aos de uma época anterior.
    “E, de fato, é tão claro que se trata de uma representação inteiramente subjetiva que, na prática, esse progresso da humanidade não existe. O que existe, a única coisa dada à observação, são sociedades particulares que nascem, se desenvolvem e morrem independentemente umas das outras.”
    Para combater este ponto da teoria comteana, Durkheim faz uma analogia da sociedade com os ramos de uma árvore que se direcionam em diversos e divergentes sentidos:
    “Mas os fatos não se apresentam com essa extrema simplicidade. Um povo que substitui outro não é simplesmente um prolongamento deste último com algumas características novas; ele é outro, tem algumas propriedades a mais, outras a menos; constitui uma individualidade nova, e todas essas individualidades distintas, sendo heterogêneas, não podem se fundir numa mesma série contínua, nem, sobretudo, numa série única. Pois a seqüência das sociedades não poderia ser figurada por uma linha geométrica; ela assemelha-se antes a uma árvore cujos ramos se orientam em sentidos divergentes.”
    Durkheim também criticou Spencer porque para ele este autor não estudava a sociedade ou o objeto em si, mas baseava-se em suas próprias crenças, ou seja, em sua visão particular sobre o que eram as sociedades, portanto não era possível estudar a evolução se não se sabe o que as sociedades são e para que vieram a existir:
    “Ele faz das sociedades, e não da humanidade, o objeto da ciência; só que ele dá em seguida, das primeiras, uma definição que faz desaparecer a coisa de que fala para colocar no lugar a pré-noçâo que possui dela. Com efeito, ele estabelece como uma proposição evidente que "uma sociedade só existe quando à justaposição acrescenta-se a cooperação", sendo somente então que a união dos indivíduos se torna uma sociedade propriamente dita. Depois,
    partindo do princípio de que a cooperação é a essência da vida social, ele distingue as sociedades em duas classes, conforme a natureza da cooperação que nelas predomina. "Há, diz ele, uma cooperação espontânea que se efetua sem premeditação durante a perseguição de fins de caráter privado; há também uma cooperação conscientemente instituída que supõe fins de interesse público claramente reconhecidos." Às primeiras, ele dá o nome de sociedades industriais; às segundas, de militares, e pode-se dizer dessa distinção que ela é a idéia-mãe de sua sociologia.”

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  11. Para Durkheim, em seu método, as sociedades deveriam ser agrupadas em tipos ou espécies sociais. Estas espécies não seriam tão diversas como na perspectiva dos historiadores, mas sim seriam como intermediárias entre esta perspectiva e a perspectiva filosófica do conceito único de humanidade.
    “Mas escapamos a essa alternativa tão logo reconhecemos que, entre a multidão confusa das sociedades históricas e o conceito único, mas ideal, da humanidade, existem intermediários: são as espécies sociais. Na idéia de espécie, com efeito, acham-se reunidas tanto a unidade que toda pesquisa verdadeiramente científica exige, como a diversidade que é dada nos fatos, já que a espécie é a mesma em todos os indivíduos que dela fazem parte e, por outro lado, as espécies diferem entre si: Continua sendo verdade que as instituições morais, jurídicas, econômicas, etc. são infinitamente variáveis, mas essas variações não são de natureza a não permitir nenhuma apreensão pelo pensamento científico.”
    Dentre estas espécies, deve-se distingui-las umas das outras e notando-se que existem particularidades que devem ser consideradas.
    “Uma vez que se sabe distinguir as espécies sociais umas das outras tratamos mais adiante a questão, é sempre possível descobrir qual a forma mais geral que apresenta um fenômeno numa espécie determinada. Vê-se que um fato só pode ser qualificado de patológico em relação a uma espécie dada. As condições da saúde e da doença não podem ser definidas in abstracto e de maneira absoluta. A regra não é contestada em biologia; jamais ocorreu a alguém que o que é normal para um molusco o é também para um vertebrado. Cada espécie tem sua saúde, porque tem seu tipo médio que lhe é próprio, e a saúde das espécies mais baixas não é menor que a das mais elevadas. O mesmo princípio aplica-se à sociologia, embora freqüentemente ele seja ignorado aí. É preciso renunciar a esse hábito, ainda muito difundido, de julgar uma instituirão, uma prática, uma máxima moral, como se elas fossem boas ou más em si mesmas e por si mesmas, para todos os tipos sociais indistintamente.”
    Para finalizar, é importante salientar o papel fundamental que Durkheim concede à educação. Em sua visão, a educação é o meio pelo qual as normas sociais, entre elas a ética, a moral, as leis, etc., são transmitidas de geração em geração na sociedade. É através da educação que os jovens assumem seu papel social, reconhecem-se como membros de determinada sociedade e são condicionados à viver de acordo com os costumes da mesma.
    “Toda educação consiste num esforço contínuo para impor à criança maneiras de ver, de sentir e de agir às quais ela não teria chegado espontaneamente. Desde os primeiros momentos de sua vida, forçamo-las a comer, a beber, a dormir em horários regulares, forçamo-las à limpeza, à calma, à obediência; mais tarde, forçamo-las para que aprendam a levar em conta outrem, a respeitar os costumes, as conveniências, forçamo-las ao trabalho, etc., etc. Se, com o tempo, essa coerção cessa de ser sentida, é que pouco a pouco ela dá origem a hábitos, a tendências internas que a tornam inútil, mas que só a substituem pelo fato de derivarem dela.”

    Após esta leitura e reflexão sobre o assunto da especificidade da ciência social, o que se pode concluir é que a mesma realmente possui características próprias e que ao meu entender, pelo nível de complexidade das relações sociais, esta é uma das ciências mais difíceis de chegar a um consenso sobre a aplicabilidade e efetividade de seus métodos.

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  13. Dada a excessiva dificuldade de postar o comentário por aqui, segue o link do meu texto. Parabéns mesmo pra quem conseguiu! haha

    https://docs.google.com/document/edit?id=1gMWHR8KPQ4oKup_yUofovFeVJ31RJyRY_0FQzI9ms0I&hl=en&authkey=CPGXkbwH

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  14. Professor,
    Tendo a mesma dificuldade do amigo Silas, tive que colocar o texto em um Google Doc, segue o link

    https://docs.google.com/document/edit?id=1t03YfYcWIo4F0-1H5ryR0LDUuXsTUgR2u30KDsailyc&hl=en

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  16. A CIÊNCIA COMO UM SISTEMA DE CRENÇAS

    O choque entre ciência e religião sempre esteve presente, a partir do momento em que houve a coexistência desses dois princípios. De um lado, pesquisas e evidências; do outro, a fé. Mesmo assim, há quem diga que ambas podem caminhar juntas se complementando ou, até mesmo, que a ciência corresponde a uma religião. Muitos outros as consideram coisas completamente opostas. Todavia, de fato, há semelhanças: as duas procuram dar uma significação ao mundo e atingir uma verdade absoluta.
    Desde o início da humanidade a dúvida acerca da realidade existe. Dada a capacidade exclusiva de raciocínio do homem em relação aos outros animais, o questionamento sobre os acontecimentos verificados à sua volta tornou-se inevitável. Fatos como os movimentos dos corpos celestes, as interações dos elementos da natureza e a biodiversidade passaram a intrigar o ser humano. Sendo este incapaz de explicar ou justificar tais eventos e responder suas próprias perguntas, concluiu que um ser superior seria o responsável, dando origem, assim, à religião.
    A partir daí, a religião apenas se desenvolveu, amadurecendo e conseguindo cada vez mais adeptos, uma vez que ninguém tinha capacidade nem recursos suficientes para contrariar o que ela pregava. Assim, a religião (católica), representada agora pela Igreja, acabou tornando-se muito poderosa e influente, ao passo que muitos pensadores e filósofos não demonstravam suas ideias por serem contrárias às das doutrinas vigorantes. Eram considerados hereges e podiam ser submetidos a sérias punições. A exemplo disso, o astrônomo e matemático polonês Nicolau Copérnico que contestou a concepção pregada pela Igreja de que a Terra era o centro do universo, lançando a teoria heliocêntrica (que sugere o Sistema Solar, com o Sol no centro). Porém, o polonês calou-se frente à possibilidade de severos castigos, diferentemente do italiano Giordano Bruno, que mais tarde apoiou a teoria do heliocentrismo copernicano e acabou sendo condenado por “Deus”.
    Dessa forma, durante anos e anos a religião conseguiu barrar o avanço da ciência. A Santa Inquisição (como foram chamadas as instituições responsáveis pela supressão da heresia) perdurou por séculos usando de crimes e torturas. Contudo, com o passar do tempo e após terem sido comprovados diversos erros por parte da Igreja, a ciência conseguiu superar a categoria de herege e continuar a se desenvolver mais livremente. Por conseqüência, o estudioso britânico Charles Darwin pôde afirmar e divulgar suas teorias da evolução, da seleção natural e do ancestral comum, desmentindo (juntamente com a teoria do “Big Bang”, do físico russo George Gamow) uma das maiores crenças pregadas pelos religiosos: a de que tudo e todos os seres vivos foram criados, já perfeitos, por Deus.

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  17. Outro grande argumento pontuado pelos cientistas céticos é a forma pela qual a religião busca a verdade. Afirmam que a metodologia crente é baseada única e exclusivamente na fé de seus seguidores. Com isso, uma verdade inexorável é lançada por uma autoridade e aceita pela sociedade aderente. Já a verdade científica, é fundamentada em diversas pesquisas, estudos, provas e evidências. Essas grandes discordâncias nas bases das duas “doutrinas” geram outro conflito: de uma parte, não permite que a verdade seja contestada, já que esta foi praticamente imposta; da outra, admite o julgamento da mesma, pois a ciência usa da investigação para chegar a conclusões. O ponto principal dessa questão é que a verdade religiosa não pode se renovar, enquanto que a verdade científica está em constante atualização e evolução ao longo dos anos.
    Em relação aos que estabelecem ciência como religião, o argumento é de que ambas se dão por meio de crenças. Afirmam que a fé no método científico é um credo como qualquer outro credo religioso. Isso porque as teorias e hipóteses científicas, em última análise, baseiam-se apenas na fé. Ou mesmo porque muitos afirmam que, hoje em dia, a ciência e a tecnologia avançaram tanto que a maior parte da sociedade mundial não acompanhou esse crescimento e apenas confia no que é dito e passado a todos. Vêem ainda a Verdade como o deus do credo científico.
    Essa “fé científica” realmente existe, porém ela é diferente da fé religiosa. O método científico provém da dúvida. Dúvida essa que contesta até mesmo esse próprio método. Ou seja, a ciência questiona suas próprias hipóteses a fim de melhora-las e/ou adapta-las, corrigindo seus possíveis erros, de modo a não deixar brechas, e tornando-se permanentemente mutável. A isso tudo, soma-se uma visão imparcial dos fatos. Na fé religiosa, nada disso é observado. Há a suspensão da capacidade crítica de seus seguidores (pois há conceitos impostos por uma autoridade) e a neutralidade nos assuntos é inexistente. Assim, a religião é tida como algo involúvel e, até mesmo, antiquada.
    Entretanto, ciência e religião carregam outras semelhanças em algumas particularidades. Além de buscar a verdade e as explicações de diversos fenômenos, é sabido que ambas trazem muitos benefícios para a sociedade em geral. O desenvolvimento tecnológico científico trouxe inúmeros ganhos à população, seja na cura de doenças, lazer, comodidade, maior facilidade na realização de tarefas, trabalho, etc. É inquestionável a importância desses avanços para o âmbito social. E essas aquisições interferem diretamente no plano econômico (na compra e venda de produtos e tecnologias) e, também, no cultural (desenvolvimento de novos conhecimentos, técnicas, além de obras e instalações). Quanto à relevância da religião para a sociedade, encontra-se, entre outras, o bem-estar psicológico. Milhões de pessoas recorrem a Deus quando passam por dificuldades, servindo como uma última esperança para a solução de seus problemas, sejam estes de saúde, familiares ou financeiros. Esse apoio acaba sendo muito útil, pois torna-se um estímulo a mais para passar por tais obstáculos e não desistir. A religião também gera confraternizações, festas tradicionais e lazer, contribuindo para a cultura de alguns países. Além disso, as igrejas e catedrais são pontos importantíssimos para o turismo.

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  18. É necessário, também, pontuar os aspectos negativos dos dois conceitos. Toda a tecnologia desenvolvida e conduzida até nós pela ciência, não trouxe apenas benefícios. As duas grandes guerras mundiais fizeram com que o conhecimento científico fosse impulsionado desenfreadamente na direção da produção de armas de destruição em massa, inclusive de bombas nucleares. Apesar de, igualmente, terem contribuído para um grande avanço na comunicação à distância, transmissão de informações e localização, a devastação humana e territorial foi imensa. Fora isso, gerou, mesmo que indiretamente, grande manipulação das massas através da forma como são transmitidas as informações. No campo religioso, certos dogmas são muito polêmicos quanto a serem respeitados ou não e quais as suas conseqüências. A proibição do uso da camisinha, por exemplo. Milhares de pessoas morrem todos os dias, principalmente na África, por causa da AIDS. E, por ser um princípio absoluto e inabalável, o não uso da camisinha é aderido sem ser contestado. A Igreja condena o homossexualismo, chegando até a afirmar, certa época, que o mesmo era uma doença. A eutanásia também é reprovada e considerada crime pelos católicos, mesmo nas condições mais extremas. Deus forneceu o dom da vida, portanto somente Ele pode dar a morte.
    Se a ciência é, de fato, um sistema de crenças, assim como a religião, e tem a Verdade como seu deus, existe uma enorme divergência entre as duas. Fora as já citadas, a forma com a qual os seguidores de ambas se relacionam com seus respectivos deuses é bem diferente. Por exemplo, dois cientistas de locais diferentes do planeta podem chegar à mesma conclusão sobre determinado assunto independentemente, sem mesmo se conhecerem ou sem nunca terem se comunicado antes, estando assim, juntos, mais próximos da Verdade. Do outro lado, dois crentes, também de lugares diferentes, já são igualmente postos em contato com as realidades de seu deus. Portanto, na primeira, descobrimos o caminho passo a passo com objetivo de atingir a Verdade; e na segunda, esse “passo a passo” já nos é fornecido, assim que Deus nos atinge, cabendo a nós seguir esse caminho pré-determinado.
    Assim, se colocados na balança, os pontos positivos podem pesar mais em ambos os casos e é possível achar o equilíbrio entre ciência e religião, de modo a conviver com as duas. Agindo de formas distintas, elas podem se conciliar, tornando a sociedade contemporânea mais complexa e, ao mesmo tempo, mais completa.

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  19. Tema 3: Ciência e Ideologia
    Análise baseada na visão de Karl Marx

    A palavra ideologia possui diversos significados. No dicionário encontramos: 1.ciência que trata da formação de idéias; 2.conjunto de idéias próprias de um indivíduo ou grupo. O termo surgiu quando Antoine-Louis-Claude Destutt, o conde de Tracy (1754-1836) - filósofo, político, soldado francês e líder da escola filosófica dos Ideólogos - o criou para significar ciência das idéias, para estudar a origem e o desenvolvimento das mesmas. Esse significado deriva da própria etimologia: ideo (idéias) logos, logia (estudo). Esta palavra viria a ganhar diferente sentido por meio de Napoleão Bonaparte, que por considerar que os ideólogos pregavam oposição ao seu governo, chamou-os de “deformadores da realidade”.
    Da mesma forma, Karl Marx (1818-1883) - filósofo, economista, jornalista e militante revolucionário alemão - anuncia seu próprio conceito de ideologia: “conjunto de idéias que procura ocultar a sua própria origem nos interesses sociais de um grupo particular da sociedade”, equivalente a uma ilusão, falsa consciência, uma distorção (inversão) da realidade, que é originária da divisão de classes sociais. Hoje, esse significado é amplamente utilizado nas ciências humanas.
    A ideologia tem como função fazer com que o ponto de vista particular da classe dominante apareça para todos como universal. Ela preserva, portanto, a dominação de classes, e em vez de denunciá-las, mascara-as, evitando conflito entre os dominantes e os dominados.
    A nossa forma de pensar, nossa consciência é determinada pela nossa participação no processo de produção de riquezas. Se sou burguês, por exemplo, tenho tal pensamento. Não sou burguês porque tenho tal pensamento. A causa e consequência aqui são aplicados em: causa (sou burguês) consequência (tenho essa forma de pensar). Logo, a ideologia é determinada pela nossa posição social.
    É necessário entender o que levou a construção desse significado de ideologia, o que está por trás, por debaixo dessa compreensão.

    Construção do pensamento marxista

    A sociedade burguesa simplificou os antagonismos de classes, segundo Marx, havendo apenas duas grandes opostas: a burguesia (proprietários dos meios de produção social) e o proletariado (classe de trabalhadores assalariados, privados do meio de produção).
    Marx viveu na Europa pós-revolução industrial, século XIX, vivenciou o nascimento do capitalismo, a exploração do trabalhador e a crise social que se originou de tais fatos. Procura explicar as raízes dessa crise com base filosófica no materialismo histórico dialético.

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  20. Materialismo vem do fato que para Marx “as relações sociais são inteiramente interligadas às forças produtivas. Adquirindo novas forças produtivas, os homens modificam o seu modo de produção, (…) modificam todas as relações sociais”. A base material (forças produtivas e relações de produção) é a infraestrutura da sociedade, é o fator que determina a superestrutura – as instituições jurídicas, políticas (as leis, o Estado) e ideológicas.
    Histórico vem da crença que toda situação é necessariamente histórica e portanto, passageira. Como se qualquer situação tivesse uma explicação histórica e ela, por sua vez, estaria atrelada as lutas entre as classes sociais predominantes em casa período. Provem da pretensão de explicar a história das sociedades humanas em todas as épocas.
    No Prefácio do livro "Para a crítica da economia política", Marx identificou na História, de maneira geral, estágios de desenvolvimento das forças produtivas, ou modos de produção: o asiático (comunismo primitivo), o escravista (da Grécia e de Roma), o feudal e o burguês, o mais recente e o último baseado no antagonismo das classes, que por fim, dará lugar ao comunismo.
    Dialético vem da hipótese fundamental que nada é eterno, fixo, tudo está em perpétua transformação. Essa transformação se dá pela lutas de idéias e forças contrárias (tese – antítese) que levam a destruição do ser e, posteriormente, ao surgimento de algo novo (síntese). É uma forma de reflexão espiral, um círculo vicioso. Burguesia e proletariado, portanto, tendem a se polarizar. Há um conjunto de idéias e as suas contradições, essas por sua vez levarão a destruição do sistema atual e criação de um novo.
    Assim, torna-se clara a famosa teoria marxista: ao se desenvolverem, as forças produtivas trazem conflito entre os proprietários e os não-proprietários dos meios de produção. Os proprietários (burguesia) estão no poder, já fizeram sua revolução, são os “fabricantes” da ideologia dominante, eles estabelecem os padrões a serem seguidos cultural, política e economicamente e não tem interesse em mudar o status quo. Continuam lucrando em cima da exploração dos trabalhadores assalariados, obtendo seu lucro através da mais-valia (importante conceito em Marx, é a relação existente entre trabalho assalariado e lucro excedente), utilizando como “moeda de troca” o dinheiro burguês e a força de trabalho proletária.
    O resultado é uma sociedade em que a grande maioria, os trabalhadores, encontram-se oprimidos e explorados. Enquanto a classe burguesa aumenta em concentração de capital e diminui em quantidade, a classe operária aumenta seu exército industrial de reserva.

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  21. Se pararmos para refletir, o conflito se dá porque em algum momento da história houve alguém que pegou algo, um espaço de terra, por exemplo, e disse “isso é meu e ninguém mais pode mexer”, conhecido hoje como propriedade privada. Daí se desenvolvem os problemas, os possuidores da propriedade privada percebem sua vantagem sob os desprovidos, percebem possibilidade de lucrar, aumentar sua produção através do trabalho do desprovido, se em troca lhe oferecer algo. Então, aquele que não possuiu a propriedade privada almeja-a, aceita o sistema de trocas com esperança de um dia poder utilizar-se do mesmo.
    O único interessado em acabar com esse conflito nas relações econômicas e consequentemente, nas relações sociais é o proletariado. Então, é entregue a ele um importante papel de fazer uma revolução, tomar posse dos meios de produção e liquidar a resistência burguesa, consolidando o comunismo, sem classes, sem propriedade privada, sem desigualdades sociais. Para Marx, a história levaria necessariamente a esse novo sistema; os proletários se uniriam para acabar com o sistema capitalista de produção e o comunismo estaria presente nas sociedades modernas.

    Crítica ao pensamento de Marx

    Interessante a construção que a ideologia nos levou no final a instituição do comunismo. Karl Marx prognosticou a respeito do curso das relações sociais. E sua teoria, apesar de ser ainda imensamente divulgada, dá espaço para diversas críticas. Muitos criticam sua simplicidade: dividiu a sociedade em apenas duas classes sociais, sendo que a sociedade é muito mais complexa, as divisões de classes entre exploradores e explorados não se sustentam ao fato que existem, por exemplo, aqueles não-possuidores dos meios de produção que ocupam altos cargos e que exploram diversos de outros trabalhadores.
    Criticam também ter analisado todas as ações humanas sob a visão das lutas das classes sociais afirmando que encontramos fenômenos que não podem ser tão-somente explicados sob essa análise.
    Roberto Campos ao criticar Marx em seu artigo “Perdeu-se o Marxismo?” fala: “extraordinária originalidade do pensamento crítico de Marx. Falo do pensamento crítico. No resto, Marx foi um péssimo profeta e um mau político. Predisse o empobrecimento do proletariado, e ele “emburguesou-se”. Predisse a explosão do capitalismo, e foi o socialismo que implodiu. Predisse o fim do Estado e o aumento da liberdade, mas no "socialismo real" aconteceu o contrário: o Estado explodiu de elefantíase e as liberdades desapareceram.”
    Karl Popper, em Miséria do historicismo, critica o prognóstico de Marx, discorda quanto à história ser regida por leis que, se compreendidas, podem levar à antecipação do futuro. Diz que a história não obedece leis.
    Considera Marx como "não-científico" porque não é possível contestar sua teoria. Popper diz que uma teoria científica tem que se falseável, senão é classificada como crença ou ideologia. Marx afirma que as críticas à teoria comunista são feitas por aqueles que tem interesses contrários, os burgueses, e portanto não falsificam-a por criticá-la devido seus interesses.

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  22. Conclusão

    Sempre haverão aqueles que criticarão, mas acredito que Marx, apesar de limitado em alguns aspectos e não abranger todos os fenômenos dentro de sua teoria, deu grande contribuição para entendimento das relações humanas. Para aqueles que criticam, eis uma pergunta: será possível criar uma teoria que explique todos os acontecimentos sociais? Enquanto essa lacuna permanece aberta, prefiro admirar seu pensamento crítico, sua visão de que não existe ciência sem ideologia, ciência reflete ideologia. Pois qual a garantia que a ciência produzida é completamente objetiva, separada das minhas experiências, meus pensamentos (e assim, da classe a qual pertenço) e influências externas que a sociedade exerce em mim?
    Concordo que dentro de uma classe encontramos diferenças de pensamento em alguns aspectos, mas se olhar de forma mais geral e menos específica, reconheceremos uma base similar. Podemos visualizar da seguinte maneira, mas de forma hipotética: eleições no Brasil no ano de 2010, segundo turno. Há dois candidatos: Dilma (PT) e Serra (PSDB). Dizem que o PT é o partido dos trabalhadores, do menos favorecidos e o PSDB é da elite. Sendo assim, o PT claramente teria vantagem sobre o PSDB. A classe dos oprimidos todos votariam na Dilma e a dos opressores no Serra, porém, não é o que acontece. Dentro das classes há uma pequena diferença, alguns não concordam com esses rótulos atribuídos aos partidos, divergem dentro da massa. Mas a massa em si ainda é característica daquela forma de pensar, mesmo que alguma minoria discorde.
    Outro ponto é que Marx utiliza ciência como instrumento para entender a realidade e assim, deposita nela tamanha fé que pretende resolver todos os problemas das relações sociais. O fato é que a ciência social contemporânea é fragmentária, a criação dessa teoria geral para solucionar todos os problemas é complexa demais, envolve infinitos fatores. Por isso é necessário fazer “recortes” na realidade, tirar da complexidade para assim formular leis que a expliquem.

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  23. CIÊNCIA E IDEOLOGIA

    Há ciência desnudada de ideologia? Pensava-se que os resultados das Ciências Naturais por tratarem de fenômenos mais simples, que podem ser isolados, que se repetem, podendo ser reproduzidos em laboratórios fossem mais confiáveis, que estivessem livres de motivações internas. Ano passado dia 19 de Novembro, tornam-se público mensagens entre cientistas cujo conteúdo levava a crer que havia manipulação de dados para manter aceso o “aquecimento global”, caso que ficou conhecido como Climate Gate, pondo um ponto de interrogação nesta questão.

    Nas Ciências Sociais o impasse é nítido. O historiador, economista, sociólogo, psicólogo, filósofo todos estes têm um universo de discurso onde eles próprios estão inseridos e da qual têm suas preferências. O chamado conhecimento sociológico é profundamente ideológico, a foma como se observa e interpreta o mundo é influenciada por pensamentos e motivações internas. Ideologia, Ciência e Sociedade estavam fadadas a se encontarem muitas vezes no percurso histórico do pensamento humano.

    John Locke, em seu Segundo Tratado sobre o Governo Civil, teoriza que a propriedade, sendo um direito sagrado do índividuo, fruto do trabalho racional, deveria ser legitimada e defendida em forma de lei pelo Estado, rompendo com a lógica feudal-monárquica, dando as bases para a Revolução Gloriosa. Surge então o Estado cuja função é defender a propriedade privada. Surge o Liberalismo, germe do capitalismo como ideologia.

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  24. A partir da Revolução Industrial a propriedade torna-se o centro da disputa ideológica, tornando-se ainda mais distinta entre os estratos sociais do que fora antes. Surgem os grandes críticos da propriedade, entre eles Karl Marx. Para Marx a ideologia surge com a sociedade de classes, é uma falsa consciência profetizada pelos ideólogos da classe dominate, que vão desde sacerdotes até cientistas. A ideologia dominante é reflexo da classe dominante, então a ideologia da propriedade privada é para benefício da classe dominante, agora detentora dos meios de produção. O governo, as leis, a ciência produz conhecimento para justificar a classe dominante, o cientista é um representante da classe teorizada por Locke, representante da burguesia. O proletário precisa romper com a ideologia burguesa, tomando consciência de explorado, de não detentor dos meios de produção. Rompendo com a ciência burguesa, formando a ciência proletária. Rompendo com a ideologia burguesa, formando a ideologia proletária – comunista. O comunismo era a superação da sociedade de classes, harmonizando e humanizando a lógica do trabalho utilizandoa distribuição igualitária dos bens através do Estado. Essa foi a crítica social formulada por Marx, trataremos com mais detalhe abaixo junto com a implementação do modelo.

    No Século XX vimos duas guerras mundiais junto com a radicalização das ideologias e o grande avanço científico produzido por esses fatores, dentre elas a penicilina, a fissão nuclear, o avião, diversos bens de utilidade e consumo e etc. As duas ideologias tratadas acima, comunismo e capitalismo (liberalismo) se polarizaram, quase destruiram o mundo. Mas antes uma ideologia apareceu, a qual as duas tiveram de lidar.

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  25. Após a Primeira Guerra Mundial e um leve período de paz o mundo estava em crise. O liberalismo clássico do capitalismo dava sinal de ruínas, a produção não acompanhava o “ideal” consumista. Quinta-feira Negra e A Quebra da Bolsa de New-York, desemprego e falência. Surgem os “Big States”. Enquanto o mundo se reestruturava as nações que perderam as a Primeira Guerra Mundial se fechavam, o fervor nacionalista invadia a Alemanha e a Itália. Os extremistas se consolidaram assim como seu posicionamento sobre ciência. As teorias eugenistas e racistas fundiram-se no nacionalismo exarcebado e formaram o Nazismo. A proposta científica do nazismo era transformar o mundo mais harmonioso através da “pureza”, fazendo o reconhecimento sistemático dos chamados “degenerados”. O “degenerado” era supostamente um doente que deveria ser esterilizado e higienizado conforme hereditariedade. A figura do médico emerge como guia da política racial junto com exposições e dados sobre “degenerados” ultrapassando gradualmente o número de “puros” levando a crer na importância da preservação da cultura e da raça. O que se escondia por trás da ciência era uma proposta estética de sociedade. “Problemas estéticos” passam a ser problemas médicos, o médico é um “guerreiro biológico” á serviço da pureza do corpo. Quem melhor caracterizou as aspirações científicas nazistas foi um austríaco de ascendência judaica que emigrou depois da ascensão nazista, foi Karl Popper. Preocupado em como considerar científica uma teoria, Popper, em “A Lógica da Pesq. Cientifíca” elabora a condição básica de uma hipótese científica: ela precisa ser falseável. Toda ciência nazista era baseada em crenças, dogmas da superioridade ariana, crença não refutável, crença não falseável – o nazismo é, portanto pseudociência. Ironicamente, depois da derrocada do nazismo, descobriu-se que um dos maiores e mais conceituado livros de anatomia humana são de cádaveres de judeus dissecados e que o aparelho de ressonância magnética encontrava-se também em campos de concentração e várias outras contribuiçoes (sem falar de Menghelli e suas experiências no Brasil).

    URSS e democracias ocidentais capitalistas derrotaram o Eixo. Mais de 50 milhões de mortos, seis milhões só em campo de concentração. O Japão, último a assinar o tratado de rendição, recebeu a bomba atômica em Hiroxima e Nagasaki, ação fria e desnecessária, mas ainda coerente com a calculabilidade dos avanços científicos da época e as respectivas forças ideológicas. Após 1945 foi criada a ONU e iniciou-se a Guerra Fria, a corrida pelo espaço, o marcatismo, a espionagem. Em lados opostos as grandes potências lutando para garantir áreas de influências sob as suas respectivas ideologias, o capitalismo norte-americano e o socialismo/comunismo soviético. Luta que, no plano intelectual, reaparecem Marx e Popper.

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  26. O Comunismo em prática teve uma breve passagem de 40 dias na França, a Comuna de Paris em 1871, depois voltou com todas as forças no Século XX – URSS, China, Cuba, Coréia do Norte, Vietnã entre outros. Todos com a incrível fama de desastrosos, repressivos e “comedores de criancinhas”. Todos estes incrivelmente fora do escopo proposto por Marx. O comunismo deveria existir onde a contradição BurguêsXProletário fosse intensa, onde a resolução da luta de classes fosse inevitável, mas os países adeptos mal tinham começado a se industrializar. Marx errou e errou feio. Quando Marx sofreu influência de Hegel mudando ”O Ideal é o Real” para o “O Real é o Ideal” adquiriu a Dialética. Da Dialética e de Hegel, Marx infere que: “A contradição é a fonte de toda a vida. Só na medida em que encerra em si uma contradição é que uma coisa se move, tem vida e atividade. Só o choque entre o positivo e o negativo permite o processo de desenvolvimento e o eleva a uma fase mais elevada”. No ‘Manifesto’ ou no ‘Capital’ a contradição para Marx na sociedade está na condição material dos índivíduos e como essas mesmas contradições se perpetuam na história, patrícios e plebeus na Antiguidade, burgueses e proletários em seu tempo – é o Materialismo Histórico Dialético. Marx é, portanto determinista, a sociedade é explicada para ele a partir do antagonismo de grupos distintos. Max Weber apontou isso na “Ética Protestante e o Espiríto do Capitalismo”, é um elemento da “superestrutura”, o comportamento ético-religioso, que determinou a “estrutura”, a prática econômica e não o inverso. Popper vai desferir outro golpe sobre Marx. Além do determinismo, há em Marx historicismo. Ao perceber tendências na história, Marx pressupos um acontecimento no futuro, no momento em que o conflito iria se resolver, onde não existiria antagonismo. Para Popper em “A Miséria do Historicismo”, Marx fez uma previsão histórica, e previsões, assim como a psicanálise, são hipóteses não falseáveis, não dá para elas serem testadas – Marx, assim como Freud, não é ciência independente das pretensões do ”Prefácio”. Estranho, mas o próprio Popper diz que há momentos em que pseudociência acerta - Freud curou Anna B. e os países marxistas conseguem ter melhores índices de saúde e educação, por exemplo.

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  27. Popper não estava só apontando para a demarcação cientifíca. Seu livro, a “Sociedade Aberta e seus Inimigos”, aponta para o tipo de sociedade em que o conhecimento cientifíco possa se desenvolver melhor, onde o próprio conhecimento científico possa refutar o Estado. Querendo ou não, as democracias capitalistas foram mais flexíveis que as dogmáticas sociedades nazistas e comunistas. Nove de Novembro de 1989 cai-se o Muro de Berlin. "Mr. Gorbachev, tear down this wall!". Cinco anos mais tarde sepulta-se Popper.
    Primeiro decênio do Século XXI, a suposta Sociedade Aberta, sua ideologia como dogma e a impõe ao resto do mundo.

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  28. Tema 1 : “Características do conhecimento científico”

    Título: “Formação do conhecimento científico”

    Ao examinar o conceito de conhecimento científico, tem-se como base estabelecida o desenvolvimento por técnicas e observações, que racionaliza as experiências, sistematiza um conjunto de idéias (teorias) e não aceita a opinião ou qualquer tipo de envolvimento emocional como motivo para demonstrar a comprovação de uma afirmação. Além disso, a ciência é uma informação incerta e propícia a transformações, pois ela progride para um sistema de investigação que sugere alterações nas teorias já desenvolvidas para obter uma adequação que acompanhe o surgimento de acontecimentos novos. Pode-se dizer que esse tipo de conhecimento procura descobrir os fenômenos como são, ou seja, a ciência produz, expõe e explica os fatos a partir do senso comum.
    A meta principal de um cientista que busca o conhecimento científico seria tentar entender a realidade por meio de ações racionais, isto significa que ele procura obter um processo que o possibilite abranger um conhecimento originado em sistemas precisos e principalmente objetivos. Todos esses conceitos ajudariam a descobrir as relações naturais, podendo assim por meio do empirismo prever acontecimentos e ampliar a idéia de tecnologia. A experimentação se fundamenta na observação, na hipótese e na generalização, mas os cientistas não seguem propriamente esses instrumentos de pesquisa, pois selecionam os requisitos mais relevantes dentre as situações que o observador se depara. A observação e as hipóteses estão condicionadas em alguns momentos já que as circunstâncias orientam na eleição dos fatos e após o levantamento dos dados, reorganizam as idéias proporcionando uma interpretação que pode oferecer a solução para o problema apresentado. A formulação da hipótese nos processos científicos faz com que o cientista trabalhe para conseguir uma rigorosa elaboração de conceitos que passam por algumas verificações e são confirmados pelos fatos e autenticados por uma sociedade intelectual.
    Os métodos das ciências experimentais apresentam um ponto fundamental a ser discutido: a questão da elaboração de uma determinada hipótese por um cientista, já que designaria razões subjetivas para afirmar ou negar as suposições. A conclusão não é necessariamente obtida pela precisão dos fatos com a primeira indagação, pois é importante repetir as observações ou então realizar modificações nas eventualidades. Essa conclusão tem que ser considerada válida não só para uma situação específica, mas também para outras similares, em outras palavras, as premissas e a conclusão de um argumento estariam de certa forma generalizados a diversos ambientes. Esses procedimentos não resultam apenas do trabalho de um único cientista e sim de uma equipe de pesquisadores, pois é possível perceber que cada vez mais os projetos científicos são objeto desses grupos especializados (como universidades, revistas científicas, órgãos institucionais e até mesmo o Estado) que efetuam um julgamento para incentivar essas práticas e desse modo garantir a objetividade da ciência.

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  29. Abordando o tema da experimentação, pode-se dizer que ela é verificada através dos fenômenos em qualquer situação definida pelo cientista. Além de que a o processo com experimentos possibilita o teste, repetição, variação e simplificação das experiências, tornando o seguimento da investigação mais rígido. Ainda dentro dos instrumentos de pesquisa, tem a generalização, que descreve as supostas teorias (responsáveis por regular os acontecimentos) a serem adotadas e é desenvolvida após o sucesso da experimentação. Essa generalização empírica é importante para garantir a relação constante entre as leis naturais, permitindo o determinismo - os fenômenos do universo seriam impulsionados por ações de causa e efeito – e também a previsão de fatos que passariam a ser controlados pelos humanos.
    Assim como nos argumentos expostos acima, no texto: “O que é ciência?” de Paul Davies é possível conferir que no seu ponto de vista antes da ascensão da ciência já existiam algumas tecnologias, ou seja, instrumentos de pesquisa, que por sua vez não eram considerados métodos científicos. Isso porque o avanço dos estudos e a visão de definição de ciência foram sendo adaptados; o que antes era conceituado somente por conhecimentos intelectuais com tentativas e erros passou a ser entendido e considerado pelo emprego das técnicas em cima das hipóteses que devem ser comprovadas, principalmente após as contribuições de Descartes, Newton, dentre outros grandes pensadores. Para o autor a ciência teria passado por várias fases de renovações do pensamento precisando de tentativas e erros (que não foram repetidos) e também de comprovações na ciência para conquistar preponderância e assim evidenciar a importância desse conhecimento científico que mais tarde foi adaptado a outros campos de pesquisa, fazendo surgir diversas ciências particulares.
    Enraizado pelo conhecimento científico, os temas referentes ao comportamento humano após a extensão das ciências naturais tornaram-se métodos também, caracterizando a ciência humana, tal como: a sociologia, a história, a geografia, a astronomia, a antropologia, dentre outras. Porém apesar de terem surgido a partir dessa experimentação, esse tipo de ciência apresenta suas diversidades em relação à objetividade, já que a fonte dos estudos seria o próprio ser humano, sendo difícil manter distância da imparcialidade. Outra dificuldade encontrada é a experimentação, pois não é nada fácil de classificar os motivos que predispõe o comportamento humano. Além desses aspectos, tem: o caráter moral das experiências, que não pode oferecer riscos a vida humana em prol de pesquisas; o determinismo, em que não é possível fazer previsões exatas das condições humanas, apenas probabilidades baseados em dados estatísticos; e a matematização que nem sempre possibilita quantificar alguns fatos.

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  30. Ainda dentro da ciência humana, tomando como exemplo o pensamento de Durkheim que quando desenvolveu as práticas sociológicas, recomendava que os fatos sociais fossem estudados como coisas, isto é, como algo com existência própria, objetiva e que atua de forma coercitiva sobre os indivíduos. O conhecimento sociológico cria instrumentos teóricos que levam a reflexão sobre os problemas da sociedade e que contribuam para que os indivíduos estabeleçam relações entre sua prática social e a sociedade mais ampla capacitando-os para atuar como agentes ativos modificados. A principal diferença entre o conhecimento científico e a ciência humana seria, portanto o modo com que cada um é interpretado: por leis e número no caráter científico e por uma compreensão qualitativa na visão humana.
    Várias pesquisas questionaram os valores da ciência, um exemplo a citar seria o caso das teorias dos cientistas: Lobatchevki e Riemann sobre a geometria que mais tarde foram desmentidas por uma nova perspectiva em relação à geometria plana de Euclides. A maioria das experimentações realizadas durante longos períodos da história serviram para afirmar a especialidade temporária do conhecimento científico e das previsões científicas, em que a síntese continua tendo base em suposições que necessitam de aceitação intelectual e confirmação teórica, além de existir o aperfeiçoamento e a modificação dessas hipóteses com o tempo. Esses fatos remetem ao ser humano repensar sobre a confiança do cientificismo na capacidade racional das circunstâncias; é preciso então a breve reavaliação do conceito do conhecimento científico, assim como a ligação entre o cenário real e as condições dos modelos oferecidos pela ciência. É possível que esse conhecimento científico tenha que se desenvolver ao passo que exista a superação dessas crises que cobram uma postura mais tranqüila dos cientistas para que consigam rever seus próprios conceitos e reformular suas certezas.

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  31. O conhecimento científico tem grande importância dentro do progresso das idéias de formação e status social, por esclarecer as dúvidas fundamentais no que dizem respeito ao senso comum e também por fazer uma análise entre esse senso comum e o conhecimento científico, que por sua vez é descoberto por outros conhecimentos já existentes para a finalidade de solucionar empecilhos anteriormente surgidos e construir uma argumentação objetiva para deixar clara a ideologia humana pela racionalidade e objetividade. A diferença entre esses dois pontos principais é que enquanto o senso comum busca conservar as tradições, a ciência se preocupa em revelar a verdade dos fatos por meio da razão, não sendo, portanto fragmentado e nem apegado ao conservadorismo das crenças. Em resumo, esse ramo da ciência provém da constante investigação científica e surge também para expor explicações que possam de alguma maneira ser testadas e avaliadas por propostas empíricas, portanto pode-se dizer que é um conjunto de sistemas adotados pelo observador que de forma crítica produz o conhecimento científico, que nada mais é do que a suposição de hipóteses bem fundamentadas e estruturadas em sua teoria avaliadas pela sociedade intelectual científica.
    Para finalizar, o conhecimento científico vem transformando o modo do pensar e agir da sociedade, deixando crenças supersticiosas por conter um processo focado em produzir valores sistematizados que possibilitem a previsão do acontecimento e que os cientistas possam agir com mais segurança. O conhecimento pessoal, isto é as dúvidas metodológicas não podem compreender tudo e por isso recorrem ao conhecimento científico que não costuma falhar na transmissão de uma idéia mais complexa, já que a aproximação científica a elementos naturais normalmente ocorre por meio experimentais determinados por ramos específicos da ciência. Acredito que o ser humano precisa de um conjunto de conhecimentos para saber a dos acontecimentos da realidade e para garantir uma evolução no pensamento humano é preciso dar mais espaço para os cientistas, observadores ou pesquisadores que buscam obter respostas para os problemas epistemológicos impostos pelo mundo testem suas hipóteses acrescentando-as nas diretrizes do saber.

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  37. Tema 5: A especificidade da ciência social
    Émile Durkheim (1858 – 1917), judeu, nasceu na região de Alsásia, na cidade de Épinal, na França. Em 1887, foi nomeado Professor de Pedagogia e Ciências Sociais em Bordeaux, onde ministrou o primeiro curso de Sociologia criado em uma universidade francesa. Por muitos intitulado o pai da sociologia, buscou ao decorrer de sua carreira o desenvolvimento da sociologia como ciência empírica e objetiva.
    Para o desenvolvimento do texto irei utilizar algumas de suas obras: As Regras do Método Sociológico, 1895; Educação e Sociologia, 1922, obra postuma.
    A obra de Durkheim reflete os problemas da sociedade em que vive. O período em que Durkheim viveu na França, foi muito instável, ocorrendo a Guerra Franco-Prussiana, onde a maior parte do território de Alsásia-Lorena foi anexada pela Prússia. E a Comuna de Paris, evidencia a crise social e econômica que passava a França, marcada pela intensificação dos conflitos sociais. Mas se de um lado existia um sentimento coletivo de fracasso, devido à guerra, uma luta entre grupos na sociedade, do outro lado, existia um entusiasmo pelo progresso técnico-científico em diversas áreas.
    Todos esses fatos influenciaram Durkheim, na sua visão de que pelo racionalismo científico se poderia chegar a uma solução. Como demonstra no prefácio da primeira edição de As Regras do Método Sociológico:
    “Nosso principal objetivo, com efeito, é estender à conduta humana o racionalismo científico, mostrando que, considerada no passado, ela é redutível a relações de causa e efeito que uma operação não menos racional pode transformar a seguir em regras de ação para o futuro. O que chamamos nosso positivismo não é senão uma consequência desse racionalismo.”
    Durkheim reconhece a influência de Augusto Comte, em seu trabalho, na tentativa de descobrir as leis naturais que regem as sociedades e de se utilizar dos mesmos métodos das ciências exatas. Como diz, no ensaio sobre Montesquieu e Rousseau: “A ciência social não poderia realmente progredir mais senão se houvesse estabelecido que as leis das sociedades não são diferentes das leis que regem o resto da natureza e que o método que serve para descobri-las não é outro senão o método das outras ciências. Esta seria a contribuição de Augusto Comte à ciência social”.
    Mas em sua visão, ele seria uma evolução ao positivismo de Comte, pois seu método seria objetivo. Por isso faz uma crítica às doutrinas de Comte e de Spencer. “Mas esses grandes pensadores deram muito mais sua fórmula teórica do que o puseram em prática. Para que ela não permanecesse letra morta, não bastava promulgá-la; era preciso torná-la a base de toda uma disciplina que se apoderasse do cientista no momento em que ele abordasse o objeto de suas pesquisas e que o acompanhasse em todos os seus passos. Foi a instituir essa disciplina que nos dedicamos.”
    Assim Durkheim lança essa nova disciplina, a sua sociologia, que deveria ser uma ciência autônoma, que deveria por meio da ciência analisar a sociedade, com racionalidade. Produzindo conhecimento para que fosse possível esclarecer quais intervenções seriam necessárias à sociedade.
    Toda ciência tem o seu objeto de estudo para Durkheim, o objeto de estudo da sociologia deveria ser o fato social. Este fenômeno específico, que acontece na sociedade, se distingue por características definidas daqueles que as outras ciências têm por objeto. Para ele o cientista teria a função de identificar os fatos sociais em suas manifestações coletivas Assim o autor busca explicar o que é um fato social no primeiro capítulo do livro As Regras do Método Sociológico:
    “Quando desempenho minha tarefa de irmão, de marido ou de cidadão, quando executo os compromissos que assumi, eu cumpro deveres que estão definidos fora de mim e de meus atos, no direito e nos costumes.”
    Por meio desse trecho percebe-se como o fato social consiste em fenômenos desde simples até mais complexos no interior da sociedade. Émile Durkheim identifica o fato social com três características; a exterioridade, a coercitividade e a generalidade.

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  38. A primeira característica diz respeito aos fatos existirem fora da consciência individual, e atuam sobre o individuo independente de sua vontade ou de sua concordância de maneira racional.
    A segunda característica é a coerção social, a força que os fatos sociais exercem sobre os indivíduos, fazendo com que os indivíduos de uma sociedade cumpram as regras da sociedade em que vivem, como mostra o autor neste trecho: “ Não sou obrigado a falar francês com meus compatriotas, nem a empregar as moedas legais; mas é impossível agir de outro modo.”
    A terceira característica se refere a generalidade, que diz respeito a difusão dos sistemas de crenças, condutas e práticas do grupo social. “ O que esse fato exprime é um certo estado da alma coletiva... Esse fenômeno é um estado do grupo, que se repete nos indivíduos porque se impõe a eles.”
    Dessas características surge a definição do autor para o que é um fato social: “ É fato social toda maneira de fazer, fixada ou não, suscetível de exercer sobre o indivíduo uma coerção exterior; ou ainda, toda maneira de fazer que é geral na extensão de uma sociedade dada e, ao mesmo tempo, possui uma existência própria, independente de suas manifestações individuais.”
    Para Durkheim o homem é constituído de duas consciências uma individual e outra coletiva. A sociedade cria no indivíduo o ser social, sua consciência coletiva. “O conjunto das crenças e dos sentimentos comuns à média dos membros de uma mesma sociedade forma um sistema determinado que tem sua vida própria; poderemos chamá-lo: consciência coletiva ou comum. Sem dúvida, ela não tem por substrato um órgão único; é por definição, difusa em toda extensão da sociedade.”
    Que é um sistema de idéias, sentimentos e hábitos, que exprimem em nós, não a nossa individualidade, mas o grupo ou os grupos diferentes de que fazemos parte; tais são as crenças religiosas e as práticas morais, as tradições nacionais ou profissionais, as opiniões coletivas de toda espécie.

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  39. A educação é um fato social. A importância da educação para Durkheim está diretamente relacionada com a constituição do ser coletivo. A educação é um dever do Estado, ele deve fiscalizar e zela pela divulgação da “moral democrática”. A sociedade cria no indivíduo um novo ser, e é por meio da educação que ele recebe essas instruções, por isso é que o autor se preocupa tanto com a educação, ela dá ao homem uma sustentação para a noção de pertencimento a sociedade em que vive.
    Como ele próprio define educação em Educação e Sociologia: “A educação é a ação exercida, pelas gerações adultas, sobre as gerações que não se encontram ainda preparadas para a vida social; tem por objeto suscitar e desenvolver, na criança, certo número de estados físicos, intelectuais e morais, reclamados pela sociedade política, no seu conjunto, e pelo meio especial a que a criança, particularmente, se destine.”
    Ou seja, para Durkheim o comportamento dos indivíduos é determinado pela sociedade e a educação é o fator principal na conformação do indivíduo aos padrões morais e sociais de uma sociedade.
    Durkheim faz uma metodologia própria para a sociologia, após definir o objeto de estudo, o fato social, define as regras desse método. Busca uma ciência objetiva, totalmente independente das demais ciências.
    Assim o método de Durkheim apresenta algumas características como: de ser independente, como mostra o autor: “Ele é independente de toda filosofia... Tudo o que ela pede que lhe concedam é que o princípio de causalidade se aplique a fenômenos sociais... A sociologia, portanto, não é o anexo de nenhuma outra ciência; ela própria é uma ciência distinta e autônoma, e o sentimento da especificidade da realidade social é inclusive tão necessário ao sociólogo, que somente uma cultura especificamente sociológica é capaz de prepará-lo para a compreensão dos fatos sociais”.

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  40. Outra característica é que “os fatos sociais devem ser tratados como coisas”, o sociólogo deve se livrar de pré-julgamentos ou pré-noções. “O sociólogo deveria afastar as noções antecipadas que possuí dos fatos, a fim de colocar-se diante dos fatos mesmos; como deveria atingi-los por seus caracteres mais objetivos”. Esta neutralidade de julgamento foi muito criticada, pois eliminar juízo de valor é algo muito difícil.
    E a última característica é que os fatos sociais devem ser explicados por outro fato social, sem perder a especificidade, ou seja, um método comparativo, como fez em sua obra , O Suicídio, onde procurou por meio de comparações de taxas de suicídio em uma determinada sociedade, com taxas de outras sociedades, relacionando com as taxas de homicídio, e cruzando com os dados sobre o período do tempo, seja dia, mês ou ano, buscando correspondências, entre o suicídio e a profissão, religião e estado civil. Assim chega aos três tipos de suicídio: o egoísta, o altruísta e o anômico. E busca uma explicação social para o aumento deste fenômeno.
    Como conclusão, penso que a contribuição de Durkheim para a ciência social foi importante e muito abrangente. Particularmente o considero o fundador da sociologia, no seu tempo, a ciência social era a ciência da “moda”, havia muitos autores e ele consegue definir um método e dar uma especificidade a ciência social, representou uma evolução ao espírito positivista proposto por Comte, consegue consolidar a sociologia como disciplina e ciência independente. Procurou resolver os conflitos sociais que passava a França, por tentar levar a sociedade há uma evolução, mantendo o sistema capitalista foi criticado por diversos autores comunistas, mas suas idéias influenciaram diversos autores, que avançaram com o estudo da sociologia.

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  44. Tema escolhido: Tema 3 – Ciência e Ideologia/ Marxismo
    Pretendo, para este tema, discorrer sobre as idéias presentes na corrente marxista original e a partir disso concluir, sob minhas impressões pessoais, como o marxismo articula a teoria embasada na ideologia (e na ciência).

    A articulação ideológica da sociedade marxista.
    O Marxismo, ou socialismo científico, é um conjunto de concepções idealizadas e embasadas por Marx e Engels. Os pensadores tratam das relações humanas na sociedade e como estas se relacionam à ciência, formando o conceito de ideologia, que para Marx, é o conjunto de idéias que refletem o interesse da classe social em questão. Tal teoria se comprometia a não só interpretar as relações da sociedade, mas a modificá-las e para isso, devia unir o pensamento (teoria) à prática.
    A teoria marxista foi difundida por todo o mundo e amplamente utilizada ao longo da história por líderes políticos buscando uma base que explicasse e fortalecesse suas crenças e ideologias. Em cada parte do globo, o marxismo inspirou vertentes que se desdobraram de acordo com o contexto do local em que foram implantadas. Destas, pode-se destacar o marxismo-leninismo (União Soviética) e o maoísmo (China), entre outras.
    Lênin, por exemplo, com base na teoria do imperialismo, explica a exploração proveniente do capitalismo e, dessa forma, a necessidade de seguir os fundamentos marxistas. Tal direção marxista é que determina a tomada do poder e sua manutenção por meio da defesa do papel proletário na luta social e instauração do socialismo.
    Outro exemplo é Mao Tsé-Tung que, na China, adaptou o marxismo às suas concepções próprias e, deu aos camponeses o papel fundamental de iniciar a revolução que culminaria na instalação do socialismo. Tal revolução se iniciaria no campo e posteriormente tomaria as cidades. O resultado disso seria o fim das diferenças entre cidade e campo. Além disso, após a Segunda Guerra Mundial, o marxismo influenciou fortemente os países de “Terceiro Mundo”, especialmente nos exércitos e movimentos de libertação nacional.
    A teoria do marxismo, em uma análise superficial, afirma a existência de duas classes sociais: exploradores (burgueses) e explorados (proletários), surgidas com o início do capitalismo, sendo que as diferenças entre elas tendem a se aprofundar à medida que o capitalismo se fortalece, aumentando os conflitos, a exploração da classe proletária e o enriquecimento da burguesa. A única solução possível para o fim das classes seria a dissolução do sistema capitalista e a instauração de um socialismo, em primeira instância e posteriormente o comunismo propriamente dito. Assim, desapareceriam as classes sociais e os conflitos delas derivados.
    Analisando mais vastamente, Marx explica que provavelmente, no início da formação da sociedade, as relações eram harmoniosas, pois se baseavam em um modo de produção colaborativa, ou seja, produção comunitária, na qual não havia a perspectiva do lucro. O que era produzido era igualmente distribuído entre os indivíduos. Entretanto, a partir de certo momento surge o conceito de propriedade privada, o que desarmoniza as relações, já que um indivíduo passa a ser proprietário enquanto outros não conseguem o mesmo. A partir daí, surgem as relações de trabalho, sendo que o proprietário passa a ter empregados (os não proprietários) e disso derivam as classes sociais: os que tem posses exploram e os que não as tem, são explorados. Tem-se então a origem das classes sociais na estruturação do capitalismo e este, por sua vez, origina-se a partir da criação da perspectiva de propriedade privada em detrimento do bem comum.

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  45. Com as classes sociais formadas, o próximo passo é o fortalecimento dos que exploram (burgueses) à medida que os explorados (proletários) se submetem ao poder supressor. A classe dominadora torna-se então detentora do capital, dos meios de produção e passa a controlar, de certa forma, o intelecto e a ciência. Esta última, é a base da “verdade” para a sociedade, então, dominá-la é indispensável para a classe no poder, já que fatos científicos seriam dados como confiáveis e incontestáveis. Tais artifícios garantiriam em parte a supremacia burguesa no poder, entretanto, segundo Marx e Engels, todo o percurso desde a criação da propriedade privada, do capitalismo e das classes não é passivo. A articulação da sociedade dessa forma gera conflitos, gera luta entre as classes e a forma de controlar amplamente o proletariado é a criação do Estado. Assim, a classe detentora do poder cria o Estado com finalidade de consolidar este mesmo poder (e se manter nele) e reprimir os dominados, sendo tal Estado, portanto, na visão dos autores, basicamente um instrumento de dominação.
    Retornando à questão dos instrumentos de legitimação do poder burguês, além do Estado, nos deparamos com a questão da ciência como reflexo dos interesses dos exploradores. Essa questão é fundamental para entender o conceito de ideologia empregado por Marx e, para tanto, se faz necessária a definição de algumas outras idéias presentes no marxismo para depois retornar à tese da ideologia.
    Partindo então para os demais pontos da teoria de Marx e Engels, podemos analisar o pensamento econômico do marxismo. Tanto na obra “Fundamentos da Crítica da Economia Política” quanto na “O Capital”, pode-se observar que o autor trata do materialismo e busca explicar o modo de produção capitalista que se apóia na exploração e na mais-valia como meios de acumulação de capital. Irei então, nos próximos momentos, discorrer sobre tais conceitos.
    O materialismo é de certa forma uma filosofia, a qual nega a existência de divindades e da alma, considerando, então, a matéria terrena como a única real. Tal filosofia é dividida em duas: o materialismo histórico e materialismo dialético. O Primeiro deles afirma que a “infraestrutura” (contexto socioeconômico) determina o modo como a “superestrutura” (cultura, modo de pensar) se configura, ou seja, ao afirmar isso, Marx quis dizer que o modo de pensar do indivíduo é condicionado pelo lugar que ele ocupa no processo de produção. Dessa forma, proletários pensam de modo a querer alterar a sociedade em que vivem, porque são explorados; já os burgueses articulam seus pensamentos de modo a manter o poder e o modelo de dominação. É aí que se insere o conceito de que a ciência reflete interesses das camadas privilegiadas, uma vez que estas necessitam de mecanismos de manutenção do poder. Assim, a ciência é uma ideologia.
    A segunda base materialista, o materialismo dialético, é “a ideologia proletária organizada em ideologia dominante”, como descreveu Lênin. Isso quer dizer que, nessa modalidade, os homens são tidos como capazes de promoverem a mudança (e até uma revolução), combatendo o idealismo, considerado filosofia burguesa. Assim, apesar de afirmar que existe uma ciência que doutrina as classes “inferiores”, estas seriam capazes de refletirem por si próprios e vencerem tal doutrinação e dominação.

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  46. Dando continuidade ao pensamento marxista, Marx fez uma análise de como o capitalismo se articula e como isso constitui o mecanismo de exploração. Ele descreveu os proletários como detentores da força de trabalho e isto era o único bem que eles possuíam. Os burgueses eram os donos dos meios de produção e, portanto, precisavam da força trabalhadora para produzir. Assim, os burgueses pagavam pelo trabalho proletário, que acabava se tornando apenas uma mercadoria dependente das leis de mercado (procura de emprego, desemprego em si, salários baixos etc.). Para desenvolver esse conceito, Marx criou o nome de “mais-valia”, ou seja, esta exprimia a diferença entre o valor real gerado pela produção de um operário e o valor pago a ele como salário, sendo que geralmente, o operário produz muito mais lucro do que ele realmente recebe e esse excedente é absorvido pelo proprietário.
    Pensando dessa forma, para o empregador, era extremamente rentável ter empregados trabalhando muitas horas (produzindo) e pagar salários miseráveis a eles, já que, dessa forma, a produção era grande, gerando um lucro exorbitante, do qual, a maior parte ficava para o proprietário, já que os gastos com salário eram baixos. Sendo assim, a taxa da mais valia mede o grau de exploração a que o trabalhador está submetido, sabendo-se o explorador tende naturalmente a desejar sempre o aumento da taxa da mais valia, o que propicia o acúmulo de capital.
    Nesse âmbito insere-se o conceito de alienação que prega que o operário é explorado a tal ponto que o trabalho não é mais apenas seu modo de subsistência, mas torna-o escravo, despindo-o de suas liberdades, vontades e felicidades. O empregado passa a ser nada mais que uma máquina devotada ao trabalho, não por vontade, mas por necessidade. Dessa forma, o trabalho alienado aliena o homem. Surge aqui a questão: Mas por que o homem não vai contra isso? Por que ele não vê a que está sendo submetido? A resposta para isso consiste, mais uma vez, na ideologia. Os burgueses, a partir da formulação da ideologia dominante, tentam disfarçar os maus causados e, além disso, tentam de certo modo convencer os indivíduos a se conformarem com a conjuntura existente.
    Qual seria então a solução que daria fim a toda a exploração que impulsiona a economia capitalista? Segundo a teoria marxista, a solução deve partir do proletariado, que deveria se empenhar em pensar além da alienação e da ideologia burguesa e dar início a uma revolução que culminasse na instauração da ditadura do proletariado. Essa etapa inicial acabaria por ser seguida pelo socialismo e posteriormente pela extinção das classes sociais e, consequentemente, extinção do aparelho de Estado em si. Só assim as relações entre indivíduos seriam harmoniosas novamente.
    Após pesquisar vastamente sobre o tema e começar a entender, de fato, como se articulava o pensamento marxista, posso exprimir minhas impressões sobre o assunto. Percebi que para Marx e Engels o conceito de ideologia está intimamente ligado ao de ciência e ambos em conjunto são a base para toda a teoria que idealizaram. Ao dizer que a ciência é controlada pelas classes que detêm o poder, isso é rebatido diretamente ao que eles chamam de ideologia, já que esta é para eles decorrente da posição ocupada pelo indivíduo no processo de produção e esta age mascarando a realidade. Aí está claramente a relação: ciência é ideologia. E isso, a meu ver, não é um conceito ultrapassado, é altamente presente na contemporaneidade, já que toda a história, do modo que conhecemos, é escrita a partir da visão do vencedor, do dominador, é difícil achar alguma análise da história que parta da visão dos que sucumbiram.

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  47. Quem conhece a versão dos perdedores da história? Ninguém além deles mesmos. Quem conhece o “podre” dos vencedores? Ninguém, eles escondem. Vemos aí então a base de toda a teoria de Marx e Engels fortemente presente nos dias atuais, já que os vencedores controlam, de certa forma, a fonte de “verdade” apresentada à população e o acesso a essa verdade é muito superficial.
    Voltando à ciência, o marxismo a via como decorrente dos interesses dos dominadores e é exatamente isso que acontece, ainda nos dias de hoje. Se refletirmos sobre isso, podemos perceber que a ciência é voltada, basicamente, para os assuntos que vão, de alguma forma, gerar lucros para quem está no poder. Os investimentos feitos na ciência farmacêutica, por exemplo, existem na direção de descobrir medicamentos que vão gerar mais lucro, não para ajudar a maior quantidade de pessoas possível. O mesmo se vê em diversos âmbitos da ciência.
    A partir da percepção de que a ciência é, de fato, detida por quem está no poder, passo para outro aspecto do marxismo: quem detém o poder. Para Marx e Engels, os burgueses eram a máxima expressão do poder e, assim, havia uma polarização: “burgueses x proletários”. Isso, a meu ver, não existe dessa forma (hoje em dia, pelo menos), não há uma delineação exata para quem explora ou é explorado, a sociedade atual existe de forma que todos exploram e são explorados em algum aspecto da vida. Acredito eu, entretanto, que isso acaba por desarticular boa parte da teoria marxista, porque, pelo menos a meu ver, a força dessa teoria está justamente em polarizar a sociedade para, a partir daí, incitar os mais explorados, no caso, os proletários, a iniciar uma ação revolucionária, tomar o poder e impulsionar a implantação do socialismo.
    Concluo então aceitando o proposto marxista de que a ideologia dominante acaba por se tornar ideologia universal, mascarando certos aspectos da realidade, permitindo então que a maioria explorada se submeta à valores impostos e cito ainda um trecho escrito por Marilena Chauí sobre o assunto: “...a ideologia é uma ilusão, necessária à dominação de classe[...]”. Entretanto, ao mesmo tempo que aceito a ideologia da forma proposta, recuso a divisão feita por Marx, que considera apenas duas classes sociais, explorados e exploradores, como o que compõe a sociedade.

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  48. TEMA 4: CIÊNCIA SOCIAL E A VERDADE

    VERDADE E A FILOSOFIA
    Apesar da problemática questão relacionada a verdade já ter aparecido desde os primórdios - do início das religiões e até mesmo nos primórdios da filosofia no período da Grécia antiga com seus grandes pensadores, principalmente Platão com o seu ‘Mito da Caverna’- um momento bastante importante para a discussão e procura da verdade teve início na primeira metade do século XVII, período renascentista – com o antropocentrismo muito forte- que valorizava a tentativa de releitura das explicações com base na razão humana. O pensador dessa época que reiniciou essa discussão foi o francês René Descartes (1596 – 1650) tendo, posteriormente, o inglês John Locke (1632-1704) e o alemão Immanuel Kant (1721-1804) complementando, inovando ou criticando as teses cartesianas.
    Uma das principais obras de René Descartes é “Meditações Metafísicas” (1641) que fundamenta as bases para o que viria a ser a filosofia cartesiana. Nessa obra, durante suas meditações, ele começa a usar o princípio da dúvida hiperbólica que consiste em colocar tudo o que for possível em dúvida, todas as nossas convicções, verdades; pois muitas das coisas que temos como verdade são falsas opiniões e então é necessário essa maturidade intelectual para podermos iniciar o caminho à(s) verdade(s). Ele diz que não é necessário duvidar de tudo de fato, somente questionando os alicerces estariamos colocando sob crítica os pricípios do conhecimento. Em certo momemento começa a afirmar que é preciso duvidar radicalmente- inclusive dos sentidos (uma vez que já nos enganaram)- para fundamentarmos algo verdadeiro.
    Descartes também usa o argumento do sonho; já que não existem critérios precisos para distinguir o estado de vígilia do sono, o sonho retorna imagens sensíveis, então não podemos saber quando estamos sonhando ou quando estamos acordados. Após isso ele afirma que por não depender dos sentidos(enganosos), a matemática parece mais segura que as ciências naturais – idéia central para o Racionalismo. Descartes continua nesse processo de dúvida até encontrar um ponto seguro, algo que não tem como negar, uma verdade de fato.
    Em certo momento de seus estudos, Descartes discute a existência de Deus que para ele é um ser soberanamente bom, e se assim é, ele não faria com que nos enganassemos, porém nós somos enganados em algumas situações, o que faz com que Descartes, nesse momento, aceite ser plausível a idéia de um Deus enganador, um ser supremo que nos faz errar, que muitas vezes nos induz ao erro, um ser que ele denominou como um gênio maligno. Mas, mesmo que esse gênio maligno exista e sempre o induza ao erro, o fato de Descartes conseguir pensar nisso contrária esse gênio o que o faz acreditar que é um ser pensante, e enquanto pensa ele consegue afirmar que existe, com isso consegue atingir uma das suas primeiras verdades irrefutáveis, ou seja, “Penso, logo existo”.
    Com essas idéias centrais, Descartes conseguiu trazer a tona o debate importante entre Racionalistas e Empiristas que viam o caminho para atingir a verdade de diferentes formas.

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  49. (PARTE 2)
    John Locke, além de duas obras de cunho político, teve também uma enorme importância como filosofo, e no caso de sua obra “Ensaio Sobre o Entendimento Humano” ele dá uma enorme contribuição ao estudo do conhecimento verdadeiro, mas um estudo completamente contrário aos racionalistas, como Descartes, pois ele nega completamente a existência de idéias inatas usando alguns bons argumentos. Ele diz que se existissem essas tais idéias que já nascem com todos não haveria explicação para a existência de nossos sentidos, ou seja, eles existiriam em vão. Outro aspecto que ele argumenta é que se as idéias universais existissem não existiria o desconhecimento de certos assuntos, mas sim aquelas idéias que todos conheceriam, porém para ele isso não existe, e usa como exemplo os loucos e as crianças que, mesmo em coisas banais, podem não conhecer essas coisas, e só a existência desses já é necessário para negar a idéia universal. Alguns racionalistas sobre esse aspecto podem dizer que os loucos e as crianças possuem aqueles conhecimentos mas não sabem, Locke diz que isso não faria sentido, pois não existe conhecimento inconsciente. Ainda argumentando sobre a inexistência das idéias inatas, Locke comenta sobre a moralidade, que para muitos é considerado algo comum a todos, algo natural. Mas se a moralidade é uma idéia inata então porque é tão facilmente violada? E porque, então, existem tribunais para julgar esses delitos?
    Depois de argumentar diversos fatos sobre a impossibilidade da existência de idéias inatas, Locke afirma que a única forma de conhecimento real das coisas é pelo sentidos, ou seja, pela experiência que temos; o conhecimento, então, é algo individual (bases empiristas). Para Locke, nós nascemos com uma folha em branco na cabeça e ao longo de nossas experiências nós vamos escrevendo o nosso conhecimento. Os humanos, então, nascem como uma Tábula Rasa.
    Já Immanuel Kant foi importantíssimo para o advento da filosofia comtemporânea, e quando fez seus estudos sobre o conhecimento humano demonstrou que haviam enganos cometidos tanto com o racionalistas como para os empiristas. Os racionalistas afirmavam que existiam as idéias inatas, mas se elas existiam porque mudavam ao longo do tempo? As idéias inatas são verdadeiras, mas se elas mudam não podem ser verdadeiras, então, para Kant, não existem as idéias inatas, não são as idéias que são inatas, mas sim a razão. Já no caso dos empiristas, que afirmavam que o conhecimento verdadeiro se dá somente pela experiência, Kant argumenta dizendo que é impossível idéias subjetivas e individuais poderem ser consideradas verdadeiras. Porém, o grande engando dos Empiristas e Racionalistas é dizer ser possível conhecer a realidade em si mesma, o que para Kant é impossível.

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  51. (parte 3)


    A grande inovação que Kant faz em sua obra “Crítica da Razão Pura” quando demonstra os erros cometidos pelos Racionalistas e Empiristas está no momento que ele faz uma “inversão copernicana”, pois ele muda o foco do conhecimento que antes tinham o objeto como centro, mas, para Kant, era o sujeito que deveria ficar no centro, pois não existe a possibilidade de conhecer o objeto em si mesmo mas é o conhecimento de cada um que transforma. Kant afirma que o conhecimento humano parte da experiência, ou seja, é a sensibilidade que nos faz entreter com o objeto, mas esse objeto aparece de forma totalmente bruta e desorganizada, e cabe à nossa razão organiza-lo para atingirmos o conhecimento, ou seja, o conhecimento inicia com a experiência mas necessita da razão (algo de dentro do homem)e é a junção dessas duas formas que vai gerar o conhecimento. Porém, é impossível conhecermos o objeto em si, Kant diz que conhecemos somento os fenômenos, pois a partir do momento em que observamos e conhecemos algo, já o transformamos com a nossa razão, fazendo com que tudo que conhecemos sejam os fenômenos e não os objetos em si.
    É possível perceber nesse momento filosófico que o termo “verdade” teve muita importância e foi analizado por grandes pensadores qe se criticavam e se complementavam mas não conseguiram chegar em uma conclusão comum, cada um desses ainda possuem seguidores e escolas com suas bases, mas o termo “verdade” nos estudos filosóficos também continua subjetivo.

    VERDADE E A CIÊNCIA SOCIAL

    Durante o período moderno a grande parte das discussões eram em como especular sobre a sabedoria de Deus, como dito anteriormente naquele momento filosófico. Essas discussões acabaram por formar os já mencionados Racionalismo – consiste que o caminho da razão é a matemática, ou seja, é alcançado somente pensando – e o Empirismo – defendendo que é a experiência a fonte do saber, ou seja, que não se deve “afastar” muito do mundo. Essas duas formas de pensar acabaram influenciando outras duas posteriores mais ligadas as ciências sociais, que eram o Positivismo, que de forma geral incistia na idéia de que é possível resolver os problemas sociais fragmentando-os e os resolvendo (ainda muito preso à razão), a outra forma era o Idealismo, que vai avançar na direção da procura do problema entre o Racionalismo e o Empirismo que, para os idealistas, é preciso examinar os grandes sistemas, a natureza como um todo, ou seja, é tentar entender dentro dele, pensa-la como um pensamento humano; as respostas fragmentadas não permitem o grande resultado. É acompanhando as teses idealistas que vai aparecer a palavra Ideologia.
    Um dos principais pensadores idealistas foi o filosofo alemão Georg Wihelm Friedrich Hegel (1770-1831) que influenciou bastante, de início, o importante pensador alemão para as ciências sociais e economia Karl Heinrich Marx (1818-1883). Uma das grandes teorias hegelianas é aquele que “O ideal é o real”, ou seja, é a lógica que é importante, tudo o que passa na mente absoluta é a realidade; apesar dessa ser um lei distante ela é necessária. A discussão no entendimento desse teoria durante o século XIX levou Marx a mudar a ênfase dela, tornando-a assim: “O real é o ideal”, ou seja, a realidade que cria o pensamento, não é a lógica que é importante mas sim a história. O mais importante é sermos capazes de entendermos o processo da história. Se é o real que explica o ideal, todas as nossas perguntas na ciência precisam ser examinadas como algo real, e assim entendem a ciência como uma grande teoria a respeito da humanidade. A realidade também possue exigências para se impor ao ideal, e tudo que é humano tem haver com relações de indíviduos, e Marx atinge a base de seus estudos quando percebe que existe uma forte relação de indíviduos nas sociedades e essa é a relação de produção.

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  52. (PARTE 4)

    O Marxismo é uma forma de entender o mundo muito importante nas ciências sociais e ainda existe com bastante força, tendo a sua base na relação de produção. Para Marx todos os indivíduos, em todas as sociedades, se relacionam, pelo menos, quando se trata da produção, pois isso é inevitável. Depois disso começa a aparecer o problema da propriedade, que uma maneira de resolver seria havendo a propriedade comunitária, porém, fomos caminhando para cada vez maiores instituições de propriedade privada fazendo com que o conceito de riqueza fosse mudando muito, consequentemente mudando a forma de produção, como no fim da Idade Média que foram surgindo os sistemas, mais precisamente o sistema Capitalista.
    O sistema Capitalista que começou a emergir no fim da Idade Média e é vigente nos tempos atuais possue grandes relações de produção (riqueza) e está totalmente ligado as propriedades privadas dos meios de produção, vão ser os modos de produção que vão determinar todas as outras relações. No caso Capitalista são divididas por classes, os exploradores – detentores do lucro e dos meios de produção – de um lado e os explorados – detentores da força de trabalho – do outro. Nesse esquema alguém é remunerado sem precisar trabalhar (caso dos capitalistas) equanto os proletários trabalham mais para susntentá-los; as demais relações vão se refletir disso.
    Nesse contexto marxista todos possuem um conjunto de idéias relacionadas com o interesse de cada um, e isso se reflete pelo lado que estamos (explorador ou explorado). Nossa ideologia é determinada pela nossa posição no processo de produção.
    A teoria marxista, assim como viria a ser a teoria positivista de Augusto Comte, faz um esforço para tentar resolver todos os problemas da sociedade, ou seja, todas as relações socias em base desse sistema complexo. Esses grandes sistemas queriam resultar em grandes mudanças, esses eram, então, grandes sistemas de interpretação socias que se apresentaram como ciência.
    A ciência para o marxismo está relacionada com a ideologia (conjunto de idéias, crenças, teorias que refletem nas classes sociais), são arranjos feitos na sociedade de forma que as forças da sociedade são divididas em grupos tendo relações dependendo do que fazem ou produzem. Aquilo que pensamos depende da classe social que estamos, o fato de pertencermos às relações de produção determina a forma que pensamos. Enquanto não existe a propriedade não existe uma sociedade desigual e sim uma sociedade socializada onde tudo é de todos, a partir do momento que aparecem pelos menos duas cabeças tendo uma que quer algo e a outra que o possue, as relações começam a se tornar mais complexas, o que torna as relações economicas conflitantes e para acabar é preciso terminar com a produção Capitalista.
    Essas idéias expressam uma visão do mundo, ou seja, é um ciência, que nessa ocasião existe a burguesa e a proletaria. Para o marxismo não há possibilidade de dizer que existe uma ciência não ideológica pois tudo vai se relacionar com a classe social, a ciência é a expressão da ideologia, nesse caso entramos em mais um impasse sobre o valor da verdade já que ela vai depender de que lado estamos no processo de produção.

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  53. (PARTE 5)

    O outro grande pensador dessa época que teve também uma importante relação com a ciência social e a verdade, poderíamos dizer que até mais que Marx já que suas teorias estavam centradas nesses fatos, foi o francês Augusto Comte (1798-1857) criador do Positivismo e também – para muitos- o criador da Sociologia. Comte foi um intelectual tão ligado aos seus estudos que o seu estilo de vida passou a ser totalmente compatível a ele, pois acabava só dando atenção a isso e , de certa forma, esquecendo o resto, isso tornou-se tão real que sua então mulher o deixou e ele passou a viver de contribuições de antigos alunos.
    A teoria Positivista proposta por Comte foi um esquema muito grande para que assim fosse possível dar conta de explicar e dar respostas a tudo o que acontecia na vida social, da mesma forma que o marxismo. A teoria dos 3 estados presenta na obra “Discurso Sobre o Espírito Positivo” é a base para o Positivismo e consiste em acreditar ser preciso a implementação desse terceiro estado, pois é nele que será possível descobrir a verdade sobre o mundo e assim nos permitir montar uma sociedade feliz.
    Para Comte o espirito humano possue três grande posturas sobre o mundo, a primeira dessas, o primeiro estado, é o teológico, nele a idéia é observar a natureza, perceber os fenômenos e fazer as suas relações, e ao invés de procurar teorias para explica-las esses irão procurar por personagens criadores dessas coisas, ou seja, vai existir uma força – que não se sabe quem está por trás ou sua relação com alguém- que controla tudo isso. No primeiro momento acabamos pensando que essa força está relacionada a alguém que controla a regularidade desses eventos, foi o que aconteceu nos primórdios da dúvida humana e consequentemente com a criação das religiões; nesse estado “cria-se” formas para conhecer esse alguém para que se consiga aplacar essa força, são situações em que se quer conhecer mas fazem isso trilhando caminhos de muita obscuridade. Enquanto vamos aumentando a nossa inteligência, Comte diz que nossa relação com essas forças vão mudando. O segundo estado é o metafísico, ou seja, o filosófico. Nele, para entendermos os acontecimentos nós criamos abstrações e atribuímos esses à elas, acabamos criando entidades abstratas. Para Comte esse momento tem bastante importância no processo de racionalização humana, pois passamos a usar mais a razão, porém, por atribuírmos à entidades abstratas, esse caminho ainda não pode, com toda segurança, afirmar alguma verdade. Com tudo isso existe o terceiro estado, o Positivo, é nele que o nosso espírito humano vai atingir a capacidade de reflexão positiva, ou seja, iremos pensar mas agora com uma base empírica (importância para a experimentação), tendo uma relação científica. Será nesse momento que a mente humana irá atingir o seu estágio mais importante, a inteligência humana irá atingir a sua maturidade.
    Atingindo o terceiro estado o tipo de conhecimento que iremos produzir será a ciência. Como os problemas fundamentais para Comte eram os sociais, e a partir do momento em que se tem a ciência como conhecimento verdadeiro, ela é que vai resolver esses problemas, resultando assim nas ciências sociais que terá as informações seguras, a verdade sobre o mundo. A ciência , então, é o estágio mais perfeito do espírito humano, e a sociologia é quem vai mostrar a realidade social.

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  54. (PARTE 6)

    Com todas essas suas idéias Comte propõe uma revolução, diferente da violenta revolução marxista, ele quer aplicar a ciência nas instituições de ensino e para isso ele sabe que é preciso mudar a ordem social, pegar as conclusões sociológicas e aplicar no real, é preciso mudar o espírito comum para o positivista. Grande parte dos positivistas vão acreditar que uma vez atingido o estágio positivista será preciso fazer o povo o atingir também, e não será atingindo o poder e os obrigando mas sim os fazendo antingirem isso; para que aconteça, uma das principais formas é pela educação, e além dela, como Comte deixou bem forte no fim de sua vida, existia um papel fundamental da religião na disseminação da ciência, pois ela criaria um atalho para atingir as massas. A idéia, então, não era destruir a estrura das religiões mas fazer um catecismo (usando sua forma de comunicação) com bases científicas, era demonstrar a realidade de acordo com as regras científicas. Comte queria criar uma educação e uma religião positivista, pois a ciência é a verdade sobre o mundo e a sociologia é a verdade sobre as relações sociais.
    Comte foi bastante otimista com o papel do positivismo mas sofreu muitas críticas desde a sua época até os dias atuais, assim como Marx; hoje é difícil encontrar um pensador, sociológo, filósofo, pesquisador, que acredite no papel total desses grandes sistemas, como Max Weber, muitos acreditam que é preciso dividir para estudar, e o papel da verdade continua complicado em todas as formas, existem debates filosóficos, sociológicos e de todos os tipos sobre o tema mas o seu significado ainda continua subjetivo, poucos tem coragem de afirmar o que é verdade mesmo, mas nem por isso os estudos e as ciências pararam ou perderam o seu valor, pelo contrário, a dúvida do homem é o que o faz ir cada vez mais atrás de respostas concretas aumentando, consequentemente, toda essa gama de estudos e teorias.

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  55. Professor,
    Também tive problemas em postar o texto no blog e coloquei no Goolge Docs, segue o link :

    https://docs0.google.com/document/edit?id=1Xujh81-wdfYrib1Gd-tkHy0yD3yOGOW4rKsrxJ5nWkI&hl=en&authkey=CLzT48MB#

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  61. Como a maioria dos meus colegas, também tive problemas e também anexei o texto no google docs, segue o link:
    https://docs.google.com/document/edit?id=1oFr_hxXZmLQVoOXmlTOxJPefwUFF9GYv9KIAcMPUunQ&authkey=CLyYrJQG#

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  62. Tema 3
    Ciência e Ideologia- Karl Marx

    - Introdução:
    Este trabalho terá como objetivo discorrer sobre as idéias centrais da ideologia Marxista e sua historia como pessoa, por fim será feito criticas sobre como o Marxismo se encontra na atualidade e se suas idéias permanecem válidas.
    -Karl Marx:
    Visto como o pai do socialismo moderno Karl é uma figura que esta ligada automaticamente a idéia comunista. Nascido na Alemanha em 5 de maio de 1818, cursou direito ,começando na Universidade de Bonn para depois estudar na Universidade de Berlin, após perde de interesse nesta área começo a cursar filosofia.Casou-se em 1843, tendo cinco filhos.Faleceu em 1883.
    -Prefácio- Para a Crítica da Economia Política.
    No começo deste trecho do livro Karl separa o sistema econômico burguês em: capital, propriedade fundiária, trabalho assalariado; estado, comércio externo, mercado mundial.
    Ele então diz que as relações jurídicas, como as formas que os Estados estão formulados não podem ser explicadas utilizando elas mesmas, mas sim a partir das relações materiais que se pode começar a entender estas duas construções. Ele diz que estas relações materiais, ou seja, de produção, são impostas a qualquer individuo independente de sua vontade. E a partir destas relações que a superestrutura (religião,judicial e social) é formada.
    De uma forma ou de outra as forças que produtivas acabam por entrar em conflito com as relações de produção. Então ocorre uma revolução social, que ao mudar estas relações de produção acaba então mudando toda a superestrutura que se baseia nela. Não podemos julgar estas revoluções a partir do pensamento que elas introduziram, já que isso poderia causar distorções, mas sim é necessário julgá-la a partir das relações de produção que ela implementou.
    Uma revolução nunca ocorre sem antes que as forças produtivas estejam amplas o suficiente para poder sustentar uma nova sociedade, e que as relações de produção estejam sendo questionadas.Para Marx,hoje em dia, este processo já esta ocorrendo e é apenas questão de tempo para que um revolução ocorra.
    -O Método da Economia Política- Para a Crítica da Economia Política.
    Para se analisar a economia política de um pai, antes é necessário começar a analisar a sua população, suas divisões de classes, suas importações e exportações, o preço de suas mercadoria, assim por diante. Mesmo isso parecer ser uma forma efetiva de analise de um país, ela seria falsa, já que a população é uma abstração e se nos basearmos nesta idéia, acabamos por deixar de lado a sua própria base, que consiste do trabalho assalariado, do capital, entre outros fatores. Então para se construir uma imagem verídica de um país é necessário alcançar as determinações mais simples possíveis e daí começar a construir idéias cada vez mais complexas, este sendo assim o método cientifico correto.

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  64. A relação de posse é a relação mais simples que dois indivíduos podem ter entre si, porem esta só aparece em conjuntos mais desenvolvidos. E derivando desta relação simples que se criam muitas outras mais complexas.
    A idéia de trabalho parece ser muito simples, porem no sentido econômico não é tão simples assim, já que existem várias formas de trabalho e nenhuma delas se sobressai da outra. Então a idéia de trabalho já não pode ser utilizada como base para criação de idéias mais complexas, já que não existe definição que englobe todas as formas de trabalho em todos os tempos.
    A partir da sociedade burguesa é possível entender as estruturas e as relações de sociedades já não existentes, pois esta ainda carrega vestígios das outras sociedades que desapareceram. Porém estes vestígios não estão presentes da mesma forma que eram antes.
    A ultima forma de sociedade sempre se considera uma evolução das passadas, considerando-as como simples etapas para a chegada da atual. Em nenhum período a sociedade que esta vigente se considera em estado de decadência. Assim nenhuma delas critica a si mesma, só critica as que vieram antes.
    Na modernidade houve uma inversão de valores, aonde antes a indústria era altamente dependente da agricultura, hoje a agricultura se tornou apenas um ramo da indústria.
    O capital se tornou um fim em si mesmo, assim é natural que este seja a base para o estudo de como a sociedade esta estruturada.
    -A Ideologia Segundo Marx
    A ideologia é uma criação humana, não ocorre de forma natural. Ela nasce quando se começa a fazer uma diferenciação entre o trabalho manual e o intelectual. Esta diferenciação gera uma divisão entre classes sociais. Esta separação foi criada desde a antiguidade pelos intelectuais. A ideologia em si não passa de uma representação das relações sócias que o homem vive, assim, mesmo sendo baseada em algo concreto, ela acaba por distorcê-la. Durante todo o período da historia humana houve uma ideologia dominante, esta sempre se impôs as demais. A ideologia dominante é a ideologia da classe que reina em certo período. As ideologias dominantes sempre tendem a tentar justificar sua dominância e minar qualquer uma que se oponha a ela.
    Ao se dividir o trabalho, acaba-se por gerar classes distintas, que se tornam completamente diferentes uma da outra. Esta divisão gera tensões e acaba por deixar essas classes em posições antagônicas.
    A ideologia passa também para as ciências, artes, filosofia, e assim estas acabam por ficar contaminadas pela a ideologia que as geraram. A cultura também acaba por ser influenciada, a classe dominante tenta também impor sua própria cultura, e por normalmente possuir a maioria dos meios para difusão de informação, subjuga as demais culturas.

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  65. Cada classe possui representantes de sua ideologia, para os burgueses são os cientistas, enquanto que para o proletariado são os comunistas. Assim as ciências tendem a se dividir e não a ser objetivas.
    Só se alcançara o fim das ideologias no momento em que não existirem mais classes sociais. A classe social que trará esta mudança é o proletariado, que é a classe revolucionaria atual. Isto ocorre, pois os interesses do proletariado são universais.
    -Crítica ao Comunismo.
    Neste trecho do texto exporei algumas críticas a ideologia marxista, aumentando pontos que já foram feitos no meu “post” e já discutidos em aula.
    A primeira e maior crítica que tenho a fazer ao comunismo é sobre a idéia de que o mundo se encontra dividido em apenas duas classes antagônicas. Este idéia é anacrônica, e já não pode ser vista como relevante atualmente, pois mesmo ainda existindo um grupo de pessoas que é somente explorada e um que somente explora, existe um número infinitamente número infinitamente maior de indivíduos entres estes dois extremos, sendo que essas pessoas ao mesmo tempo exploram e são exploradas. Assim é impossível criar uma fronteira, ou seja, uma definição que englobe toda a população em dois grupos. Não quero dizer que não existem indivíduos que poderiam cair na classificação de Marx de burguês e proletariado, já que isso seria uma falácia da fronteira imprecisa, mas sim que o número de pessoas que se encontram nessa classificação é pequeno e não universal como Marx disse. A idéia posta em aula de que hoje em dia não são as pessoas que são burguesas e proletariados, mas sim os países, é errada já que não existe um país que é composta apenas por indivíduos burgueses, ou mesmo ricos, todo país possui um parcela da população mais pobre, só a proporção varia de país pra país. E no caso de uma revolução socialista estar-se-ia então por excluir uma grande quantidade de pessoas que ao ver de Marx são também proletariados.
    Para Marx é impossível criar um ciência que não esteja atrelada a uma ideologia, assim nenhuma é realmente objetiva, já que quem a formulou possuía interesses pessoais e estes sendo influenciados pela classe a qual os indivíduos que a criaram pertencem. Portanto para ele estas ciências não são verdadeiras, mas ao dizer isso ele esta cometendo uma falácia “ad hominem”, pois ele esta colocando uma característica da pessoa (ideologia) como uma influencia na veracidade do que ela diz. Mesmo se a pessoas tiver terceiras intenções ao buscar alguma verdade se o que ela encontrar for realmente verdadeiro e se a pessoa não alterá-la, sua veracidade permanece intacta. Isto é, partindo-se do pressuposto que o nosso universo é racional, segue assim leis e possui características definidas independentes do ser humano.

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  66. Outro ponto que é realmente perturbador da teórica Marxista é seu fatalismo em relação a própria condição humana que ele coloca ao dizer que as pessoas, independente de suas vontades e de experiências ganhas durante sua vida, por nascerem em uma das classes acabam por ser biologicamente desta mesma, e sua vontades,ideais e forma de agir já são predeterminados para um dos grupos.Esta idéia da a entender que existem duas raças humanas,uma sendo os proletários e outra sendo os burgueses.Isto é uma simplificação absurda,já que existem infinitas variáveis que influenciam na personalidade de um individuo. Outro ponto que diminui a validade deste argumento é a capacidade dos indivíduos poderem trocar de níveis sociais.
    A forma que ele propõe para a revolução comunista ocorrer também esta sujeita a críticas. A forma violenta que ele diz se necessária para a queda do sistema capitalista pode gerar conseqüências enormes para a população, a quantidade de pessoas que morreriam numa situação destas seria inimaginável, podendo chegar até a extinção da raça humana. Isto pode ocorrer já que as armas de destruição em massa acabariam por ser utilizadas, já que se a classe superior se encontrar numa situação aonde seu fim é inevitável, esta não pensara duas vezes antes de usas tais armas. Outro fator que impede tal forma de revolução é impossibilidade de dizer quem é burguês ou proletariado.
    Ao expor estes problemas do socialismo não quero dizer que o capitalismo é a melhor forma que a sociedade humana pode conceber, e nem que o socialismo não possui idéias boas. Porém, se o socialismo permanecer estruturado da forma que esta hoje, as chances de ser implementado de acordo com a visão de Marx é mínima. O fim que o ideal Marxista trás é o mesmo da humanidade, uma sociedade justa e com oportunidades para todos, porém os meios para chegar lá ainda não foram descobertos, e como cientistas sociais é nosso dever encontrá-los.

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  67. TEMA 3. CIÊNCIA E IDEOLOGIA

    Em “Do Prefácio” (Marx, K. Engels, F. A Ideologia Alemã – Teses sobre Feuerbach) os autores citam o que acredito ser uma consideração quase cômica sobre a “nova filosofia revolucionária alemã”, acerca dela - e de outros excertos do mesmo livro e de outras obras - definirei alguns de meus pontos sobre a questão da ideologia e ciência. Segue o trecho: “Uma vez, um bom homem imaginou que os homens se afogavam na água porque estariam possuídos pela idéia da gravidade. Se banissem esta representação da cabeça – declarando-a, por exemplo, uma representação supersticiosa, religiosa -, estariam acima de todo o perigo da água. Toda a vida combateu a ilusão da gravidade, de cujas consequências nocivas todas as estatísticas lhe forneciam novas e numerosas provas.”. Até que ponto esse filósofo se distancia da idéia marxista de ideologia? Em que ponto as ideias convergem?
    Segundo os autores citados, “As idéias da classe dominante são, em todas as épocas, as idéias dominantes, ou seja, a classe que detem o poder material dominante da sociedade, é, ao mesmo tempo, o seu poder espiritual dominante. (...) As idéias dominantes não são mais do que a expressão ideal das relações materiais dominantes, as relações materiais dominantes concebidas como idéias; portanto, das relações que precisamente tornam dominante uma classe, portanto as idéias do seu domínio.” (A Ideologia Alemã – Teses sobre Feuerbach).
    Quando debatida em sala, a questão da ideologia visto sob a ótica marxista, teve uma conotação muito parecida com a do filósofo citado acima, ao meu ver; ou seja, a idéia da gravidade, é uma ideia de uma classe dominante, não sendo correspondente à realidade de todos, mas à realidade – imposta – dessa classe opressora. Porém, esse excerto final de “Do Prefácio” possui uma força muito grande, uma vez que traz ao debate uma questão das “ciências naturais”, e como explicado em A Ideologia Alemã, “a chamada ciência da natureza, não é a que aqui nos interessa; na história dos homens, porém, teremos de entrar, visto que quase toda a ideologia se reduz ou a uma concepção deturpada desta história ou a uma completa abstração dela. A ideologia é, ela mesma, apenas um dos aspectos desta história.”. Não afirmo que as ciências naturais são absolutas e livres de uma questão social, até porque, vemos na história muitas teorias acerca das ciências naturais que são superadas, e por uma questão de dominação não são consideradas (isso é muito bem observado com as imposições da Igreja Católica em relação a muitas novas teorias), mas para um estudo aprofundado deve-se dividir as questões do homem e da natureza (mesmo sendo uma divisão quase impossível, já que as histórias do homem e da natureza “não se podem separar; (...) a história da natureza e a história dos homens condicionam-se mutuamente.”) podem parecer colocações contraditórias, mas a separação não é real, é uma separação apenas didática, utilizada tanto agora, como por Marx e Engels.
    Após a curta definição de ideologia como sendo uma representação das relações sociais construida pela classe dominante para exercer dominação sobre a classe dominada e continuar no poder, acredito ser importante situar e definir as questões da “luta de classes”, a concepção da “classe dominante” e por fim outras conceitos relacionados ao assunto.

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  68. A história, segundo Karl Marx e Friedrich Engels, é o que dá base para as ciências. Os autores iniciam o capítulo “Burgueses e Proletários” (Marx, K. Engels, F. O Manifesto Comunista) considerando que a história de todas as sociedades que existiram até nossos dias tem sido a história da luta de classes. Esse argumento será o que fundamentará então, justifica o processo de transformação revolucionário dentro desse contexto burguesia x proletariado: a classe burguesa não resistirá à essa luta, assim como as classes que a antecederam. Em partes a teoria parece se concretizar, fato que pode ser demonstrado pela adoção do comunismo por certos países (apesar do fim da República Soviética, a ideia de comunismo foi implantada) e pelas crises econômicas; por outro lado, essas crises mostram a capacidade de recomposição do sistema, que parece não condizer com a teoria em questão. Até quando o capitalismo consegue se reerguer? Até quando a burguesia será a “classe opressora”, e o proletariado a “classe oprimida”? A solução para a superação do capitalismo, para Engels e Marx, está exatamente no proletariado, na classe oprimida; grupo esse, que deve transcender as fronteiras dos países, utar por um ideal comum, e nessa questão se encontra a diferença entre o Partido Comunista e os outros partidos operários: o Partido Comunista faz prevalecer os interesses comuns do proletariado, sem depender de nacionalidade.
    A questão da luta de classes, então, é a mostra viva dessa dominação ideológica através dos tempos: as relações entre o “homem livre e escravo, patrício e plebeu, barão e servo, mestre de corporação e companheiro,(...)” enfim, a relação entre a classe dominadora e a dominada, que “aciona” uma imposição das ideias da primeira sobre a segunda; e essa imposição gera uma dificuldade no processo revolucionário que implicaria em uma nova luta de classes, ao meu ver. A classe trabalhadora é extremamente mais numerosa do que a classe exploradora, e para manter a “maquina do capitalismo” funcionando é preciso manter os operários em condições mínimas ao menos; logo, estes possuem condições de sobrevivência e de força, como um grupo. Por que, então, a revolução demora tanto para acontecer? Por que hoje ainda convivemos com o capitalismo? Ao meu ver a resposta se encontra também na questão da ideologia, realmente. Os ideólogos induzem os oprimidos acreditarem que aquela condição é o bastante, que é desta forma que bem vivem, e que devem continuar vivendo. As armas para a derrubada do capitalismo foram já produzidas e estão já dadas, para o operariado, pelo próprio sistema capitalista; mas essa força ideologica faz com que o movimento da quebra do sistema recue, não alcançando a revolução. Hoje, com a globalização e a crescente inclusão social e digital através do mundo, os operarios passam a ter oportunidades maiores para uma melhor organização, podendo quem sabe chegar à força necessária para progredir com a “previsão” marxista; em contraponto, a complexidade das organizações capitalistas, dadas pela mesma globalização, dificulta o processo de superação desse sistema preconizado pelos autores tendo em vista que a “máquina opressora” é agora global (uma greve em certa empresa pode parar uma filial, mas dificilmente afetará na totalidade desta). A medida que globalização cresce, crescem também as disparidades sociais, a necessidade de um trabalho assalariado e de fazer parte da máquina capitalista, o que diminui as chances de uma organização ideológica da classe oprimida (os operários podem possuir ferramentas – como a internet -, mas tem dificuldades para fazer valer a máxima do marxismo: “trabalhadores do mundo todo, uní-vos”)

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  69. Da questão da divisão de classes – e consequentemente divisão social do trabalho – surge então a ideologia, que, conforme vimos anteriormente, nada mais é do que a representação das relações sociais. Essa representação não pode ser considerada verdadeira, já que é a representação da classe dominante, e não de um todo (e na realidade é isso que vemos na escola, aprendemos história da forma como os vencedores viram, aprendemos a história na visão de quem dominou, e não na visão dos dominados). A representação ilusória, a ideologia, só será abolida com a abolição da sociedade de classes, do capitalismo, ou seja: instaurando o comunismo.
    Em “O que é Ideologia”, Marilena Chauí apresenta outras faces desse termo abordado por Marx, apresentando um histórico e visões de outros autores. A princípio, apresenta a presença da concepção de ideologia na teoria das quatro causas de Aristóteles (apesar de não ser apresentado o termo em si); para o pensador, tudo possuia um motivo: as causas. As causas em questão são organizadas hierarquicamente, sendo a causa menos importante a causa eficiente (que consiste na ação que faz com que determinada matéria tenha determinada forma), e a superior a causa final (o motivo ou finalidade da existência de certa coisa). Fazendo um paralelo com Marx, em minha visão – e de Marilena Chauí -, a causa eficiente pode ser relativa à classe oprimida – a que executa -, e a causa final à classe opressora – a que explora, que utiliza o trabalho da maioria. Ainda nessa obra, Chauí apresenta a visão de Comte, de que a humanidade tem tendência a passar por três fases: a fetichista (em que o homem explica a realidade pelo poder divino), a metafísica (em que o homem explica a realidade através de princípios gerais e abstratos) e a positiva ou científica (que o homem contempla a realidade, a analisa, formula leis e cria uma ciência social que servirá de base para o comportamento individual e coletivo). Ainda sobre Augusto Comte, Chauí apresenta a submissão da prática em relação à teoria, em suas palavras: “Assim sendo, quando as ações humanas – individuais e sociais – contradisserem as idéias, serão tidas como desordem, caos, anormalidade e perigo para a sociedade global, pois o grande lema do positivismo é: “Ordem e Progresso”. Só há “progresso”, diz Comte, onde houver “ordem”, e só há “ordem” onde a prática estiver subordinada à teoria, isto é, ao conhecimento científico da realidade.” Chauí segue com uma consideração interessante, de que, se essas colocações forem analisadas cuidadosamente, veremos que nelas estará implícita a afirmação de que o poder pertence a quem possui o saber, ou seja, na visão marxista, a própria visão de ideologia, de Comte, é ideológica.

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  70. Com essa curta análise acerca de ideologia novas questões vieram à tona, para mim, a questão da divisão social, tida por Marx como absoluta, está hoje mais complexa, tornando o estudo das teorias marxistas mais complicados tanto em matéria de compreensão, como em matéria de “aplicação” (aplicar Marx, na realidade é entender Marx, uma vez que os estudos marxistas são analíticos e históricos, e não servem para “prever o futuro”, mas para analisar o passado, e tentar compreender o presente). Minha ideia de ideologia não era exatamente a de Marx, a palavra tocava meus ouvidos com tom poético, quase romântico: hoje a ouço, e uma ideia de imposição invade minha mente. Não acredito que, para haver uma superação do capitalismo a “força dos operários” seja o bastante, até porque, quem faz, hoje, parte dessa força? Quem explora, e quem é explorado? A superação do capitalismo através da revolução socialista nos moldes de Marx, não acontecerá (não chamo-o de superado, ingênuo; contribuição de Marx é tão valorosa e necessária, que hoje, caminhando por livrarias e bibliotecas, as obras acerca das teorias do pensador são infindáveis em diversas áreas – ciência politica, sociologia, educação...). Porém, o capitalismo continua produzindo os “germes de sua própria destruição”, e tem condições levantar fatos que podem implicar em novos processos rumo a uma sociedade menos desigual.
    A opção em diversos países do mundo pela transformação social e política a partir do processo eleitoral, e não pela via revolucionária, reforça minha conclusão enquanto tendência. No entanto, a história é dinâmica e pode proporcionar muitas surpresas, principalmente àqueles que não estiverem preparados para entender que por mais que “a ideologia” segundo Marx e Chauí, seja utilizada pelo poder hegemônico para exercer dominação, ela não se libertará do próprio “germe que a destruirá”.

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  71. “Ideologia, eu quero uma pra viver” - cantava Cazuza na canção composta por ele e Roberto Frejat no ano de 1988. A música fala sobre os jovens da época e sobre o próprio Cazuza que em toda sua vida era o “garoto que queria mudar o mundo” e que agora tinha seus sonhos passados perdidos.
    Karl Heinrich Marx, alemão (1818-1883) e Agenor de Miranda Araújo Neto (Cazuza), brasileiro (1958-1990) viveram em espaço-tempo completamente distintos e mesmo assim tinham algo em comum: a busca por uma ideologia para viver. Com uma ressalva: Marx buscava uma ideologia para o PROLETARIADO viver.
    Marx acreditava veemente que toda a ciência de sua época era influenciada pela ideologia burguesa vigente, que nascera para justificar as grandes obras da Revolução Industrial. Servem de exemplos David Ricardo, inglês (1772-1823) com sua obra “Princípios da Economia Política e Tributação” que introduzia a chamada “teoria do salário mínimo” que, resumidamente, dizia que, para não se quebrar o ciclo, o salário do proletariado não deveria subir além daquilo necessário para sua subsistência; Thomas Robert Malthus, inglês (1766-1834) e sua “teoria da fome” que dizia que a existência de tantos miseráveis no mundo não era culpa dos patrões e do capitalismo, e sim dos próprios miseráveis que tinham filhos além do limite e isso significava que não poderia haver alimento para tantas pessoas no mundo, justificava: “a população cresce em progressão geométrica,
    enquanto a produção de alimentos aumenta em progressão aritmética”; e Adam Smith, escocês (1723-1790) com sua obra “Uma Investigação Sobre a Natureza e a Causa da Riqueza das Nações” conhecida também como apenas “ A Riqueza das Nações” que defende que o Estado não deve interferir na economia e que as pessoas deveriam trabalhar com livre comércio, sem ter que pagar imposto do lucro.
    Na obra “Manifesto Comunista” escrita em conjunto com o igualmente alemão Friedrich Engels (1820-1895), Karl Marx apresenta um documento programático sobre o comunismo fundamentado em bases científicas.
    Segundo Vladimir Lenin, responsável em grande parte pela Revolução Russa de 1917, líder do Partido Comunista e primeiro presidente do Conselho dos Comissários do Povo da União Soviética, afirmou sobre o Manifesto Comunista:
    “Esta obra expõe, com uma clareza e um vigor geniais, a nova concepção do mundo, o materialismo consequente aplicado também ao domínio da vida social, a dialéctica como a doutrina mais vasta e mais profunda do desenvolvimento, a teoria da luta de classes e do papel revolucionário histórico universal do proletariado, criador de uma sociedade nova, a sociedade comunista.”

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  72. O Manifesto do Partido comunista foi elaborado por Karl Marx e Friedrich Engels como parte integrante do programa da Liga dos Comunistas, em decisão de seu 2º Congresso realizado entre os dias 29 de novembro e 8 de dezembro de 1847 em Londres. Ainda em Londres e posteriormente em Bruxelas (Bélgica), Marx e Engels executaram juntos a redação do texto do manifesto. Ao final de dezembro, Engels partira para Paris e a versão definitiva do Manifesto Comunista foi elaborada por Karl Marx durante o mês de janeiro de 1848. Foi publicada em fevereiro, em Londres.
    A obra apresenta um estudo da luta de classes durante toda a história das sociedades: na Roma antiga, patrêcios, cavaleiros, plebeus e escravos; na Idade Média, senhores feudais, vassalos, oficiais, aprendizes e servos. Analisa, por fim, a sua época, a época da burguesia que divide as classes da sociedade em dois campos antagônicos e que divergem a todo tempo: burguesia e proletariado.
    O pensamento comunista critica a relação minuciosa entre a burguesia e todo o seu âmparo político patrocinado pelo Estado moderno, que favorece em diversos aspectos, as relações econômicas da burguesia.
    Faz uma análise da influência da burguesia nos campos da Medicina, do Direito, da Igreja, das Artes e da Ciência ao longo dos anos.
    Critica também a influência das relações econômicas no campo pessoal das pessoas, a liberdade de comércio, de compras e vendas. A forma como as relações burguesas se expandiram pelo globo e transformou a necessidade das pessoas, que passaram a comprar produtos feitos com matérias-primas de regiões longíquas, criando uma espécie de ganância, pois o básico para a sobrevivência já não era mais o suficiente. A forma como as nações são obrigadas a aderirem ao modo de produção burguês, muitas vezes vendo suas indústrias nacionais serem desfeitas, sem poder fazer nada.
    Questiona a aglomeração das populações, a centralização dos meios de produção, a concentração da propriedade privada nas mãos de poucos; a manipulação da natureza, com as navegações, trilhos de ferro, componentes químicos nas indústrias e outros do gênero.
    O capitalismo burguês supera suas crises, sempre explorando a classe proletária, demitindo-a ou nivelando seus salários por baixo, ou simplesmente expandindo seus mercados de forma totalmente descontrolada.
    Segundo o pensamento comunista, não há como a grande maioria da população, o proletariado, melhorar de vida sem destruir toda a super-estrutura da sociedade vigente. Incita para a revolução comunista, que se instaurada, acabaria com toda a forma de propriedade privada – segundo o Manifesto Comunista de Marx e Engels, a propriedade privada é o principal fator que contribui para o declínio da sociedade.

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  73. A burguesia influenciou no sistema educacional, transformando-o simplesmente em uma relação de “estudar para se obter um bom emprego e um bom salário”.
    O Manifesto do Partido Comunista armou o proletariado com a demonstração científica da inevitabilidade do derrube do capitalismo e da vitória da revolução proletária, definiu as tarefas e objetivos do movimento proletário revolucionário.
    Os funcionários das fábricas, mesmo considerando o fato de trabalharem nelas, muitas vezes nunca tinham contato com os produtos por eles mesmos produzidos. Por exemplo, um funcionário de uma fábrica de roupas da marca “X” nunca tinha dinheiro o suficiente para comprar roupas dessa marca “X”.
    Os patrões (burgueses) lucravam muito em cima de cada funcionário. Por exemplo, um funcionário de uma fábrica que produzia sapatos trabalhava 18 horas por dia, ganhava 200 libras por mês, produzia, mensalmente, 100 pares de sapatos. Seu patrão vendia cada par de sapatos por 50 libras. Ao final do mês, seu patrão lucrava em cima de cada funcionário de sua fábrica de sapatos 5000 libras!
    Os patrões não consideravam tal ato exploração do homem pelo homem, mas sim, que isso era consequência do sistema capitalista que premiava os mais capacitados (eles, no caso).
    Marx então sugeriu que cada funcionário ganhasse uma porcentagem do lucro das empresas em que trabalhavam, a “Mais Valia”. Ou seja, o lucro da empresa deveria ser repartido igualmente entre os seus funcionários, assim ele receberia realmente por aquilo que trabalhou.
    Marx também causou polêmica entre o próprio proletariado com seu Materialismo Dialético, que dizia que o povo era ludibriado pelas religiões, que as religiões desresponsabilizam os homens por seus atos. Em sua “Crítica da Filosofia do Direito de Hegel”, Karl Marx disse:
    “A religião é o suspiro da criatura oprimida, o coração de um mundo sem coração, assim como é o espírito de uma situação carente de espírito. É o ópio do povo.”
    Nos dias atuais, há uma certa dúvida sobre qual a real diferença entre o Socialismo e o Comunismo.
    “Em certa época, as palavras socialismo e comunismo tinham o mesmo significado: uma sociedade em que os meios de produção fossem propriedade pública. Hoje, há uma grande distinção entre os dois termos. Membros de partidos comunistas encaram o socialismo como um estágio na formação da sociedade comunista, que passa a ser considerado, uma ditadura do proletariado. Durante esse estágio, o Partido Comunista deve estar no poder, e ser eliminada a maior parte da propriedade privada, sendo a economia administrada com base em um plano nacional de produção. Entretanto, nesse estágio, a nação ainda não é rica o suficiente para ofertar a seus cidadãos todos os bens materiais necessários, e o governo deve coagir as pessoas a trabalharem arduamente por pouca recompensa. Em um estágio posterior, a nação será rica para satisfazer às necessidades econômicas de todos. Esse estágio é o comunismo. Para os comunistas, a coerção estatal desaparecerá em uma sociedade comunista. Muitos socialistas em países que não vivem a ditadura do proletariado não aceitam essa definição. A maioria acredita que certa coerção estatal é sempre necessária porque algumas pessoas têm que ser forçadas a serem cidadãos úteis para merecerem o que ganham do Estado.

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  74. Mas rejeitam a maior parte dos métodos utilizados pelos partidos comunistas, a exemplo de revolução e de outras formas de militaria como meio de alcançar o poder, e se opõem a métodos centralizados de administrar o Estado. Os socialistas democratas acreditam no processo democrático e são contrários à extinção dos partidos de oposição. Preocupam-se mais com a distribuição justa de bens e serviços do que com o crescimento econômico rápido, mas se esquecem um pouco da população em si.” Fonte: http://www.grandecomunismo.hpg.com.br/socialcomun.htm
    Na história da humanidade, podemos citar como notáveis as revoluções comunistas na Rússia (1917), que depois se aliou a outros países formando a U.R.S.S. (União das Repúblicas Socialistas Soviéticas); na China e em Cuba.
    Todos esses países, e todos os outros menores socialistas como Vietnã e Coreia do Norte, sofreram ou sofrem algum tipo de retaliação, seja por parte política, seja por parte econômica, de outros países do mundo, geralmente liderados pelos Estados Unidos da América.
    A União Soviética caiu em 1991 depois de muitos anos em disputa pela hegemônia mundial (Guerra Fria). Cuba que dependia muito da União Soviética, hoje, sofre um intenso embargo econômico liderado pelos norte-americanos.
    A China, talvez seja a mais bem sucedida dos países socialistas, porém, deve-se admitir que, ironicamente, este país é um dos mais capitalistas do mundo. Sofre com a censura, perseguição política e trabalho infantil.
    Karl Marx previu que um dia o capitalismo irá cair para o comunismo. Será? Principalmente depois do colapso soviético de 1991, eu acho que não.



    Tema 3 - Ciência e Ideologia

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  75. Segue o link do texto... não consegui postar aqui.

    https://docs.google.com/document/pub?id=1crRD_JA5Mh0LOIypeau5UuDTiL-_ni1iEriWQ_NK6hA

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  76. Tema2: A Ciência Como Sistema de Crenças

    À primeira vista parecem incompatíveis as visões de mundo da ciência e a da religião, logo parece que uma necessariamente precisa difamar, denegrir, e tomar por falso tudo o que a outra diz. Porém parece-me que cabe á ciência deixar essa “rixa” de lado e não entrar na questão religiosa, visto que, para mim, a ciência não é e nunca foi uma religião. Os cientistas devem ser céticos na busca por novas verdades, o que já distancia a ciência de uma visão religiosa, que toma por verdadeiras premissas preestabelecidas desde seu fundamento. Cabe também ás instituições religiosas deixar que a ciência caminhe pelas próprias pernas e não tentar impedir o avanço em áreas que possam levar à descrença destas por parte de seus fiéis. Se estas instituições estão tão seguras de suas convicções, não devem temer possíveis descobertas da ciência que as desacreditariam.
    Está discussão entre religião e ciência existe desde que esta passou a contestar crenças estabelecidas por aquela. Porém, não me parece plausível argumentar que o propósito da ciência seria esse. É muito mais aceitável dizer que o intuito da ciência é, na verdade, tentar descobrir a realidade das coisas, independentemente da crença de uma ou de outra religião.
    Desde que este embate começou a se estabelecer, diversas proibições foram impostas pelas instituições religiosas (principalmente a igreja católica) para que pesquisas em diversas áreas não se desenvolvessem, prejudicando assim um desenvolvimento mais veloz da ciência e da tecnologia. O período que compreendeu desde o início da idade média até meados da idade moderna, foi o período em que essas proibições se tornaram mais frequentes. Galileu e Copérnico são exemplos de intelectuais da época que sofreram com a inquisição da Igreja Católica, sob justificativa de que estavam cometendo heresias e (ou) bruxarias. Neste período de grande poderio da Igreja, também ocorreu a chamada caça às bruxas, onde mulheres com pensamentos a frente de sua época eram condenadas à fogueira por serem consideradas bruxas. Mas se engana quem pensa que esses absurdos só existiram nesta época. Atualmente as igrejas católicas e protestantes ainda tentam junto aos governos de algumas nações barrar pesquisas como a de células tronco embrionárias. Igrejas estas que também são contra o uso de preservativos (uso este que já se mostrou efetivo na prevenção de diversas doenças). A diferença de uma época para outra é que hoje em dia, apesar do grande apelo popular e da grande influência, a Igreja não tem poder político para mandar determinações aos estados e não pode mais ditar as regras do que deve e o que não deve ser feito por um país. Todas essas medidas foram tomadas para defender idéias religiosas que essas pesquisas científicas poderiam destruir, ou seja, em nenhum momento essas instituições agiram pretendendo o avanço do conhecimento e da busca pela verdade da população, mas visavam apenas que suas crenças não fossem contestadas e que seus dogmas perdurassem por muito tempo.
    O objetivo das instituições religiosas deveria ser se renovar conforme o passar do tempo e aceitar que as verdades são mutáveis e que as instituições religiosas também erram e focar mais os seus esforços na melhoria moral e ética de seus seguidores para que eles contribuam cada vez mais para uma sociedade melhor. Seria bom que eles deixassem a ciência trabalhar sem interferências do meio espiritual e da fé.

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  77. O ser humano busca a verdade sobre os fenômenos desde o início de sua existência, e foi para descobrir essa verdade que foi criada a ciência. Porém, no início as pessoas não tinham em que se apoiar para que uma ciência sólida se desenvolvesse daí a dificuldade de explicar diversos fenômenos e necessidade de se apoiar em crenças, por isso o surgimento da religião. Mas a sede de conhecimento não cessava por aí algumas pessoas queriam mais, achavam que algumas coisas poderiam ser explicadas contribuindo assim para o surgimento das primeiras ciências.
    A busca pela ciência trouxe muitos benefícios para a evolução da raça humana que com o tempo passou a desenvolver métodos cada vez mais eficientes de mundo, tentando provar aquilo que já se intuía e passando para seus discípulos todo o conhecimento que dispunham para que as pesquisas continuassem e conhecimento florescesse cada vez mais. Muitas vezes pesquisas descobrem coisas que acabam com a teoria de outras, mas isso não deve empecilho para os verdadeiros cientistas, pelo contrário, deve servir de estímulo para trocar de ramo de pesquisa ou mudar apenas o foco e quem sabe facilitar novas descobertas. Diferentemente da religião, a ciência não têm verdades consolidadas e irrefutáveis, o que certo hoje pode ser errado amanhã, sem nenhum problema de perda de credibilidade, na verdade até fortalecendo a mesma. Daí a minha descrença na ciência como uma religião. Pois a mesma não existe para estabelecer regras a ninguém, apenas para descobrir novas verdades.
    Apesar do motivo da existência da ciência ser nobre, nem sempre os cientistas a usam para estes fins. Por vezes em nome dela eles a usam com a pretensão de maquiar toda uma situação e de falsificar dados para tentar provar inverdades. Vale lembrar, que nas situações de calamidade e de guerra foi que a ciência mais se desenvolveu. Dentre os períodos de grande desenvolvimento vale destacar a 2ª Guerra Mundial. Primeiramente falaremos sobre os nazistas, que basearam toda sua política preconceituosa na ciência. Na verdade era apenas uma pseudociência chamada eugenia, a qual pregava (tentando se basear em ‘A Evolução das Espécies’ de Darwin) a diferenciação dos seres humanos devido à cor da pele, à beleza, à opção religiosa, à conduta moral de familiares, aos defeitos físicos e psicológicos, entre outros fatores, e dizia que a população deveria se “purificar” desses “males”. Também foi na segunda guerra mundial que se desenvolveu o armamento nuclear, mais especificamente, a bomba atômica, a qual foi usada pelos Estados Unidos para atacar as cidades de Hiroshima e Nagasaki no Japão.
    Não acredito que deveria ser o rumo natural da ciência criar bombas que podem destruir o planeta ou criar uma pseudociência capaz de levar as pessoas a crer que aqueles que são diferentes dos padrões estabelecidos devem ser exterminados, mas foi esse o rumo tomado, o que mostra que nem sempre a ciência contribui para o desenvolvimento intelectual.
    A exploração da natureza pode ter tomado um curso irreversível, e tudo pelo conforto do ser humano. Conforto esse que foi possível com o desenvolvimento da ciência e consequentemente da tecnologia. Essa é outra mostra do quanto o uso da ciência pode não ser para o bem de todos.

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  78. PARTE 1- O método materialista histórico-dialético e a influência marxista hoje
    Karl Marx (1818-1883), nascido na cidade de Treves, Alemanha, doutorou-se em filosofia, em Iena. Ao se mudar para Paris, em 1842, conheceu Friedrich Engels, que se tornaria seu companheiro fiel por toda a vida, e com quem dividiria suas ideias, e com quem escreveu o célebre Manifesto do Partido Comunista, que execra a classe burguesa e dá à classe proletarizada a responsabilidade de, através de uma revolução, destruir o modo de produção capitalista implantando um sistema mais justo e igualitário, o socialismo, que em estágio avançado e “perfeito”, seria considerado o comunismo.
    Augusto Comte é considerado o fundador da sociologia, e Max Weber, seu maior teórico; já Karl Marx, é conhecido e até hoje lembrado e estudado pela sua teoria do materialismo histórico, que explica o porquê das transformações das sociedades ao longo do tempo, e o papel da economia nelas; método esse que será o tema principal tratado neste artigo.
    Durkheim não considera o marxismo uma teoria de valor científico, ou necessária no estudo da sociedade, como podemos reconhecer nesse trecho de As Regras do Método Sociológico: “Por princípio, [o método] irá ignorar essas teorias, as quais não poderia reconhecer nenhum valor científico, já que elas tendem diretamente, não a exprimir os fatos, mas a reformá-los.”. Porém, Durkheim não menospreza totalmente o valor do marxismo e não nega que tal teoria pode contribuir para a sociologia, pois ela explicita as necessidades da sociedade ou determinado grupo social, auxiliando na compreensão da sociedade.
    Nesse artigo não serão discutidas as proposições do socialismo científico em si, mas sim seus conceitos que são necessários conhecer para melhor compreender o real objeto de exposição desse artigo: o método de análise social materialista histórico-dialético.
    De início, serão expostos os dois principais conceitos do marxismo – ou socialismo científico, que assim é chamado para ser diferenciado do socialismo utópico, característico da época anterior a Marx-, que são as classes sociais e a alienação, depois será discorrido sobre o método de análise histórico social criado por Marx, o materialismo histórico. Por fim, serão apresentadas razões pelas quais Marx e suas ideias devem ser – ou não – deixados de lado pelos estudiosos de hoje.

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  79. Tudo bem que a ciência surge para buscar a verdade sobre as coisas, mas estaria a humanidade pronta para descobrir a verdade?Estariam todos os seres humanos querendo descobrir as verdades?As pessoas gostariam que os outros soubessem a verdade sobre elas? A resposta para as três perguntas é não. O fato do ser humano ter criado a ciência para descobrir a verdade sobre o mundo não quer dizer todos queiram saber toda a verdade. Descobrir a verdade sobre tudo tiraria o que de mais mágico tem na vida que é descobrir coisas novas e contribuir para o desenvolvimento do conhecimento. Após descobrir tudo sobre todas as coisas só restaria apenas o ócio, talvez nem isso fosse provado que isso faria mal ( logo todos saberiam já que sabiam de tudo). Também dificultaria muito as relações humanas descobrir tudo o que uma pessoa pensa sobre a outra, visto que é normal as pessoas não gostarem de algumas atitudes das outras e não comentar ou coisas do gênero.
    Chego á conclusão do texto pensando que a ciência contribuiu, contribui e deve continuar contribuindo por muitos e muitos anos para o avanço do conhecimento entre as populações. Apesar desses avanços proporcionados pela ciência , ela não é perfeita, está suscetível a erro e portanto deve ser vista com cautela não se pode acreditar nela friamente. Por esses erros que são proporcionados, pelo não estabelecimento de dogmas e de conceitos preestabelecidos, a ciência se diferencia da religião e portanto não é uma religião e sim um modo de descobrir a verdade sobre o mundo de modo empírico.Na ciência, o lado emocional levado muito em conta na religião, é deixado de lado, o que conta são as experiências e as bases empíricas para provar as teorias porpostas.

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  80. PARTE 2 - 1.1 Classes Sociais
    O conceito de classes sociais é desenvolvido por Marx (conceito este que Comte rejeita) para determinar as relações histórico-sociais existentes em qualquer tempo e em qualquer sociedade. “Todas as sociedades anteriores, como vimos, se basearam no antagonismo entre classes opressoras e classes oprimidas.” (Manifesto do Partido Comunista). A história do mundo, a história do mundo, portanto, se resumiria apenas a uma disputa eterna entre classes, mesmo que essa oposição e antagonismo não se revelem de forma declarada, através de uma guerra.
    No séc. XVII, época em que viveu, Karl Marx identificava como a classe opressora a burguesia- a classe “capitalista” propriamente dita- pois era essa classe que realmente usufruía dos privilégios do sistema econômico vigente, através do monopólio dos meios-de-produção e exploração da força de trabalho da classe que oprimiam; e como classe oprimida, o proletariado, que seriam os trabalhadores, alienados dos meios-de-produção e que tinham como “mercadoria de venda” sua força de trabalho, que vendiam ao dono da indústria em troca de um salário.
    Duas características importantes que Marx atribuiu a essa divisão de classes do sistema capitalista, é que, ao mesmo tempo em que seriam opostas e antagônicas (levando em conta seus interesses distintos), seriam também interdependentes. Opostas porque, seus objetivos são paralelos: o proletário buscava apenas aumentar seu lucro através da exploração cada vez maior do seu operário, pagando-lhe bem menos que merecia pelo quê produzia, assegurando assim, sua propriedade dos meios-de-produção; já o proletariado lutava contra essa exploração, exigindo maior participação nos lucros do empregador, assim como menor jornada de trabalho etc, i.e., maiores direitos. Interdependentes porque, o proletariado só pode existir à medida em que existe quem o empregue; só existem porque há quem compre sua única propriedade (os proletários), que é a força de trabalho.
    Analisando essa divisão feita por Marx, fica evidente que ele separava as classes levando em conta seus instrumentos de produção; no caso do proletariado, seu instrumento seria, unicamente, a força de trabalho, e em parcos casos, algum conhecimento técnico, que o permitisse melhor manuseamento das máquinas. Já o burguês tinha acesso a todos os instrumentos do meio-de-produção: desde a matéria-prima às máquinas utilizadas para a confecção da mercadoria.
    Marx, porém, era enfático ao prever a queda da burguesia, e consequente queda do sistema capitalista, por condições que essa própria classe proporcionou: “A burguesia, porém, não forjou somente as armas que lhe darão morte; produziu também os homens que manejarão essas armas – os operários modernos, os proletários.” (Manifesto do Partido Comunista). O filósofo versava que, os operários, através de luta armada, tirariam a burguesia do poder, e é esse ponto que diferencia o socialismo científico de Marx do socialismo utópico que lhe antecedeu, que considerava os meios pacíficos mais apropriados para a reivindicação de seus direitos e alcance de uma sociedade justa.
    Com o desenvolvimento da burguesia, desenvolve-se, automática e necessariamente o proletariado, que é condição necessária para o contínuo crescimento do lucro burguês e manutenção da classe. Levando-se em conta tal aspecto, e ignorando questões mais profundas ou imprevisíveis, poder-se-ia inferir que a queda da burguesia seria questão de tempo, pois o número de proletários era muito superior, e quando quisessem se rebelar, nada lhes poderia conter.

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  81. PARTE 3 -
    1.2. A Alienação
    Outra ideia utilizada por Marx para ilustrar as relações sociais e produtivas existentes e geradas pelo modo de produção capitalista, foi da alienação, que, desde a publicação da obra de Rosseau (1712-1778), passou a ter o sentido de privação, exclusão, sendo que, antes disso, o termo possuía apenas um conteúdo jurídico, que designava a transferência ou venda de um bem ou direito.
    Para Marx, o que tornava o proletariado dominado pelos burgueses, era o fato de que os primeiros foram “alienados” do meios-de-produção; pois antes do advento do capitalismo, os produtores eram independentes e detentores de tudo que era necessário para a produção do artigo que lhe fosse competente: matérias-primas, ferramentas etc. Com o tempo, alguns desses produtores caseiros, que trabalhavam sozinhos e conheciam todo o processo de produção do produto, foram enriquecendo e “contratando” outros trabalhadores a seu serviço. Os meios-de-produção, porém, agora pertenciam ao mais rico deles, o empregador, que se tornaria o burguês capitalista, enquanto os modestos trabalhadores não podiam mais competir com a indústria que se formara.
    Os trabalhadores, que já seria conveniente chamar de proletariado, encontravam-se alienados agora dos meios-de-produção, e especializados em alguma função dentro do processo produtivo do artigo. Essa alienação de determinada classe social que permitia sua opressão, afinal, eles não tinham mais como competir com as indústrias, tenho que vender sua força de trabalho a elas por um preço injusto, enquanto os industriais enriqueciam-se cada vez mais e separavam os empregados ainda mais dos meios-de-produção.

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  82. PARTE 4 -
    1.3. Mais-valia e Salário
    Marx alegava que o lucro do burguês não consistia (pelo menos em sua maior parte) em um aumento de preço do produto final, e sim em tirar maior proveito da força do trabalhador, i.e., se dava no âmbito na produção da mercadoria. Seus argumentos para comprovar isso fazem sentido e são válidos, pois esse acréscimo ao preço final do artigo, a longo prazo, seria um mecanismo que traria problemas: com o tempo, o mercado seria inundado por artigos semelhantes, cujo preço cairia, o que não seria nem um pouco vantajoso para o burguês. Além do mais, se ocorresse uma alta arbitrária no preço de um produto, esse aumento se generalizaria, pois todos os industriais iriam querer lucrar mais, o que geraria uma desorganização no sistema econômico, inflação etc.
    E é nesse contexto que encontramos o conceito de mais-valia, que é no âmbito produtivo da mercadoria: a fim de aumentar seu lucro sem aumentar de forma desajuizada o preço final do mesmo, o burguês mantém constante o pagamento do trabalhador, ao mesmo tempo que o faz produzir mais, reembolsando, portanto, essa diferença valorativa entre produção e pagamento.
    A mais-valia dos trabalhadores era, portanto, apropriada pelos burgueses, que não lhe pagavam mais do que sua subsistência exigia: “O preço médio que se paga pelo trabalho assalariado é o mínimo de salário, i.e., a soma dos meios de subsistência necessária para que o operário viva como operário. Por conseguinte, o que o operário obtém com o seu trabalho é o estritamente necessário para a mera conservação e reprodução de sua vida.” (Manifesto do Partido Comunista)
    Conhecemos, agora, os dois principais conceitos da análise econômica que Marx fez da sociedade capitalista, que nos ajudam a entender porque ele tanto a criticava e julgava-a contraditória ao ideal liberalista que vigorava no séc. XIX.
    Marx alegava que, ao mesmo tempo que o trabalhador era alienado dos meios-de-produção, ele era alienado também da possibilidade de participação política: o princípio de representatividade, base do liberalismo e característica necessária à democracia indireta, criou a imagem de um Estado imparcial e “de todos”, que dirigia a sociedade pelo poder que lhe foi delegado por todos os indivíduos, e em prol de todos. Porém, essa imagem, segundo Marx, era fantasiosa, pois a classe dominante – no caso, a burguesia- usava-se do Estado e do poder político para servir aos seus interesses. Concluindo: a minoria (burguesia) servia aos seus próprios interesses através do aparato estatal, enquanto a maioria vivia iludida sob o ideal de liberalidade e igualdade, sendo tratada como minoria desprivilegiada.
    Após esse apanhado sobre as conclusões que Marx tirou sobre o modo de produção capitalista e suas implicações, vamos conhecer o método utilizado por ele para desenhá-las: o método do materialismo histórico-dialético.

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  83. Professor , também tive problemas para postar o material aqui , então segue o link com o texto :

    https://docs.google.com/fileview?id=0B2zeYnaPu928MGFiMDU0NGQtNWE2Ny00MjdjLWE3YWItOWRlMmRjNjUyM2I0&hl=en&authkey=CKD9qNkO

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  84. PARTE 5 -
    2. O Método do Materialismo Histórico
    Para o pensamento marxista, o importante é descobrir as leis que regem a ocorrência dos fenômenos (nesse aspecto Marx se assemelha a Comte, que baseando-se no pressuposto de que o conhecimento humano é limitado, não se poderia conhecer a origem ou razão dos fenômenos; e sim descobrir relações entre eles e leis que nos permitisse prevê-los, através, é claro, de muita observação e investigação empírica), e Marx desenvolveu, para compreender as leis que regem a organização dos homens em sociedade durante toda a história da humanidade, e sendo mais específico, a natureza da organização econômica humana, um método caracterizado pelo movimento do pensamento através da materialidade histórica da humanidade.
    Seu método de análise é conhecido como materialismo histórico por uns, ou materialismo histórico-dialético, por outros. Materialista porque o método interpreta das organizações humanas encarando-as como meio de o homem se reproduzir a vida e produzir; histórico porque Marx, intelectual como era, não se contentou em analisar apenas a sociedade que lhe era contemporânea, estudando e obtendo grande embasamento histórico, examinando as organizações sociais que lhe foram antecedentes; e dialético porque, a natureza do Mundo é dialética: se movimenta e é contraditória, portanto, para a lógica formal, que não comporta contradições e antagonismos, essa análise seria impossível.
    O método marxista pretende dar conta de toda e qualquer forma produtiva criada pelo homem, desde seu surgimento na superfície da Terra. O materialismo histórico caracteriza-se pela descrença na “evolução geral do espírito humano”, como ele próprio se refere, como forma de evolução da sociedade, sendo essa transformação, portanto, apenas uma sucessão de modos de produção. A dinâmica que teria tornado possível essa evolução seria a luta de classes, através da qual uma parcela dos dominados conseguiria “inverter o jogo”, subvertendo-se, e subjugando os dominadores.
    Marx também afirma que todas as estruturas da sociedades (jurídicas, políticas etc) encontram-se enraizadas nas relações materiais da vida, i.e., o esqueleto da sociedade civil (que é o conjunto de todas as relações materiais existentes e produzidas entre indivíduos, segundo a concepção de Hegel) é a economia política de determinada sociedade.
    Generalizando tal conceito, chegamos à conclusão que, a forma de governo, as estruturas jurídicas, educacionais e qualquer outra do gênero, foi criada e serve, unicamente, à classe dominante e seus interesses (como interesses aqui, foquemos os econômicos e financeiros apenas). Transformando-se a base econômica de determinada sociedade, transformam-se, consequentemente, suas estruturas jurídicas e políticas, que são sobre elas construídas e dela dependentes. A realidade econômica recebeu a alcunha de “infra-estrutura”, pois dela dependia a sobrevivência do indivíduo, e a ela foi atribuído o papel motor da História, pois determinava as relações de produção, que por sua vez determinavam as relações sociais demais, como a política etc.
    Marx previra que, o modo de produção que sucederia o capitalismo seria o comunismo, sistema esse em que toda a propriedade privada seria abolida e substituída pela propriedade comum de todos os meios de produção, que seriam pertencentes ao Estado, e seriam distribuídos de forma igualitária a todos. Como consequência de tal interferência benéfica estatal, as classes sociais desapareceriam, juntamente com os antagonismos que elas geravam.

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  85. PARTE 1 - A vida e obra de Karl Marx é tão abrangente e trata de assuntos tão técnicos, sendo que em sua obra O Capital analisa as raízes do sistema capitalista, o conceito de força de trabalho e o significado de mais valia no processo de troca e de uso. Seria então errado resumir sua obra no conceito de classes sociais e ideal de uma comunidade comunista, sem citar os pormenores de sua análise, porém é a isso que esse texto se propõe. Trata-se de falar sobre ideologia, questionar o que seria a ciência no contexto ditado por Marx e se sua própria concepção e método pode ser considerado científico.
    Reconstruindo a história, em seu Manifesto Comunista, o autor chegou a conclusão que todas as sociedades conhecidas nasceram e se desenvolveram em uma lógica de dois postos, o que ele mais tarde chamaria de “classes sociais”. Assim foi com patrícios e plebeus, homens livres e escravos, até que na sociedade capitalista estes extremos fossem definidos como burguesia e proletariado.
    Durante sua vida no século XIX, para Marx era bem claro que a sociedade se dividia em opressores e oprimidos. Sendo os primeiros os detentores dos meios de produção, enquanto os outros eram detentores unicamente de sua força de trabalho, os assalariados. Essa diferença só crescia, tornando a distância entre os pólos cada vez maior, e isso não ditava somente as relações econômicas dessa sociedade, mas também toda a sua formação e características. Para Marx a raiz de todas as relações sociais está pautada nas relações econômicas da sociedade, usando suas expressões, essas formariam a estrutura da sociedade, sobre a qual se erguem todas as outras como a jurídica e política, a super-estrutura.
    Marx vai mais fundo ao relacionar a estrutura econômica as demais relações sociais, para ele a própria mentalidade humana, o ser individual não é nada senão a manifestação de sua posição na linha de produção. Podemos notar essa implicação no seguinte trecho “na produção social da sua vida os homens entram em determinadas relações, necessárias, independentes da sua vontade, relações de produção que correspondem a uma determinada etapa de desenvolvimento das suas forças produtivas materiais.”

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  86. PARTE 2 - Seguindo esse raciocínio podemos notar que as próprias manifestações na forma de idéias, o desejo por mudança não é nada senão o reflexo das condições vividas por uma classe, e mais do que isso pode ser também algo que é imposto a ela pela classe bem colocada na linha de produção. Analisando essa suposição podemos citar o autor Eric Hobsbawm, que em sua obra Era do Capital descorre sobre aspectos da vida burguesa, a necessidade de ostentação e o discurso de moralidade, que eram imitados em certos aspectos pela classe proletário, sendo visto como magnânimos, inatingíveis. Ou seja, há um complexo de idéias devidamente sistematizado, com pensamento organizado, na consciência dos homens, que não necessariamente corresponde a realidade, na verdade, a inverte totalmente.
    Em suma, há portanto as classes sociais, ditadas pela sua posição na linha de produção, oprimidos e opressores, sendo que essa posição revela sua maneira de pensar, há em tão acima de qualquer manifestação individual, a idéia da classe. Cabe agora conceituar a palavra Ideologia: conjunto de idéias, de pensamentos, de doutrinas ou de visões de mundo de um grupo, orientado para suas ações sociais. Na sociedade capitalista há duas ideologias opostas.
    Levando a análise para onde nos foi proposto, tentemos inserir o significado de ciência, como busca por uma verdade absoluta livre de preconceitos e paradigmas, nesse contexto. A partir da obra de Marx, podemos inferir que a burguesia é detentora de todos os mecanismos dessa sociedade, os controla, e sendo assim não é diferente com a ciência.
    A busca científica segundo Marx, assim como todas as outras relações, como já dito antes está sujeita a ideologia resultante da posição econômica do grupo. Se a ciência predominante é produzida por uma burguesia, ela com certeza existirá para atender os interesses dessa classe, sendo que não haverá verdade, se essa não for conveniente a esse grupo. Precisamos ainda dizer, que esse não pode ser considerado um sistema de conspiração ou nada parecido, na verdade é algo natural que se instala para que o sistema possa funcionar, se estabelecer. Tal pensamento fica claro no trecho “Não é interesse da classe dominante chegar à verdade. Isso comprometeria sua dominação de classe.”
    No entanto, não é dito que a ciência e o pensamento burguês é único; está implícito que o processo de formação e difusão das ideologia tem como pano de fundo as lutas sociais. Se a ciência é um prolongamento de uma ideologia existente e existe para atender os interesses de um grupo, deve haver então, a ideologia proletária. A classe oprimida têm toda a capacidade de acordo com sua posição social, de analisar cientificamente todos os aspectos da realidade existente, e apesar dos esforços de Marx, nós podemos presumir que essa verdade também não será livre de discordâncias e erros.

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  88. PARTE 3 - Para Marx, dentro de um ciclo de revoluções que ele afirma sempre existir (a própria burguesia é fruto de uma revolução de oprimidos), o proletário perceberá que a mesma sociedade que o oprimia foi criada e sustentada pela sua força de trabalho, e então, através de meios, mesmo que violentos, será capaz de tomar o poder, extinguindo as instituições opressoras, em especial, a propriedade privada, formando um novo sistema: o comunismo. O autor coloca como papel dessa classe a busca pela dita verdade, a ciência social verdadeira.
    Esse é o ponto o qual o texto se propôs a resgatar da obra de Marx, para então tentar inferir que em todos os sistemas a ideologia e a ciência andam de mãos dadas. O que fica claro se pensarmos que nenhuma sociedade faz qualquer produção de conhecimento que negue a ela mesma, não faz sentido, e como já dito isso não é um mecanismo proposital, mas faz parte da lógica do próprio pensamento humano. Toda a ciência produzida parte de pressupostos existentes dentro da classe pela qual é gerada e existe para satisfazer os ideais dessa mesma.
    Ainda podemos viver que não há nenhum ser racional livre desses conceitos, nem o filósofo, sociólogo, ninguém. Marx diria que todos sem exceção ou são burgueses ou são proletários, e suscetíveis as idéias dessas duas classes. É verdade que nos dias atuais torna-se difícil, ou ao contrário do que os marxistas fervorosos diriam, impossível dividir a sociedade em somente duas classes, já que as relações do mercado capitalista se tornaram muito mais complexas, mas ainda que as linhas de separação de classes sejam tênues, e que essas não sejam mais somente duas classes, não há nenhum ser social desse capitalismo que esteja livre de uma posição social na linha de produção, e portanto, livre de uma ideologia.
    Talvez esse texto só nos faça pensar que não há conhecimento científico neutro, livre das armadilhas da análise humana, e talvez isso seja muito extremo, mas talvez seja verdade. Se é que possamos dizer que existe uma verdade.

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  89. Parte 1 de 3
    Tema 5: Especificidade da ciência social
    Sociologia é a ciência que estuda o comportamento da sociedade em geral e busca uma perfeita organização na vida social. Mas como estudá-la? Quais os padrões e regras? Neste simples texto, discorro sobre este tema.
    O homem possui uma inclinação natural que o faz tentar compreender as coisas pelos conceitos já pré-existentes e pelo o que elas representam e não pelas coisas em si. Para isso, Émile Durkheim, que é considerado junto com Max Weber um dos fundadores da sociologia moderna, desenvolveu uma obra intitulada “As regras do método sociológico”, no qual propõe regras para os estudos das denominadas ciências sociais. As regras metodológicas fornecem critérios para a avaliação de procedimentos científicos e respeitam padrões nas atividades de investigação. Portanto, acaba nos auxiliando na caracterização da ciência como atividade e na ciência como forma de ação social.
    Para entender o desenvolvimento de Durkheim é necessário esclarecer a definição de “fato social” para o autor. Durkheim definiu um fato social como: “Todas as maneiras de ser, fazer, pensar, agir e sentir desde que compartilhadas coletivamente. Variam de cultura para cultura e tem como base a moral social, estabelecendo um conjunto de regras e determinando o que é certo ou errado, permitido ou proibido.” Um fato social é qualquer forma de indução sobre os indivíduos que é tida como uma coisa exterior a eles, tendo uma existência independente e estabelecida em toda a sociedade. Logo, os indivíduos estão presos a padrões culturais dos grupos que pertencem e estes padrões se estabelecem sem o desejo do indivíduo em si, mas como dito, são exteriores a ele. Além disso, não são padrões individuais, mas sim, coletivos. Como exemplo de fato social pode-se citar o casamento. Afinal, a família, amigos e parentes não exercem sobre o indivíduo uma “pressão” para que este se case segundo a lei, mantenha um matrimônio legítimo e passe a constituir uma família? Sem percebemos, isto já esta contido em nossa mente, fazendo parte dos nossos padrões e se tornando desta forma, um fato social. Resumidamente, o fato social é experimentado pelo indivíduo como uma realidade independente que ele não criou e não pode rejeitar, como as regras morais, leis, costumes, rituais e práticas burocráticas oficiais, entre outras coisas. No campo social, existe um aspecto da realidade que vai além dos simples comportamentos individuais. É preciso, portanto, estudar os fatos sociais como se fossem coisas em si, independentes da consciência dos indivíduos que formam a sociedade.
    Os fatos sociais podem ser estudados através de duas características principais. A primeira delas consiste em afastar todas as pré-noções. Estas pré-noções devem ser afastadas, pois possuem a capacidade de desviar o aspecto verdadeiro das coisas e conseqüentemente confundir o estudo verdadeiro. Isto me parece um tanto difícil, visto que o homem possui conceitos já impregnados em sua mente e se desligar dos mesmos exige um grande esforço intelectual. Depois de feito isso, a análise dos fatos sociais pode ocorrer. A independência da sociologia para com a filosofia também se enquadra nessa primeira característica. A ciência social deve-se contentar em ser apenas ciência social e não sofrer influência da filosofia, pois, quando ambas permanecem juntas, o sociólogo considera as coisas sociais pelo seu lado mais superficial e geral, buscando semelhanças com outras coisas já existentes no universo. Para compreender o reino social, é necessário abrir mão dessa generalidade e entrar nos detalhes dos fatos, especializando dessa forma a sociologia e fornecendo materiais mais profundos de reflexão.

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  90. Parte 2.Em segundo lugar, ao estudar os fatos sociais, o sociólogo deve tomar sempre para objeto de investigação um grupo de fenômenos previamente definidos por certas características exteriores que lhes sejam comuns, e incluir na mesma investigação todos os que correspondam a esta definição. Para facilitar a visualização dessa segunda regra, segue o exemplo citado pelo próprio Durkheim: Rafael Garofalo, um jurista italiano, cita como crime apenas uma espécie de crime, encontrada em determinada sociedade. Para Durkheim isto não deve ser feito, pois o crime deve ser estudado em todas as sociedades existentes, considerando-se os contextos nas quais as sociedades se encontram. Esse segundo procedimento ajuda na eliminação de ambigüidades e também coloca os fatos sociais em um patamar isolado de condutas e manifestações individuais. Além dessas duas contribuições, creio que essa segunda característica em conjunto com a primeira, impede o homem de colocar seus julgamentos pessoais na ciência social, porque se isso ocorre, acaba por ocorrer uma descaracterização da mesma.
    Durkheim, em sua obra, afirma que uma ciência só pode considerar-se realmente ciência quando se torna independente de outras doutrinas, pois este é o objetivo: estudar fatos (no caso, sociais) que outras ciências não estudam. A ciência sociológica tem que possuir suas próprias características, para dessa forma, estudar a realidade social e compreender que um fato social é explicado por outro fato social, e assim, sucessivamente.
    Esses são os principais pontos decorridos por Émile Durkheim para especificar a ciência social e esses critérios possibilitam colocá-la como uma disciplina científica rigorosa. Durkheim procurou estabelecer os limites e as diferenças entre a particularidade e a natureza dos acontecimentos filosóficos, históricos, psicológicos e sociológicos. Elaborou um conjunto coordenado de conceitos e de técnicas de pesquisa que, embora guiados por princípios das ciências naturais, levavam o cientista para o discernimento de um objeto de estudo próprio e dos meios adequados para interpretá-lo.

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  91. Parte 3. No ramo social, Durkheim parte do princípio de que o objetivo máximo é atingir a harmonia da sociedade entre si própria e na relação com outras sociedades. Para atingir esse objetivo é necessário que ocorra um consenso social. Esse consenso deve englobar os acontecimentos mais comuns em determinada sociedade e refletir os valores, costumes e condutas aceitas pela maior parte da população. A consciência coletiva é outro ponto relevante, já que não se baseia na consciência de cada indivíduo ou de determinados grupos, mas está espalhada por toda a sociedade. A consciência acaba por revelar o estilo da sociedade, que se impõe aos indivíduos e se perpetua através das próximas gerações. Para que reine certo consenso nessa sociedade, deve-se favorecer o aparecimento de uma solidariedade entre seus membros. Como conseqüências dessa consciência aparecem as regras, que definem o que é considerado criminoso e imoral e delimitam as atitudes individuais. Durkheim ateve-se também a distinguir diferentes graus da vida social como a religião, a família e a educação e seu papel na organização social. É através das famílias, escolas e universidades que o homem é preparado para viver em sociedade. “A ação exercida pelas gerações adultas sobre as que ainda não estão maduras para a vida social, tem por objetivo suscitar e desenvolver na criança determinados números de estados físicos, intelectuais e morais que dele reclamam, por um lado, a sociedade política em seu conjunto, e por outro, o meio especifico ao qual está destinado.” e “longe de a educação ter por objeto único e principal o indivíduo e seus interesses, ela é antes de tudo o meio pelo qual a sociedade renova perpetuamente as condições de sua própria existência. A sociedade só pode viver se dentre seus membros existe uma suficiente homogeneidade. A educação perpetua e reforça essa homogeneidade, fixando desde cedo na alma da criança as semelhanças essenciais que a vida coletiva supõe.”As frases anteriores nos mostram claramente o papel da educação na visão de Durkheim e na minha opinião essa visão é ainda bem atual, pois na escola é onde o individuo se auto-descobre e descobre a sociedade, suas regras e quais as implicâncias que isso acarretará em sua vida. Já a religião é vista como um mecanismo para reforçar a integração social. Sua função é a criação, o reforço e a manutenção da solidariedade social.
    Atualmente, a escola sociológica se divide em duas escolas: a Estrutural-Funcionalismo e a do Conflito. A primeira sofre grande influência Durkheiminiana e consiste em compreender a sociedade como um organismo humano-biológico. Se uma parte do corpo (órgão da sociedade) não está bem, acarretará prejuízos para o restante. Logo, todos os indivíduos da sociedade devem agir em um modo positivo para a mesma, compartilhando regras e melhorias. Essa influência de Durkheim nos mostra que apesar do tempo decorrido entre a formulação de sua teoria e os dias atuais, ela continua sendo imprescindível no estudo sociológico e desempenhou um grande passo nessa área.
    Concluo que como ciência, a Sociologia tem de obedecer aos mesmos princípios válidos para os ramos de conhecimento científico, apesar das especificidades dos fenômenos sociais quando comparados com os fenômenos de natureza e da abordagem científica da sociedade e Durkheim contribuiu muito nesse fator de esclarecimento do que deve e como deve ser estudada a sociedade. Durkheim realizou uma teoria da investigação sociológica e conseguiu atingir esse objetivo apesar das dificuldades, limites e ideais que essa explicação cientifica exige. A sociedade vive uma era de mudanças em diversos conjuntos como política, economia, cultura, educação e isso traz consigo novas situações e novos problemas. O método de Durkheim, a partir de suas regras, permite estudar profundamente nosso contexto atual. Logo, as regras metodológicas são essências para manter um padrão e estabelecer a sociologia cada vez mais como uma ciência atingível.

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  92. Parte1:

    Tema escolhido: Inicialmente um breve comentário de “O que é a ciência?”, e em seguida a influência da ciência no ser humano e no autoconhecimento e a busca pela felicidade.


    Existem muitas respostas para o significado de ciência, a grande maioria delas são defendidas por diversas pessoas, mesmo leigos que apesar de não ter um conhecimento adequado, aderem alguns significados sem ter ao menos uma visão mais crítica, ou seja, ser superficial e não deixar que sua resposta seja afetada por “achismos” ou até crenças. Universalmente conhecido, o Wikipedia dá, em síntese, o seguinte trecho explicando o que é ciência: “refere-se a qualquer conhecimento ou prática sistemático”, ou seja, qualquer forma de pesquisa, de busca para aprimoração ou inovação de um conhecimento, já explica o que é ciência. Em contrapartida, Paul Davies fala que nem todas as práticas, que se diziam científicas, podem explicar o que é a ciência, principalmente as mais antigas, como a Maia ou acupuntura chinesa como o próprio Paul Davies exemplifica, dizendo que a catalogação de fatos após tentativas e erros não sustentam um bom significado para a ciência. A explicação chinesa para a acupuntura, em que consiste na transmissão de misteriosas correntes de energia espiritual não são aceitas também, já que uma explicação baseada nos impulsos nervosos possuem muito mais fundamentos que consideramos científicos e mais adequados. O berço da ciência seria então a Europa onde princípios surgiram e explicaram a ciência com bases bem sólidas provenientes da cultura científica que foi influenciada principalmente pelo pensamento filosófico grego em que o homem podia alcançar como o mundo funciona através da racionalidade. Em conjunto disso, a influência monoteísta (judaísmo, cristianismo e islamismo) com a sua noção de uma ordem na natureza, ordem que foi criada por um Grande Arquiteto.

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  93. Parte2:

    Nos dias atuais, a ciência e seu significado está presente em todas as sociedades do mundo. Ela tem uma posição extremamente influente, conseguindo quebrar algumas barreiras milenares como diversas culturas orientais, que, são esquecidas, questionadas e perdem todo o seu valor cultural presente naquela sociedade durante toda a sua existência. O grande problema em questão não seria então, definir o que é a ciência em si, mas reconhecer que todo esse ceticismo proveniente da ciência faz com que culturas percam o seu valor, percam toda a sua tradicionalidade. O papel da ciência foi e sempre será importantíssimo para a humanidade, com todas as sua descobertas a fim de melhorar a qualidade de vida de todos. No entanto, mesmo não sendo reconhecido como ciência, todo o conhecimento cultural não pode ser perdido, muito pelo contrário, a sua importância deve ser reconhecida, estudada e fixada em todos. Essa cultura garante à essência humana diversos motivos para uma vida melhor, assim como a própria ciência procura, mas de uma forma diferente, deixa de ser algo físico, algo material e se transforma em questões éticas, moral, conhecimento e satisfação.
    Chegamos a um ponto em que a humanidade utiliza-se de inovações e aparatos científicos para se autodestruir, ao invés de alcançar a melhoria de suas vidas. Isso acontece porque toda essa busca por avanços científicos tornou-se mais importante do que o autoconhecimento e o avanço epicurista do indivíduo. Esse apego ao mundo material e esse “autoesquecimento” faz com que a felicidade pareça ser unicamente alcançada com a destruição do chamado “mau”. Mas esse termo não pode ser usado para caracterizar um indivíduo, já que há milhares de visões diferentes que entrariam em desacordo ao taxarem alguém como sendo mau. No entanto, existem alguns indivíduos que influenciam toda uma sociedade com seus ideais, suas vontades, impedindo que cada um consiga algum progresso significativo para a sua própria felicidade. Utilizam-se dessa ciência para o bem próprio e fazem os demais acreditarem que é para o bem de todos. Ledo engano, as piores guerras aconteceram devido a caprichos de um ou outro que conseguiu convencer toda uma população a seguir ser caminho e no final, encontraram apenas o sofrimento. As pessoas se apegam a essa ciência ou até a alguma religião, e tornam aquilo como uma verdade incontestável. No entanto, não passa apenas dessa influência de poucos em muitos.
    A ciência se diz como sendo positiva e que traz só benefícios. Sim, a facilidade que ela proporcionou em diversas situações é incontestável, só que o homem continua perdido. Continua sem saber encontrar essa tão falada felicidade e vive esse período curto de existência sem ter ficado realmente satisfeito com sua participação no mundo e em seu desenvolvimento intelectual, para a assim chegar nessa felicidade. A ciência hoje impede o homem de se autoconhecer, faz com que ele se apegue ao material, à tecnologia e à pesquisas longínquas, sem nem ao menos conhecer-se realmente. Sem conseguir ter encontrado uma solução plausível e efetiva para todos os problemas vividos pela humanidade, mesmo com todo essa avanço e fé na ciência que explica e resolve quase todas as coisas. Como tornar cada indivíduo um ser realmente pensante e que possa trazer benefícios para ele mesmo? Tornar cada indivíduo apto para influenciar e não ser influenciado, para não só conhecer o mundo, mas a ele próprio, para saber que ideias conflitantes não levam à uma guerra, mas sim num aprimoramento do próprio conhecimento e do ser individual.

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  94. Parte3:

    No entanto, diversos fatores impedem que isso aconteça. Pessoas que se apresentam como diferentes não são aceitas e muito dificilmente ouvidas pela grande massa. Isso aconteceu durante toda a história, qualquer nova filosofia, religião, movimento, revolução, não é visto com bons olhos por toda a grande massa acomodada ou que desconheça toda a filosofia por trás das palavras ditas pelo herege em questão. Ele é simplesmente ignorado ou descartado.
    Outro problema seria a grande quantidade de pessoas existentes. É muito difícil entrar em contato e trazer com sucesso uma “revolução”. Muitos conceitos e dogmas estão tão fixados em certas pessoas, que elas não conseguem compreender a proposta em questão. E junto a isso, esse número tão elevado da população, que acaba se transformando num exército pessoal de alguns poucos.
    As pessoas devem aprender a buscar esse autoconhecimento e ter em mente que buscar essa felicidade individual não gera conflitos, apesar de parecer egoísta. É preciso saber impor os seus limites, saber que o ser individual vive em uma sociedade com outros seres individuais, que buscam o mesmo caminho de formas diferentes e que eles devem ser respeitados, entendidos e quem sabe aprimorados e compartilhados. Então, toda aquela história de cultura dita anteriormente representa essa sociedade de seres individuais que compartilharam seus conhecimentos e descobertas que duraram gerações, e mesmo com uma ciência que chega e muda diversos conceitos e mostra que o significado de algumas coisas não é como sempre foi dito, não quer dizer que isso trará a felicidade ou satisfação pessoal. A cultura, o conhecimento por diversos temas é equivalente a reconfortancia do ser, o caminho para essa felicidade. Cada indivíduo pode reconhecer que a ciência pode trazer a verdade, mas todo aquele conhecimento cultural traz a verdadeira satisfação e alegria para a tão esperada felicidade.

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  95. Tema 2: “A Ciência Como um Sistema de Crenças”
    A Subjetividade do Indivíduo que é Contrária a Neutralidade
    A relação existente entre conhecimento e verdade diz respeito principalmente à antiga e intensa procura dos seres humanos por um conhecimento que se julgue como verdadeiro. Onde segundo as palavras do autor do artigo “Fé na Verdade” Daniel C. Dennett “A ciência é apenas mais uma religião... Afinal a crença no poder do método científico é um credo tal como os credos religiosos” sendo, portanto “uma questão de fé tão incapaz de confirmação independente... como qualquer outro credo”. Isso se torna perceptível até mesmo no conceito de verdade que abre margem a inúmeras teorias que não necessariamente estão corretas ou então de acordo com o que é realmente verdade, pois essa conceituação vem sido debatida há muito tempo, o que reflete a problemática de estabelecer algo como verdadeiro ou falso por esses termos serem demasiadamente subjetivos dependendo não só de fatores externos como também de fatores internos advindos de nossa própria percepção. Nem todas as pessoas desejam saber a verdade sobre tudo tendo que existe uma resistência proveniente de certos padrões de comportamento humano que nos faz nem sempre ambicionar a verdade acerca das coisas por não ser ela por vezes agradável aos nossos princípios em relação ao que nos cerca, optando, portanto em viver na ignorância do ledo engano. O que demostra que nem sempre os problemas estão relacionados à “investigação reflexiva última acerca da investigação”, ou seja, nem sempre o impasse é de caráter epistemológico e sim pode ser concernente a questões de caráter ideológico de cada indivíduo em particular.
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  96. Qual seria então o comprometimento dos indivíduos com o conhecimento e a verdade acerca das coisas? Partindo-se do pressuposto que os indivíduos, em sua grande maioria, têm uma resistência pessoal no que diz respeito à verdade, sabemos, portanto que cada um, ou cada associação quer seja científica ou religiosa entre as demais outras, por exemplo, deseja mostrar suas “verdades” e ideologias embasadas em sua percepção singular da realidade. O mundo científico, sobretudo no que concerne às ciências tidas como naturais (física, química e biologia) anseia por demonstrar sua visão (ou versão) acerca da verdade, baseando-se muitas vezes em uma reprodução feita em laboratório das condições presentes no mundo que denominamos como real. Não se quer dizer que este tipo de conhecimento é baseado em fatos e não em crenças, pois devemos atentar ao fato que mesmo o conhecimento científico demanda pela vontade do pesquisador ou cientista em acreditar naquilo que está sendo demonstrado, pois no universo das teorias científicas as sentenças são supostamente relacionadas a experiências empíricas do que se deseja demonstrar, o que não reflete necessariamente a realidade. Nas ciências humanas o conceito de verdade torna-se mais “flexível”, porque a livre escolha pessoal dos indivíduos que fazem parte do corpo social faz com que se rompam os laços com as experiências referentes à ação e reação, estas experiências são dependentes da repetitividade de fenômenos produzidos através da reprodução de determinadas condições iniciais, visto que as pessoas que formam a sociedade não são como as leis físicas de caráter exato e irrefutável, sendo, portanto mutáveis e imprevisíveis.
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  97. A objetividade das ciências está centrada no fato de que as observações devem ser feitas fora da consciência individual de forma a ser imparcial a juízos de valor. Entretanto podemos nos insurgir: Como as ciências podem estar isoladas das preferências individuais, se quem a cria está inserido num contexto que de certa forma interfere em sua forma de ver a realidade? Definir a objetividade nas ciências sociais é um dos propósitos da obra weberiana. Obra que analisa a sociedade a partir da criação de um sistema ideal típico, ou seja, um recorte da realidade. Essa alegoria criada a partir da realidade social permite refletir sobre as uniformidades da conduta que geram determinadas relações entre indivíduos pertencentes a uma comunidade. Porém o próprio Max Weber admite que sua obra é baseada num ponto de vista e que um homem não vive apartado de seus ideais. Contudo concomitantemente a negação da presença dos juízos de valor na ciência, as relações científicas não estão livres dos valores como objeto da ciência. Uma demonstração disso pode ser vista através do comportamento eugênico. Onde indivíduos consideravam-se superiores a outros apenas pelo fato de possuírem determinadas características fisiológicas que os diferenciava dos demais. Manipulando assim resultados científicos que comprovassem a teoria que vai a seu favor. O que é claramente um julgamento de valor transformado em tese científica. É o homem através de suas ações e pensamentos que constitui o elemento determinante para a enfatização de certos fenômenos e de várias espécies de causalidade que se atribui aos acontecimentos. A finalidade da ciência assim como da existência de um Ser Superior seria a pesquisa infinita e a luta pelo progresso do conhecimento de modo a desvendar as insurgeições que o mundo nos coloca. A exatidão dos resultados não pode estar somente vinculada às normas lógicas de nosso pensamento tendo que este é subjetivo e suscetível ás armadilhas das falácias. Os seres humanos têm, portanto um comportamento com relação aos fins aos quais se anseia chegar sendo assim vulneráveis a seu próprio julgamento. Onde temos que a interpretação é uma das pontes para que possamos acesar o conhecimento. As crenças assim como os demais sentimentos e práticas humanas correntes podem ser submetidas a uma análise compreensiva que permita entender os caminhos que levam a determinado valor. Sendo que o conhecimento científico só é válido quando pode ser controlado e verificado, quem determinaria as regras? O conhecimento é ,assim como a crença, hipotético na medida em que nenhum sistema reproduz a realidade que é infinita e não pode ser abarcada por meras conceituações. Descobrir como é o mundo, “a diferença entre a aparência e a realidade é uma descoberta humana” que permite “conceber deliberadamente correções ou aperfeiçoamentos nos seus próprios instrumentos de busca”, pois, nos deparamos sempre com a dúvida. Sendo então de suma importância a inquietação gerada pela busca da verdade. O objetivo de se chegar a uma conceituação de verdade existe nas inúmeras culturas humanas que explicam a realidade por suas perspectivas. A ciência assim como as crenças é meramente mais uma forma de busca da verdade podendo até ser denominada como “tecnologia da verdade”. Através da procura de algo isento da “instabilidade humana”, as teorias ficam a cada dia mais aprimoradas. Assim como as técnicas as ciências também são mutáveis e são sempre superadas por definições mais abrangentes de um fenômeno específico.
    ...

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  98. Existem outros tipos de conhecimento que não são considerados empíricos e nem científicos, como por exemplo, o conhecimento filosófico que não tem base experimental e trata de temas e problemas considerados subjetivos. Para exemplificar um dos conceitos que o conhecimento filosófico abrange além do conceito de verdade é distinguir o que é realidade daquilo que não pode assim ser chamado. Para realizar esta distinção não é preciso realizar experimentos, pois este conceito está vinculado com razões abstratas, as quais nos prendem a fim de crer em uma realidade que nos forneça segurança ou convicção de que vivemos. Essas razões abstratas são oriundas de sentenças que vão se convalidando umas as outras com o intuito de nos proporcionar esta confiança. Sendo até mesmo as crenças, baseadas até então, no encadeamento das premissas válidas entre si.
    Há divergências entre o conhecimento científico e o religioso que se devem ao fato de que o conhecimento científico está vinculado às estruturas argumentativas racionais sedimentadas em experimentações metódicas, enquanto o conhecimento religioso não possui base experimental por estar mais intimamente vinculado com a fé que se deposita em determinados dogmas. Entretanto como relata Dennett “a veneração à ciência – cientísismo – é muito semelhante às atitudes do devoto” onde a “postura de adoração” pode até mesmo ser “acrítica ou fanática”. Onde o “máximo bem dos cientistas é a verdade”, fazendo eles “da verdade o seu Deus”. Isso quer dizer que a ciência neste ponto de vista está também relacionada ao sentimento de fé. Ela também necessita da força de vontade do observador em entender e acreditar nos fenômenos, buscando uma – até a atualidade não encontrada - “verdade sobre a verdade”.
    ...

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  100. Portanto pode-se deduzir que a principal diferença entre a crença científica e a religiosa refere-se ao fato de que a ciência procura demonstrar os motivos pelos quais ela se autoconsidera fiel à realidade dos fatos. Enquanto a religião - segundo a visão do autor a qual eu pessoalmente discordo – “é apelativa à autoridade de quaisquer líderes religiosos” onde “muitas religiões atuais adorariam obter o aval da ciência”, pois segundo a visão do autor a fé cientifica seria cientificamente comprovada enquanto a religiosa seria imposta pelo fato de ser baseada unicamente em relatos bíblicos, ditos inspirados pela intervenção divina, discorridos em tempos passados. O motivo da discordância do ponto de vista do autor refere-se ao fato de que há evidências suficientes no Universo Físico para se crer na existência de uma Causa Primária Inteligente. Sendo as leis da Física precisamente criadas para que exista vida. Onde podemos observar até mesmo em relatos de cientistas aclamados como Steven Weinberg, ganhador do Prêmio Nobel de Física que disse: “Quanto mais o Universo parece compreensível, tanto menos entendemos o seu objetivo”. Onde para completar o raciocínio disse: “às vezes a natureza é mais bela do que realmente é necessário... É praticamente impossível não imaginarmos que toda essa beleza de alguma forma tenha sido feita para nosso benefício”. Onde se vê claramente que os próprios idealizadores da ciência acreditam na existência de um Ser Supremo e Soberano onde para finalizar complemento o relato do cosmologista Paul Davies que escreveu: “Quando analisamos o desenvolvimento do Universo, parece haver um plano coerente... A natureza não é a justaposição de eventos coincidentes, mas a manifestação de leis matemáticas engenhosamente entrelaçadas”. Quem seria portanto esse engenheiro? Onde através da apresentação e construção dos argumentos deixo a resposta para ser construída pelo leitor através de seus próprios juízos de valor. Respeitando é claro a opinião de cada um em particular.

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  101. Tema 5 – “A Especificidade da Ciência Social”

    Começarei pela questão que serve como base para o livro de Durkheim: que laços se formam entre os homens, e que constitui a sociedade?
    Durkheim tenta, ao longo de todo o livro, responder essa pergunta, e, abaixo, serão analisadas suas propostas.

    Em primeiro lugar, Durkheim cria a ideia de Sociologia – a criação de uma ciência que estude a sociedade por si própria, e não baseada em outras ciências, que carregam em si “pré-conceitos” e tendências.
    A Sociologia seria, resumidamente, o estudo dos fatos sociais (expressão criada por Durkheim), e fato social pode ser considerado tudo aquilo relacionado à maneira do homem de pensar, agir e sentir, que é imposta a ele como algo exterior (não nasce com ele), e que exerce certa coerção. Por exemplo, a tendência do homem em se casar, ir à escola, conseguir um emprego, comprar um carro, etc.
    Além disso, pode-se relacionar à ideia de fato social, na sociedade atual, a criação das leis e a punição caso essas não sejam seguidas.
    As leis, de certa forma, servem para orientar a ação dos homens, e criam uma tendência de valores e ideias que devem ser seguidas pelos membros da sociedade, para que a sociedade viva em harmonia – nota-se a intenção de minimizar, quanto possível, a existência de anomias. Nesse contexto, nota-se também a grande importância do Poder Legislativo.
    Nesse mesmo contexto, a Educação aparece como papel chave na obra de Durkheim.
    Para Durkheim, a escola é o mecanismo fundamental para a formação de cidadãos que se integrem à sociedade; saibam aprender e não apenas obedecer, e entendam a importância das regras, o porquê de segui-las, e, além disso, adquirem também o costume de questionar.
    Nesse contexto, deve-se ter como base a ideia de Durkheim de que o homem é considerado um ser social, e tem satisfação em viver em sociedade.

    Outro ponto que chamou muito minha atenção na obra de Durkheim se refere à crítica feita a Marx sobre sua maneira de analisar a sociedade.
    Durkheim diz que Marx erra ao tentar encontrar na Economia a explicação para o modo como a sociedade se organiza, já que a Economia em si não possui capacidade organizatória.

    Não é à toa que Durkheim é considerado pai da Sociologia. Suas ideias tem bases muito fortes, são inovadoras, e apresentam de modo inovador uma visão sobre a sociedade.

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  102. Parte1
    A prepotência da Ciência

    Lendo o artigo "O que é Ciência" de Paul Davies podemos ver o pensamento da maioria dos cientistas presentes no globo terrestre: a superioridade da Ciência ocidental moderna. O autor ao longo de seu texto expõe as crenças de algumas culturas, e as desvaloriza, por discordar dos métodos utilizados para suas descobertas e por não se saber, de uma maneira racional, quais os seus efeitos e resultados. Ele acredita que para que algo possa ser considerado digno de receber o nome de Ciência deve-se ser fundamentado em preceitos criados pelos cientistas europeus a partir da idade média, o que, obviamente, era impossível antes dessa era. Dessa forma, culturas milenares, como a oriental e a maia, são totalmente inferiorizadas por Davies.
    Tal texto despertou minha curiosidade sobre essa linha de raciocínio de algumas pessoas que denominam a ciência moderna como a portadora da verdade de uma maneira absoluta. Então pretendo me aprofundar um pouco no assunto a fim de analisar os fatos e descobrir o porquê dessa proposição.

    Ciência como verdade absoluta

    Na maioria das vezes que paramos para assistir um telejornal ou acessamos um portal de noticias na internet nos deparamos com reportagens sobre alguma nova descoberta da Ciência, e, a partir dai, grande parte das pessoas, inclusive cientistas, começa a tratar aquilo como uma verdade incontestável. Outro grande exemplo também que podemos dar é quando estamos em uma discussão ou debate e um dos participantes usa o argumento "Mas foi cientificamente comprovado que...", pronto, encerra-se ali a discussão. Não podemos negar esses fatos, pois estamos cansados de vê-los.
    Porém, sabemos que um dos princípios básicos da ciência é de que ela nunca pode ser colocada como uma verdade absoluta. Então por que muitos insistem em vê-la dessa maneira?
    Em minha opinião, temos dois fatores principais. O primeiro seria o responsável por esse efeito diante das massas, a mídia. E o segundo diante dos cientistas, a prepotência.
    A mídia é um fator principal graças a sua capacidade incrivelmente alta de manipular e influenciar o pensamento daqueles com menos conhecimento. Usa-se a seguinte estratégia: As corporações detentoras dos meios de comunicação escolhem transmitir ao público aquilo que melhor lhe convém, ou seja, aquilo que podem retornar lucro. Então se valem de uma pequena porção da ciência, geralmente de qualidade contestável, para conseguir vender os seus produtos. Onde a real ciência só entra nos noticiários para que se haja uma maior confiabilidade ao meio cientifico por parte dos leitores, ou espectadores.
    Já no segundo fator, sou um pouco mais ousado em querer criticar os sacerdotes da ciência, acusando-os de prepotentes. Porém, peço que não se leve para o lado pessoal, e sim como uma simples crítica de um mero estudante. No parágrafo anterior, falei da culpa da mídia em relação à população em geral, chegando a conclusão de que ela usa a real ciência como um meio para que se qualifique a ciência chula para que então essa possa ser aproveitada para venda de produtos. Ou seja, essa idéia pode livrar os cientistas da culpa sobre a divinização da ciência, pois de certa maneira eles acabam sendo “usados” pela mídia. Mas discordo dessa opinião.
    Prepotência, segundo o dicionário Priberam da Língua Portuguesa, é um sentimento de superioridade; poder superior. E é justamente isso que percebo no artigo de Paul Davies que é o motivo pelo qual escrevo. Mas, infelizmente não é só nele que se percebe este sentimento. Em grande parte dos cientistas é nítida a presença da prepotência. Mesmo que eles teimem em tentar esconder isso, acabam sempre demonstrando através de suas falas e artigos.

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  103. Parte2

    No texto de Davies há uma frase que me desperta curiosidade: “Estes princípios emergiram da (verdadeira, segundo a minha definição) cultura científica da Europa.”. Aqui o autor estava dizendo que as tecnologias criadas por outras culturas não se baseavam nos princípios da hidrodinâmica ou do magnetismo, ou seja, dos princípios científicos atuais, que por sua vez emergiram da cultura cientifica da Europa. Que ele define, segundo sua concepção pessoal, como verdadeira. Em meu texto não me preocupo em discutir se ela é, de fato, a verdadeira. Mas sim a audácia de um homem ao desvalorizar culturas e valores, só por serem diferentes do seu. Colocando a sua cultura em um patamar elevado as outras.
    Um dos principais motivos dessa discriminação baseia-se no principio do método cientifico, onde se defende a idéia de que “tudo o que é cientifico apoia-se na experimentação”. Apesar de hoje já haver uma abertura maior para o “livre pensar”, muitos ainda seguem a risca esse principio, graças à influência do positivismo, que acaba gerando um bloqueio ao raciocínio intuitivo. E ai acaba acarretando naquilo que escrevi no parágrafo acima, pois nas outras culturas não temos a existência desse método, gerando assim essa discriminação presente hoje.
    Concluindo, é claro o fato de que a maioria dos cientistas consideram suas crenças superiores em relação às outras, pois acreditam que somente o método cientifico é capaz de legitimizar algo. Porém, isso acarreta em uma grande desvalorização de culturas milenares que não se adequam aos padrões.

    Fé e Ciência

    Quero também aqui neste texto discutir um pouco a questão do embate entre Religião e Ciência. Pois já faz centenas de anos que vemos essa briga onde nunca há um vencedor.
    E gostaria de começar utilizando-me de uma frase que considero genial de Martinho Lutero: “A ciência sem fé é loucura, e a fé sem ciência é fanatismo.” É daí que pretendo começar, pois através dessa sentença podemos perceber a relação de interdependência entre os dois principais pilares da sociedade.
    A prepotência da ciência também é presente quando tratamos da questão da fé. O principio do método cientifico, que curiosamente foi criado por um padre, aplica-se também aqui. A ciência rejeita a religião por não ser fundamentada em algo material, preferindo se distanciar e menospreza-la.
    Mas também não podemos isentar a igreja da culpa pela separação e discussão presente hoje. Apesar da bíblia não nos revelar nenhum sinal de discordância em relação ao conhecimento cientifico, todos sabem que na Idade Média a situação não foi das mais agradáveis e houve muitos embates e discordâncias entre as duas entidades, e isso graças a más interpretações das escrituras e ao pensamento mesquinho de grande parte das autoridades eclesiásticas, que ao invés de ouvir os que acreditavam no contrário do que era dito, preferiam condenar a morte.
    Apesar desses dois lados sombrios das duas grandes máximas de nossa sociedade, usando-se da frase de Martinho Lutero acredito que possa haver uma comunhão entre elas. Pois andando juntas o avanço obtido seria de um alcance muito superior ao presente.

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  104. Parte3

    Alguns, tanto religiosos como cientistas, discordam, pois para eles não há concordância. Para os do primeiro grupo a ciência evolui de maneira inescrupulosa, aonde se chegará ao ponto de se achar mais até que o próprio Deus em que acreditam, e que então é seu dever lutar contra esse avanço. Já para os do segundo grupo a religião é uma coisa ultrapassada, totalmente sem nexo, e apenas mais um instrumento de manipulação de seres humanos, e desacreditam da idéia da existência de um Ser Supremo que governa o universo. Porém quero citar aqui duas passagens bíblicas: “E tu, Daniel, fecha estas palavras e sela este livro, até ao fim do tempo; muitos correrão de uma parte para outra, e a ciência se multiplicará.” (Daniel 12:4) e “Visto como, na sabedoria de Deus, o mundo não conheceu a Deus pela sua sabedoria” (1Cor 1:21a). Esses dois versículos tendem, no mínimo, a confrontar os dois pensamentos mostrados acima. Pois no primeiro, onde o profeta Daniel recebe uma revelação divina, fica claro que o próprio Deus nos fala que a ciência progredirá, portanto não devemos ir contra isso. E no segundo o apóstolo Paulo nos mostra aquilo que citei anteriormente, que o homem não conheceu através de sua ciência. Minha intenção aqui não é discordar, nem inferiorizar nenhuma fé, mas sim rebatê-las com a bíblia.
    Para concluir, fazendo o fechamento de todo o texto, volto a afirmar que acredito em uma comunhão não somente entre ciência e religião, mas entre ela e todas as outras culturas e crenças. Porém, isso só será possível a partir do momento que houver uma maior tolerância de ambas as partes. Acabando com a rejeição, e respeitando as outras máximas. Afinal, não é apenas um método científico que pode definir o que é verdade ou não.
    Isso pode parecer um discurso clichê, ou até mesmo utópico. Mas é minha opinião.

    *Peço minhas reais desculpas pelo atraso professor. Tive problemas técnicos, e só pude ter acesso a internet hoje.

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  107. Tema 6- “A Objetividade das Ciências Sociais”

    A Sociedade moderna foi marcada por inúmeras transformações que impactaram no modo de vida e nas relações dos indivíduos. A Revolução Industrial, a Revolução Protestante, a reorganização do trabalho foram alvo de diversos estudos de vários pensadores, estudos que tomaram pontos de partida e conclusões distintas, provocando discussões e embates que seguem até os dias atuais.
    Foi nessa Europa de revoluções que viveram Marx, Durkheim e Weber, em uma época de revoluções ideológicas que contestaram o Antigo Regime, sob golpes do industrialismo e da democracia revolucionária, novas idéias que se materializaram em palavras como democracia, industrialismo, massa, proletariado e classe média.
    Na França quando se dá a queda da Bastilha e exala a primeira revolução ideológica do ocidente, mudando a relação política regida sobre a propriedade como posse divina, passando o poder às mãos dos donos do capital. Na declaração dos direitos do homem, todo homem tem o direito de fazer as leis da nação, seja diretamente ou por meio de seus representantes, a idéia de nação, a família atingida pela revolução, conceito de Estado dentro de Estado, o estado é responsável pela educação. As disputas entre Fé e Razão foram também grandes personagens na analise evolutiva da sociedade moderna. A Fé com conceitos sobre comunidade, condutas humanas, era forte e principal pilar de sustentação do Antigo Regime. Idéias sobre o rei como divindade, força soberana, ligando o direito ao poder como concepção divina, o rei era a vontade de Deus na Terra, sustentava ideologias aplicadas pelos absolutistas.
    A Reforma Protestante trouxe então importantes teorias que confrontaram o absolutismo; noção de indivíduos, com sua própria interpretação da bíblia, resultando em pensadores que voltaram suas atenções aos problemas sócias trazidos por essas modificações drásticas na sociedade: Max Weber.

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  108. Max Weber viveu no período em que as primeiras disputas sobre a metodologia das ciências sociais começavam a surgir na Europa, sobretudo em seu país, a Alemanha. Trabalhou na Universidade de Berlim como livre-docente, ao mesmo tempo em que era assessor do governo. Cinco anos depois, escreveu sua tese de doutoramento sobre a história das companhias de comércio durante a Idade Média. Publicou ensaios sobre a objetividade nas ciências sociais e a primeira parte de "A Ética Protestante e o Espírito do Capitalismo", que se tornaria sua obra mais conhecida e é de fato fundamental para a reflexão sociológica. Desenvolveu um método compreensivo de estudo e análise da sociedade, buscou compreender interpretativamente, captar a conexão de sentido, estabelecendo relações, aliando a perspectiva sociológica e histórica.
    Weber descreve o percurso do racionalismo na sociedade moderna ocidental objetivando investigar a racionalidade por trás do Capitalismo, ou como ele próprio define: “ O Espírito do Capitalismo”. Weber estuda o Capitalismo de forma distinta a Marx, que via-o como uma causa de todas as interações sociais, as relações econômicas moviam a sociedade na visão marxista; já para Weber o Capitalismo não pode ser visto como uma causa, mas como uma conseqüência, dependente do contexto social em que se desenvolveu, deve-se pesar principalmente na óptica weberiana as influências religiosas que moldaram as relações econômicas capitalistas em cada sociedade, e foi essa tese que moveu o que é para muitos o principal trabalho de Weber, A Ética Protestante e o Espírito do Capitalismo.
    Destacamos deste trabalho uma passagem onde Weber deixa claro sua visão do Capitalismo como conseqüência: “O “ impulso para a aquisição”, a “ ânsia do lucro”, o “ quanto mais dinheiro melhor” não tem nada a ver em si com o capitalismo. Esse impulso existiu e existe entre garçons, médicos, cocheiros, artistas[...], ou seja, em todo tipo de gente e classe social, em todas as épocas e nações, onde quer que, de alguma forma se apresenta a possibilidade objetiva para tal.”

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  109. Fica assim evidente a diferença para o pensamento de Marx, já que não é o capitalismo que impulsiona esses desejos dos indivíduos na sociedade, mas são características que já os pertenciam, basta haver a possibilidade de lucro que esses desejos já se manifestavam, antes mesmo do capitalismo ser instaurado.
    A partir desse instante Weber volta suas atenções as diferentes forma em que se desenvolveu o capitalismo, e percebe que sempre, onde ele foi encontrado de forma mais evoluída e desenvolvida, era em sociedades protestantes. Começa então a estudar as causas que fizeram isso ocorrer e destaca diferenças entre o Protestantismo e outras religiões, buscando entender como isso se deu. Podemos passar então a analisar suas perspectivas de diferenças na atuação educacional das diversas religiões.
    Weber afirmou que não tinha a intenção de produzir uma tipologia sociológica dos fins e meios pedagógicos, mas, apenas, pretendia fazer algumas observações sobre o tema. Historicamente destacam-se dois pólos opostos na finalidade da educação: o primeiro despertar o carisma, ou seja, qualidades heróicas e dons mágicos, que corresponde à estrutura carismática do domínio, o segundo visa transmitir o conhecimento específico, especializado, que corresponde à estrutura moderna de domínio, especializado, racional e burocratizado. Além desses dois tipos de educação Weber mencionou outro tipo que tem como finalidade o preparo de uma conduta do homem culto do estamento concernente, foram estes os três principais tipos de educação encontrados historicamente por Weber. Já nas diferenças entre a educação católica e protestante weber conclui que, o ensino católico visa uma formação humanística, fazer o bem, o desapego aos bens materiais, trazidos pelos costumes católicos de doação e compartilhar as riquezas com os menos favorecidos, o que acabou por desmotivar os católicos rumo aos empreendimentos capitalistas; o ensino protestante por sua vez busca preparar os indivíduos aptos a preencher os cargos nas empresas capitalistas, nas camadas burocráticas do governo e na formação racional e específica, já que na visão da religião protestante o dinheiro era uma forma de saber que o indivíduo é um escolhido, as riquezas materiais somente são alcançadas por aqueles que foram escolhidos.

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  110. Depois dessas analises iniciais, Weber inicia seu grande objeto de estudo e investigação: O Espírito do Capitalismo.
    Weber inicia com os pressupostos de Franklin, a “fé” do Yankee, onde destaca a frugalidade, a pontualidade nos pagamentos, laborosidade e a fidelidade nos acordos, crença esse que parece ter sido destinada a concretizar a acumulação do capital. Em seguida classifica a ética peculiar do capitalismo, ou como ele mesmo chama a filosofia da avareza, classifica como um ethos, para logo adiante definir o que é isso nos seguintes termos: ”um determinado estilo de vida regido por normas e folhado a ética”. Evidentemente, uma definição dessas confere um sentido forte à palavra ethos. Em sentido fraco, ethos é um termo genérico que vem usado frouxamente para designar um conjunto de traços tidos como “característicos” de um grupo ou círculo social ou mesmo de um povo. De acordo com Weber, Franklin vê nas virtudes capitalistas quase uma revelação divina, uma via de virtude que afasta o homem do pecado e o aproxima da acumulação de capital. Não se trata de ganância, mas de uma inversão. Antes o trabalho era mera subsistência, na visão católica, agora a vida é trabalhar, trabalhar se torna uma virtude na visão protestante.
    Porém o Capitalismo não nasceu com Franklin e tampouco não começou com essa força coercitiva de hoje, que obriga a todos a se adequarem a essa prática ou serão marginalizados. Na Antiguidade e na Idade Média essa mentalidade seria rejeitada, certos grupos não iriam se adaptar a essa prática. Existiu a gênese do capitalismo ou o Pré-capitalismo.
    O desejo de riqueza fácil e rápida sempre existiu. A partir da “crise” do tradicionalismo econômico, que dizia que o homem por natureza queria simplesmente trabalhar para se sustentar, o capitalismo foi aos poucos se potencializando e tomando forma. Pra isso só precisava de recrutamento para essa prática. Pessoas com disposição racional para absorver suas técnicas e torná-las como um fim em si.
    Logo após Weber faz sua primeira grande vinculação da religião com o trabalho, a motivação para trabalhar, para certos grupos, tinha que vir de alguma fonte. De certa forma veio com a religião que culminou com o rompimento com o tradicionalismo econômico, conferindo o ímpeto para trabalhar como um “chamado” divino. O grande marco dessa mentalidade religiosa, é claro, a Reforma Protestante.

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  111. Weber destaca um grande conceito na sua obra, a Vocação de Lureto:
    “Já não resta dúvida de que na palavra alemã Beruf e talvez mais claramente ainda na palavra inglesa Calling está pelo menos implícita uma conotação religiosa de uma tarefa confiada por Deus”.
    “O único modo de vida aceitável por Deus não era o superar a moralidade mundana pelo ascetismo monástico, mas unicamente o cumprimento das obrigações impostas ao indivíduo pela sua posição no mundo. Esta era sua vocação”.
    A palavra “profissão” através de distintas línguas carrega a idéia de uma missão imposta por Deus, um “chamado”. Não demorou para que todos os povos protestantes adotassem seu significado no sentido de vocação, “dever”, “ofício”. É, portanto, um produto da Reforma.
    No entendimento de Weber, foi a partir desse conceito de vocação que se manifestou àquilo que ele entende como o dogma central de todos os ramos do protestantismo, segundo o qual a única maneira de viver aceitável para Deus não estava na superação da moralidade secular pela ascese monástica, mas sim no cumprimento das tarefas “do século”, impostas ao indivíduo pela sua posição no mundo.
    Foi a fé em torno da qual giraram nos países de capitalismo desenvolvido – Países Baixos, Inglaterra e França – também chamado de Puritanismo. Nessa parte, Weber começa estudar os representantes históricos do protestantismo ascético que são principalmente o calvinismo e seitas de certa forma derivadas dele: pietismo, metodismo e batistas ou anabatistas.

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  112. Calvino dará um passo fundamental com a sua doutrina da Predestinação. Esta diz que Deus já tem, desde sempre, sua lista de escolhidos. Não há nada que os seres humanos possam fazer para se salvar, pois os desígnios Dele são desconhecidos.
    Entretanto é impossível evitar que se procurem aqui e ali sinais que indiquem quais são os eleitos. Como a vida se resumia a cumprir as tarefas mundanas, seria aí que poderia se manifestar à vontade divina, nos frutos do trabalho. Então quem prospera nos negócios pode tomar esse fato como um possível indicio de que está predestinado e portanto escolhido.
    Weber ainda estuda individualmente as outras formas de protestantismo que se disseminaram pelo mundo, porém os grandes e principais conceitos da Ética Protestante e o espírito do Capitalismo estão nessas primeiras formas, é importante notar que por todas essas denominações o trabalho é louvado e visto como uma técnica ascética comprovada, e por isso Weber conclui sua teoria de ter o capitalismo como sendo modificado pela religião, como uma conseqüência.


    "Professor, infelizmente não consegui realizar o post ontem, acho que o blog devia estar sobrecarregado. Consegui acessar a internet hoje somente e realizei o post."

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  113. Via Google Docs minha postagem:

    https://docs.google.com/fileview?id=0B6N62XL-WMi4MTMyMTIyYjUtNTJkZi00ZjhlLWIzYWYtNTdmYzE3YjRhOWI2&hl=en

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  114. Primeiramente desculpa pelo atrazo tive que viajar e o local aond eu estava somente possui luz elétrica , e quando eu voltei tive problemas com a internet .
    Como quase todooo mundo, também tive problemas e também anexei o texto no google docs, segue o link(espero que não trave ):
    https://docs.google.com/document/d/17vMK09JzU5GzJoLBtxOthe0CfX8QVNmIKg0V-JCXrbQ/edit#

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